Campanha Julho Verde busca a prevenção do câncer de cabeça e pescoço

28 de julho de 2022

Estimativas apontam para este ano 36.620 novos casos de câncer de cabeça e pescoço.

A Campanha Julho Verde, promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), visa conscientizar a população sobre a importância da prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Estimativas apontam para este ano 36.620 novos casos de câncer de cabeça e pescoço, sendo 19.480 em homens e 17.140 em mulheres. O câncer da boca chega a ser o quinto tumor mais comum no sexo masculino. Nas mulheres, o tipo mais comum é o câncer da tireoide – o quinto mais comum entre elas.

De acordo com a cirurgiã oncológica Paola A. G. Pedruzzi, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, a educação da população e a melhora do estilo de vida é a melhor forma de reduzir o risco de tumores de cabeça e pescoço. É fundamental a adoção de hábitos saudáveis relacionados à alimentação e atividade/exercícios físicos, redução do peso, assim como evitar o consumo de álcool e tabaco.

Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e a cura do câncer. “No estágio inicial, a chance de cura é maior do que 90%”, cita Paola Pedruzzi. Em aproximadamente 60% dos casos o paciente apresenta doença em estágio avançado ao diagnóstico, o que causa sequelas funcionais e estéticas, algumas vezes resultando em comprometimento da fala, deglutição e alterações estéticas, com impacto na qualidade de vida durante e após o tratamento. Quando diagnosticado precocemente as sequelas são muito pequenas e atualmente a reabilitação, tanto na doença precoce ou avançada, permite a melhor readequação do paciente às suas atividades habituais.

Redução do risco de câncer
“Os sinais de alerta são manchas brancas ou avermelhadas na boca, feridas ou lesões que não cicatrizam em 7 a 14 dias, nódulos no pescoço, mudança na voz e rouquidão, dificuldade para engolir, emagrecimento, mau hálito, entre outros”, aponta a cirurgiã de cabeça e pescoço. Os principais fatores de risco são o cigarro e o álcool. Fumar e beber pode multiplicar em até 20 vezes a possibilidade de uma pessoa ter esse tipo de câncer.

“Atualmente e cada vez mais existem pacientes com câncer da boca que não fumam e não tem o álcool como fator causador da doença. Este fato deve ser um alerta à população de que o câncer da cabeça e pescoço pode ocorrer mesmo sem um fator de risco identificável num primeiro momento. Mesmo na ausência do vírus HPV.”

HPV
A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) tem contribuído sobremaneira com o aumento na incidência dos casos de tumores de cabeça e pescoço, principalmente na região da orofaringe (base da língua, amígdalas, parte lateral e posterior da garganta).

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão infectados com HPV e, em 38,4% deles, tratam-se dos subtipos de alto risco, associados a alguns tipos de câncer, como o de cabeça e pescoço. O HPV é uma das causas do tumor de cabeça e pescoço, principalmente em pacientes jovens de 40 e 50 anos que não fazem uso de tabaco e álcool.

Vale lembrar que a rede pública de saúde, via SUS, oferece à população brasileira a vacina do HPV para meninas de 9 a 15 anos e para meninos de 11 a 14 anos nos postos de saúde. Ela combate os quatro tipos de vírus (6, 11, 16 e 18) do HPV. “A vacinação é muito importante na redução do risco desses tumores”, destaca a cirurgiã de cabeça e pescoço.

Tratamento
O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, podendo, nos casos mais avançados necessitar uma combinação entre eles, depende do local e do estágio da doença. Além das terapias tradicionais, nos últimos anos, drogas novas têm conseguido melhorar o prognóstico dos pacientes, com uma ação mais eficiente e menos agressiva ao organismo, como as imunoterapias e terapias-alvo.

A Oncologia Integrativa vem como uma aliada no alívio dos sintomas, das sequelas da doença e dos efeitos colaterais dos tratamentos, buscando uma melhor saúde para o paciente e o melhor enfrentamento da doença. “Um paciente saudável com câncer é muito melhor do que um paciente não saudável com câncer”, finaliza a médica.