Estilo de vida saudável ajuda a prevenir o câncer de pâncreas

10 de junho de 2020

Para se manter a saúde do pâncreas vale apostar em um estilo de vida saudável

 

Você sabia que o pâncreas é uma glândula do corpo humano responsável pela produção de hormônios e enzimas digestivas? Exercendo uma dupla função, o órgão faz parte tanto do sistema endócrino quanto digestório. Com aproximadamente 20 cm e cerca de 110 g, localiza-se no abdômen, em uma região atrás do estômago, entre o duodeno e o baço. Se imaginarmos o corpo humano e nos fixarmos na “barriga”, bem no meio, escondidinho, está o pâncreas.

 

O câncer de pâncreas não tem uma alta incidência, ou seja, não é muito frequente, porém é muito letal. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse tipo de tumor afeta 2% da população brasileira, sendo responsável por 4% do total de mortes causadas pela doença. É mais comum em pessoas acima dos 60 anos, com incidência maior em homens. Esse tipo de câncer não apresenta sintomas específicos e por vezes quando procurada ajuda de especialistas, pode vir a ocorrer o diagnóstico tardio, com o tumor já em estado avançado e com metástases.

 

“Entre os sintomas mais comuns para o câncer de pâncreas estão a icterícia (cor amarelada da pele e olhos), dor abdominal, anemia e perda de peso e de apetite. Mas a pessoa pode sentir também náusea, vômito, sensação de indigestão, urina escura”, cita o cirurgião oncológico Andrea Petruzziello, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP.

 

Associado aos fatores de risco que aumentam as chances de desenvolver a doença está o tabagismo, que pode aumentar em três vezes a probabilidade de se ter a doença. Outros fatores que podem elevar a propensão ao tumor são a obesidade (pode aumentar em 20% o risco), a diabetes, a pancreatite crônica e histórico familiar da doença. “As Síndromes familiais, que são mutações genéticas hereditárias, respondem por até 10% dos casos de câncer de pâncreas”, aponta Dr. Petruzziello.


Prevenção
Para se manter a saúde do pâncreas vale apostar em um estilo de vida saudável, evitando os fatores de risco. Ter uma rotina de prática de exercícios físicos, como, por exemplo, 150 minutos de atividades na semana, ou seja, 30 minutos por dia durante 5 dias, alimentação balanceada (frutas, legumes, verduras, proteínas), moderação no consumo de bebidas alcoólicas e, principalmente, evitar o tabagismo – cigarros, charutos, cigarros eletrônicos, narguilé, entre outros.

 

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico pode ser feito pelo exame de sangue, que ajuda a detectar, em 80% dos casos, a elevação do marcador tumoral chamado CA19.9. Mesmo não sendo específico para o câncer de pâncreas, esse marcador pode indicar a presença de doenças benignas ou de tumores localizados em outros órgãos. Havendo suspeita de câncer de pâncreas, a recomendação é prosseguir a investigação com outros exames, como tomografia e ressonância magnética. A ultrassonografia endoscópica, um tipo especial de ecografia, ajuda na obtenção de uma amostra do pâncreas, a chamada biópsia, que pode confirmar a presença de um câncer. Em caso de necessidade um outro procedimento, a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada, permite a desobstrução do canal da bile, aliviando a icterícia, o chamado “amarelão”.

 


“Todos estes exames guiam a decisão da equipe de oncologistas quanto ao tratamento mais adequado. Pode ser indicada uma cirurgia imediata ou pode ser realizado um tratamento pré-operatório, chamado neoadjuvante, com quimioterapia ou radioterapia. Esta estratégia visa a diminuição do tamanho do tumor antes da cirurgia. O tratamento do câncer de pâncreas é complexo e exige uma equipe multidisciplinar especializada e experiente”, destaca o especialista.