Biologia do HPV no Carcinoma Espinocelular de Cabeça e Pescoço

26 de setembro de 2016

Especialista aborda a “Biologia do HPV no Carcinoma Espinocelular de Cabeça e Pescoço”

O Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) realizou na quinta-feira, dia 22, palestra com a farmacóloga bioquímica e molecular Maria Jimena Amaya, que falou sobre a “Biologia do HPV no Carcinoma Espinocelular de Cabeça e Pescoço”. A especialista discorreu sobre a Caracterização biológica do HPV; Mecanismo de carcinogênese pelo HPV em CCP (papel de E6 e E7); Mecanismos de integração viral; Alterações genéticas comuns em tumores HPV+ e -; p16 e outros biomarcadores associados; Implicações clínicas e correlações clinico-patológicas e Estudos de deintensificação de tratamento em tumores HPV+.

O carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço (CECCP) começa como um conjunto de células escamosas anormais. Dá-se a essa forma inicial do carcinoma de células escamosas o nome de carcinoma in situ, ou seja, o câncer só está presente nas células da camada de revestimento, chamada de epitélio. O carcinoma espinocelular invasivo significa que as células do câncer penetraram em camadas mais profundas da cavidade bucal e da orofaringe.

No Brasil, são estimados para este ano cerca de 11.140 novos casos de câncer de cavidade oral em homens e 4.350 em mulheres. Em geral, os locais mais frequentemente acometidos são a boca e a língua (26%) e o lábio (23%), principalmente o inferior. São também encontrados no soalho da boca (16%) e nas glândulas salivares menores (16%), podendo ser encontrados também nas gengivas. Atualmente, mais de 95% dos tumores de cabeça e pescoço são de células escamosas e que resultam do acúmulo de alterações genéticas e epigenéticas, que são aceleradas pela exposição a estímulos como o tabagismo, alcoolismo e o Vírus do Papiloma Humano (HPV).

Maria Jimena explica que a família do HPV é constituída de vírus pequenos que contêm o DNA circulante de fita dupla e que existem mais de 150 subtipos, classificados em subgrupos. O HPV16 é o mais frequentemente encontrado no câncer de cabeça e pescoço, e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o que mais causa câncer de orofaringe. A razão disso é que região (da orofaringe) é de fácil acesso para o vírus, por conter tecido (epitélio) com invaginações – o vírus infecta as invaginações da membrana basal. Além disso, o epitélio é associado ao tecido linfoide, que produz citocinas, que ajudam a replicar o vírus. A especialista salienta também que as mulheres têm mais capacidade de eliminar o vírus do HPV do que os homens.

HPV – VACINA

“A vacina contra o HPV nas meninas é para a prevenção do colo uterino, mas também atua contra o câncer de cabeça e pescoço e tem um papel importante. São encontrados dois tipos de vacinas, a Bivalente (E16 e E18) e a Quadrivalente (E16, E18, E 6 e E11). Estão em fase de testes as vacinas terapêuticas, destinadas a pessoas que já estão infectadas com o vírus”, afirma Maria Jimena.