ANS amplia cobertura para tratamento de pacientes oncológicos

20 de abril de 2021
Resolução normativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, publicada no Diário Oficial da União em março, promoveu uma ampla atualização nos procedimentos e eventos que devem ter cobertura garantida pelos planos de saúde privados. A vigência começa agora em abril e o documento amplia a cobertura obrigatória para 50 novos medicamentos e 19 exames, terapias e cirurgias.

Na Resolução da ANS foram incluídos 17 medicamentos imunobiológicos com 21 indicações para o tratamento de doenças inflamatórias, autoimunes e crônicas, como asma, esclerose múltipla e psoríase. Já os 19 antineoplásicos orais da lista contemplam 28 indicações de tratamento para diversos tipos de câncer.

Especialistas do Grupo IOP comentam sobre as novas drogas

 

Câncer de mama

A oncologista clínica Ana Maria de Oliveira explica que os inibidores de quinase dependentes de ciclina são empregados no tratamento de câncer de mama metastático sensível a hormônio e que não apresentam expressão de HER2. São usados em associação com hormonioterapia, contribuindo para o controle da doença e aumento da expectativa de vida da paciente. Existem três inibidores de ciclinas aprovados no Brasil: Palbociclibe (Ibrance), Ribociclibe (Kiskali) e Abemaciclibe (Verzenios). “São utilizados em mulheres na pré e pós-menopausa. Possuem administração por via oral e apresentam boa tolerabilidade. Dentre os efeitos colaterais mais comuns estão a neutropenia, fadiga, diarreia e náusea, dentre outros. As novas drogas interrompem o processo pelo qual as células se dividem, prologando a sobrevida de pacientes”, destaca.

Câncer de próstata

Para o câncer de próstata, a novidade é o Apaludamida, cita o uro-oncologista Murilo de Almeida Luz. É um antiandrogênico de nova geração, aprovado pelo Estudo Spartan, em pacientes com câncer de próstata não metastático resistente à castração, ou seja, pacientes que uma progressão de PSA mas cujos exames de imagem não demonstram nenhuma metástase. Até recentemente não tínhamos nenhuma terapia aprovada nesse cenário e essa é a primeira terapia aprovada no rol da ANS. Ela deve ser combinada com um bloqueio central androgênico. No estudo Spartan, a Apaludamida mostrou um benefício em praticamente dois anos de diferença no aparecimento de metástases. Atrasou o aparecimento de metástases em média dois anos e posteriormente também foi comprovado o benefício de sobrevida global na utilização dessa medicação. Esse é o padrão atual, a utilização da Apaludamida para o câncer de próstata não metastático resistente à castração.

Câncer de pulmão

Atualmente todo paciente portador de câncer de pulmão metastático, do subtipo Adenocarcinoma, deve ser testado para mutações direcionadoras objetivando tratamento personalizado. A mutação mais prevalente neste subgrupo de tumores, que ocorre em cerca de 15 a 20% dos casos, é a no gene EGFR. Em 2019 foi publicado o estudo FLAURA, que submeteu pacientes com Adenocarcinoma de pulmão com mutação EGFR e doença metastática ao tratamento padrão de primeira linha com Gefitinib ou Erlotinib contra a nova molécula Osimertinib. Após a comprovação de ganho absoluto de cerca de 7 meses em sobrevida global a favor do Osimertinib, com cerca de 54% dos pacientes vivos em 3 anos e um bom perfil de segurança, o medicamento foi aprovado pela ANS e já é considerado tratamento padrão em 1ª linha para este perfil de pacientes“, aponta a oncologista clínica Thais de Abreu Almeida.

O Osimertinibe é um inibidor Tirosino quinase (TKI) e seu uso está aprovado em primeira linha para tratamento de câncer de pulmão (Adenocarcinoma) metastático com mutações L858R ou deleção do éxon 19 no gene EGFR.

Leucemias

Pacientes com leucemias também terão uma nova opção de tratamento. Segundo o onco-hematologista Eduardo Cilião Munhoz, do Mantis Diagnósticos Avançados e do IOP, “O Ibrutinib é um medicamento muito eficiente para o tratamento de pacientes com Leucemia linfocítica crônica. Primeiramente liberado para uso em pacientes que apresentavam uma alteração cromossômica chamada deleção do cromossomo 17. Atualmente sabe-se que ele pode ser útil em vários casos de paciente com esta leucemia crônica. Recentemente também foi aprovado para pacientes com linfoma do manto que apresentaram a doença depois das primeiras linhas de tratamento”.