Câncer colorretal, um dos mais prevalentes no Brasil. Como mudar esta realidade?

13 de maio de 2022

O câncer colorretal está entre os mais prevalentes em todo o mundo e entre os que registram maior número de mortes. No Brasil, com exceção dos tumores de pele não melanoma, é o segundo mais frequente. Nas mulheres, fica atrás apenas do câncer de mama; nos homens, atrás do câncer de próstata.

 

Nas últimas décadas, o índice de mortalidade pela doença em nosso país vem sendo reduzido graças a novas medicações para o tratamento da doença avançada e ações de conscientização sobre a importância da prevenção e da realização da colonoscopia para diagnóstico precoce. Ainda assim o câncer colorretal é o terceiro tipo de tumor que mais mata no Brasil.

 

Em geral, o câncer colorretal se desenvolve a partir de pólipos (adenomas), lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Mas isso não significa que todos os pólipos viram tumores. Quanto mais cedo for detectado e tratado, maior é a chance de cura. A colonoscopia é o método padrão para o diagnóstico. Quando são encontrados tecidos anormais e suspeitos, como os pólipos, é feita uma biópsia, que indicará a existência ou não do câncer.

 

Atualmente, a recomendação é iniciar a realização de colonoscopia regularmente a partir dos 50 anos, mas há muito debate se essa idade deveria ser antecipada para os 45 anos. Quem tem parentes de primeiro grau com tumores desse tipo, doenças intestinais inflamatórias ou é portador de síndromes hereditárias deve começar a fazer a colonoscopia mais precocemente ainda.

 

Tratamento

 

Uma vez confirmado o câncer, outros exames, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, são realizados a fim de identificar a localização exata do tumor, o tamanho e se ele está localizado ou já se espalhou para outras partes do corpo (metástases).

 

Os tumores em estágio mais inicial geralmente são localizados e tratados com cirurgia, seguida ou não de quimioterapia. Durante o procedimento cirúrgico são retirados o tumor e os tecidos adjacentes, com margens de segurança para garantir que não fiquem células doentes residuais, e linfonodos vizinhos para verificar se a doença começou a se espalhar. As cirurgias podem ser abertas, laparoscópicas ou até mesmo robóticas. Na grande maioria dos casos, a intervenção cirúrgica cura totalmente a doença.

 

Quando o tumor obstrui o fluxo das fezes, perfura o intestino ou mesmo em situações em que a estratégia terapêutica indica, é feito um desvio do caminho intestinal com uma bolsa de colostomia. O uso pode ser temporário, quando é possível fazer a religação das partes sadias depois da intervenção cirúrgica, ou permanente.

 

O quadro se torna mais delicado quando há metástases, ou seja, as células doentes já se espalharam para outras partes do corpo. Em 50% desses casos, afetam o fígado, e em até 30%, os pulmões. Nesses casos, o objetivo terapêutico se volta para o controle da doença no corpo de forma global, sendo a quimioterapia o tratamento padrão. Desde os anos 2000, medicamentos de terapia-alvo também têm sido usados no combate dos tumores colorretais avançados, aumentando a expectativa de vida dos pacientes.

 

Merece destaque, ainda, o desenvolvimento de painéis genéticos, com a realização de exames que indicam quais pacientes têm determinadas marcações moleculares que os tornam candidatos ao uso de imunoterapia, medicamentos imunobiológicos que estimulam o próprio sistema imunológico a combater o câncer. Do total de portadores da doença, aproximadamente 5% são beneficiados com essa tecnologia. No caso de câncer associado à influência hereditária/genética, esse índice chega a 15%.

 

Prevenção

 

O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer colorretal é ter um familiar afetado pela doença. Quanto mais próximo for esse parente, maior é o risco. Mas esses tumores estão associados também a fatores controláveis como obesidade, sedentarismo, dieta inadequada e tabagismo, riscos que podem ser revertidos com mudanças de hábitos e estilo de vida. O consumo de frios e embutidos, por exemplo, deve ser evitado. Outro item perigoso é a dieta rica em gordura.

 

Além de eliminar riscos na alimentação, também é importante investir em uma dieta protetora, baseada no consumo de frutas e vegetais, que fornecem mais vitaminas ao organismo, e de fibras, que ajudam a motilidade do intestino e eliminação de substâncias nocivas que podem ficar grudadas na parede interna do órgão.

 

Parar de fumar, controlar o peso e incorporar a atividade física à rotina são outras recomendações importantes. Estudos recentes apontam que a redução de peso, combinada com a prática de exercícios físicos, têm impactos mais significativos na prevenção do câncer colorretal do que a própria dieta alimentar.

 

A oncologia tem avançado nos conhecimentos sobre a doença e no desenvolvimento de novas formas de tratamento dos tumores colorretais nos últimos anos. Mas é fundamental ampliar outra frente de esforços: falar abertamente sobre esse tipo câncer tão frequente e conscientizar as pessoas para que façam a sua parte no combate a essa doença, usando as armas que estão ao alcance, ou seja, a prevenção e os exames para diagnóstico precoce.

 

_Gustavo Vasili Lucas, oncologista clínico do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP._

Tags