Médica do IOP participa da edição do Manual de Oncologia em Cabeça e Pescoço

9 de junho de 2021

Médica do IOP participa da edição do Manual de Oncologia em Cabeça e Pescoço

A cirurgiã de cabeça e pescoço, Dra. Paola A.G. Pedruzzi, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, participou da elaboração do Manual de Oncologia em Cabeça e Pescoço, que tem por editores Dra. Aline Chaves, Dr. Gustavo Marta e Dr. Luiz Paulo Kowalski, contribuindo com o capítulo Tumores de Orofaringe.

A médica cita uma incidência crescente de carcinoma espinocelular (CEC) da orofaringe, relatada nas últimas décadas, em várias áreas geográficas, em função do aumento dos casos relacionados ao papilomavírus humano (HPV). Já a incidência de tumores de cabeça e pescoço relacionados ao álcool e ao tabaco está em declínio.

Em 2007, a Organização Mundial da Saúde – OMS reconheceu a etiologia viral do câncer da orofaringe e, desde então, surgiram evidências de que o comportamento do CEC de orofaringe relacionado ao HPV não se enquadrava nos critérios de estadiamento proposto pelo TNM.

Os tumores da orofaringe HPV-positivo compõem uma entidade distinta em relação às características celulares, biológicas, clínicas e epidemiológicas. Clinicamente, os tumores HPV-positivos são mais propensos a apresentar estádio inicial T (T1-T2) e estádio N mais elevado. Os linfonodos são frequentemente grandes, múltiplos e/ou bilaterais e geralmente císticos. A incidência de metástases à distância é menor em pacientes com tumores HPV-positivos, sendo que as metástases se desenvolvem mais tardiamente, com um padrão diferente de pacientes com tumores HPV-negativos.

Segundo as diretrizes da National Comprehensive Cancer Network, o teste do HPV é recomendado para todos os tumores da orofaringe, porém, até então, o status do HPV era utilizado como forma de estratificação em grupos prognósticos, mas não havia diferenciação quanto ao estadiamento e tratamentos destes tumores. A 8ª edição do UICC TNM define tumores relacionados ao HPV com base na expressão do p16.

Dra. Paola Pedruzzi relata que o Manual de Estadiamento do Câncer da AJCC, 8ª edição, implementada para estadiamento dos casos novos de câncer, a partir de 1º de janeiro de 2018, introduziu mudanças significativas que permitem uma melhor estratificação prognóstica dos pacientes em subgrupos clinicamente relevantes.

A alteração mais significativa no estadiamento é a separação de tumores relacionados à infecção pelo vírus do papiloma humano. “Vários estudos mostraram o melhor prognóstico dos pacientes com CEC HPV-positivos em comparação aos pacientes HPV-negativos ou com tumores relacionados ao tabaco e ao álcool”, cita a médica. As mudanças relacionadas ao câncer da orofaringe são: nova classificação para CEC HPV-positivo, alterações nas categorias de T do tumor, inclusão da extensão extranodal no estadiamento do câncer da orofaringe HPV-negativo, classificação distinta para os linfonodos cervicais clínicos (cN) e patológicos (pN).

Ainda segundo a médica, hoje, apesar dos protocolos de tratamento, a abordagem dos pacientes é cada vez mais individualizada. O objetivo é oferecer tratamento com menores sequelas, menos efeitos colaterais e com taxas de cura melhores possíveis aos pacientes.