3º Fórum de Debates do IOP sobre genética e câncer de mama reúne especialistas em Curitiba

19 de outubro de 2016

O Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) realizou no dia 13 de outubro, o seu 3º Fórum de Debates, desta vez abordando a “Genética e o câncer de mama – influência na prática clínica e decisões cirúrgicas”.

O evento, ocorrido nas dependências da unidade IOP no Oncoville, contou com as presenças de oncologistas, mastologistas, ginecologistas, geneticistas, cirurgiões e demais profissionais da área interessados no assunto.

A primeira palestra coube à geneticista Anisse Chami, do Hospital Mater Dei de Belo Horizonte, Minas Gerais, que abordou a “Genética como fator preditor ou de risco para o câncer de mama”. A especialista mostrou que atualmente para se entender a genética do câncer é necessário realizar um tratamento mais individualizado e com o foco na avaliação oncogenética, possibilitando mais qualidade de vida e, consequentemente, maior sobrevida para os pacientes. “Hoje sabemos que com o advento do sequenciamento de nova geração, temos um número de informação molecular muito grande. Muitas vezes, são pedidos vários testes para excluir o diagnóstico que mudam de fato a avaliação e o manejo de risco para os pacientes”.

Em sua apresentação, ficou evidenciado que mesmo sabendo que os casos de câncer de mama em geral, os que resultam em questões hereditárias, são poucos, cerca de 5 a 7% de todos os diagnósticos positivos, é preciso ficar atento aos sinais, principalmente genéticos. “Em relação ao risco do câncer relacionado aos genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo, o câncer de mama é o mais comum para ser desenvolvido no decorrer da vida, mas o risco é variável conforme a faixa etária, podendo chegar a 6% aos 30 anos, 20% aos 40 e de 50% a 85% ao passar dos anos. Por isso o desenvolvimento da medicina precisa e personalizada vai trazer benefícios para os pacientes, pois o diagnóstico preciso muitas vezes permite determinar uma região preventiva para a redução do risco não só para o paciente, mas para os seus familiares.”

O mastologista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), César Cabello, discorreu sobre “Genética na decisão cirúrgica do câncer de mama”. Dr. Cabello contou sobre a experiência que é realizada na Unicamp, onde foi criado um Ambulatório de Alto Risco composto por geneticistas, oncologistas e equipe multidisciplinar para estudar a importância da mutação do gene BRCA1 e BRCA2, de se fazer rastreamento e, principalmente, como lidar com as informações que serão repassadas às mulheres com esse tipo de mutação e que podem, no futuro, desenvolver ou não a doença.

Abordando medidas de cirurgias preventivas, Dr. Cabello teceu algumas considerações que devem ser levadas em conta no momento da decisão, como, por exemplo, dificuldade no diagnóstico precoce, a contracepção, mulheres que ainda não tiveram filhos e o impacto que isso pode causar. Atualmente duas técnicas são mais usadas como cirurgias redutoras de risco: a mastectomia bilateral redutora de risco (retirada do tecido glandular) em mulheres saudáveis mas com mutação no gene, e a mastectomia unilateral (contralateral), realizada em mulheres que tiveram câncer em uma das mamas e que têm mutação genética. Há, também, a salpingooforectomia bilateral redutora de risco (retirada das trompas e dos dois ovários), realizada em mulheres saudáveis mas que também têm a mutação no gene.

O especialista salientou sobre a qualidade de vida das mulheres que se submetem a esse tipo de cirurgia (mastectomia) e que é afetada, porém, afirmou que 95% sentem-se bem por terem feito a cirurgia. “É importante salientar que nesse grupo específico de mulheres que nasceram com mutação genética, que têm muitos casos de câncer na família, a indicação é por cirurgia redutora de risco”, diz Dr. César Cabello.

Encerrando a programação, o oncologista clínico do IOP, Dr. João Soares Nunes, trouxe estudos de casos clínicos para serem analisados entre os participantes, fomentando questionamentos e provocando discussões sobre o uso das técnicas cirúrgicas e melhores formas de tratamento.

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