A Covid-19 ronda os lares, o câncer também

30 de julho de 2020

A Covid-19 ronda os lares, o câncer também

Na segunda quinzena de fevereiro, os primeiros casos da COVID-19 começaram a surgir no país. A novidade trazia consigo um rol de incertezas, principalmente para pacientes oncológicos. É verdadeira a premissa de que quanto mais cedo for diagnosticada a doença, melhor será o resultado do tratamento, e esse raciocínio vale tanto para a COVID-19 quanto para as neoplasias.

Os efeitos da pandemia foram paulatinamente sentidos pela população brasileira. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), ao menos 50 mil novos casos de câncer deixarão de ser diagnosticados no Brasil neste ano. A queda da identificação no número de casos novos em grandes centros oncológicos evidencia que futuramente haverá um “boom” de pacientes com estágios mais avançados de câncer.

Em meio ao cenário que surgia, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulga também em fevereiro as novas estatísticas sobre a doença. O Brasil terá 625 mil casos de câncer a cada ano no triênio 2020-2022. A entidade destacou a obesidade como um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de 11 das 19 principais neoplasias, e o sedentarismo, tabagismo, excesso de álcool, dieta pobre em frutas e legumes e rica em produtos embutidos, industrializados e com gordura saturada em excesso aumentam o risco de 10 tipos diferentes de cânceres. Por isso, é preciso rever os hábitos alimentares e de saúde, como sedentarismo, e promover a prática de exercícios físicos.

O oncologista clínico Gustavo Vasili Lucas, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, faz o alerta “Além das recomendações já citadas, é importante a realização de exames periódicos de rastreamento populacional para câncer de acordo com gênero e faixa etária”.

Ambiente seguro para pacientes

O paciente sentir-se seguro é uma das condições básicas para a busca de seu tratamento neste momento de pandemia. Por isso, o IOP, estabeleceu um protocolo de segurança que começa já na marcação de consultas, quando as telefonistas fazem uma triagem inicial para identificar se o paciente está com sintomas respiratórios, e também para o agendamento com distanciamento entre os horários, evitando aglomeração na sala de espera. Além disso, os pacientes são orientados a fazer uso da máscara e se possível que não venham acompanhados de familiares. Ao chegar à clínica, o paciente é avaliado por um profissional, que mede a temperatura, e recebe a recomendação de que adentre o espaço da recepção apenas depois de higienizar as mãos com álcool em gel. Há sinalizações de distanciamento seguro entre paciente e recepção. Nas salas de espera, o ambiente é arejado, com ventilação natural.

Tratamento quimioterápico

O IOP concentrou o tratamento quimioterápico em sua unidade IOP no Oncoville. Lá são realizadas as infusões de quimioterapia. O ambiente conta com boxes individualizados, que promovem um distanciamento seguro de todos os pacientes. Além disso, diversos cuidados estão sendo tomados para evitar a disseminação do novo coronavírus com o apoio direto do Comitê de Combate ao COVID-19 e pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do IOP, entre eles a intensificação da higienização dos ambientes e a organização da agenda para evitar aglomeração. Para pacientes do grupo de risco (idosos ou com doenças autoimunes), o IOP oferece aplicação e entrega de medicamentos em domicílio de algumas medicações.