Atuação do farmacêutico na oncologia

20 de janeiro de 2022

O câncer é a segunda causa de morte no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Quase uma em cada seis mortes se deve à doença, que se desenvolve quando ocorrem alterações em um grupo de células normais do corpo que apresentam crescimento anormal e descontrolado e, como consequência, produzem tumores.

Uma equipe altamente especializada é fundamental para o tratamento de pacientes com câncer, dentre eles estão os farmacêuticos oncológicos. Além de exercerem funções inerentes à especialidade, cabe os farmacêuticos oncológicos a interação com médicos, nutricionistas, enfermeiros e psicólogos para um cuidado integral.

A farmacêutica e diretora técnica Rocio Cristina do Rosário, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), explica que o profissional de farmácia oncológica tem que ser um profundo conhecedor das drogas existentes e dos diferentes tipos de terapias. “É de responsabilidade dos farmacêuticos a orientação aos pacientes quanto aos medicamentos prescritos para o seu tratamento, bem como a preparação e dispensação de todas as medicações antineoplásicas administradas (quimioterápicos, biológicos, hormonais). São responsáveis também pela análise técnica da prescrição médica quanto às interações, estabilidades e dosagens dos medicamentos, interagindo diariamente com o médico prescritor”, aponta. O IOP possui uma área classificada com ISO 5 e duas capelas para preparação dos quimioterápicos, sendo de exclusividade do farmacêutico a manipulação. A área apresenta temperatura, pressão e umidade em conformidade com as exigências da legislação vigente.

Pesquisa clínica

Seguir todas as orientações feitas pelo médico durante o tratamento é uma das necessidades que se tem para um aumento nas chances de cura ou melhora da condição de saúde do paciente. Mas para se chegar até esse momento, o medicamento utilizado nesse processo passou por muitas fases de estudos, que definiram desde a dose a ser utilizada até mesmo a duração do tratamento, efeitos colaterais, sua eficácia e segurança. É exatamente essa a contribuição da pesquisa clínica e nela também estão inseridos os profissionais de farmácia.

“A pesquisa clínica é fundamental para a geração de conhecimento e para a proposição de novas abordagens terapêuticas. Aqui, no Centro de Pesquisas Clínicas do IOP, atuamos na avaliação e definição de protocolos de tratamentos inovadores ainda não disponíveis no Brasil”, cita a farmacêutica Mayara de Souza, coordenadora de Estudos Clínicos.

O profissional farmacêutico é essencial em várias atividades dentro da pesquisa clínica, com atuação dentro dos centros de pesquisas, em indústrias farmacêuticas, laboratórios e organizações de pesquisa. No Centro de Pesquisas Clínicas do IOP, o profissional desempenha atividades-chave na garantia da segurança na condução do estudo, sendo responsável pelo controle de todo fluxo relacionado aos produtos investigacionais, maneira em que os medicamentos ainda em desenvolvimento são referidos dentro do contexto da pesquisa clínica bem como o cuidado e acompanhamento dos pacientes que participam do estudo clínico.

Para atuação dentro de centros de pesquisas, o profissional farmacêutico precisa ter formação clínica, familiaridade com termos médicos e tratamentos já aprovados para a área terapêutica do estudo. Especificamente em estudos na área de oncologia, o profissional deve ter preferencialmente formação oncológica, aliada à formação em pesquisa clínica como a certificação de Boas Práticas Clinicas. O domínio do idioma Inglês é essencial, uma vez que essa língua é a escolhida como universal dentro da pesquisa clínica.

“Como farmacêutica, é recompensador trabalhar nessa área, sendo uma realização profissional. Contribuir tão de perto no processo de aprovação de novos tratamentos, que podem mudar a vida de pacientes oncológicos, me motiva e enche de orgulho”, destaca Mayara.