Câncer de pênis pode levar a danos permanentes

22 de novembro de 2022

O câncer de pênis representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem

O câncer de pênis é um câncer raro que afeta principalmente a mucosa do pênis e o prepúcio (a pele que recobre a glande e a haste peniana). Tem maior incidência em homens a partir dos 50 anos, embora possa atingir também os mais jovens. O principal fator de risco associado a esta neoplasia é a má higiene. No Brasil, esse tipo de tumor representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem, sendo mais frequente nas regiões Norte e Nordeste.

“Os tumores de pênis diagnosticados nas fases iniciais podem ser tratados com técnicas conhecidas como ‘poupadoras de órgão’. São tratamentos ablativos (que destroem a lesão) e cirurgias parciais que removem apenas os tumores e preservam o pênis”, aponta o uro-oncologista Jonatas Luiz Pereira, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP.

No entanto, os casos de câncer de pênis diagnosticados mais tardiamente podem levar a cirurgias com mais comorbidades e que podem causar danos permanentes. A penectomia total, por exemplo, é uma cirurgia que leva a amputação do pênis.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia – SBU, apontam que o número de amputações de pênis no Brasil cresceu 1.604% em 14 anos. Uma das causas para esta estatística alarmante é a desinformação sobre a doença.

Fatores de risco

Cerca de metade de todos os cânceres penianos estão relacionados ao vírus HPV – o papilomavírus humano. O HPV é transmitido por meio de relações sexuais desprotegidas, por isso, é importante a conscientização sobre o uso de preservativos, inclusive durante a prática de sexo oral.

“Entre os fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença, o principal é a falta de higiene íntima. Além disso, portadores de fimose (estreitamento do prepúcio) que impede a exposição da glande; o não uso de preservativos e o comportamento sexual de risco também são fatores importantes”, destaca Dr. Jônatas Luiz Pereira.

Vale salientar que o tabagismo também aumenta o risco de desenvolvimento da doença. Caso o fumante seja portador do vírus do HPV, o potencial se torna ainda maior.

Sinais e sintomas

Para reconhecer os sinais é preciso observar o que se segue:

. Alterações na pele e mucosas;
. Nódulo ou inchaço no pênis, glande ou prepúcio;
. Feridas que não cicatrizam;
. Endurecimento ou espessamento da pele;
. Sangramento do pênis ou sob o prepúcio.

O aparecimento de nódulos na virilha também deve ser investigado, principalmente quando associados ao cansaço e à perda de peso.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do câncer de pênis é habitualmente feito pelo urologista a partir da avaliação dos sinais e sintomas descritos pelo homem. Se necessário, pode ser solicitada a realização de uma biópsia. Exames de imagem também podem ser indicados, como ressonância magnética, tomografia computadorizada e ultrassom.

O tratamento do câncer de pênis é individualizado e vai depender de uma série de fatores, como, por exemplo, extensão, local do tumor e comprometimento dos gânglios inguinais (ínguas). O uro-oncologista Jônatas Luiz Pereira cita também que fazem parte da primeira linha de tratamento a cirurgia seguida de radioterapia e quimioterapia. “São opções com uso individual ou combinado. Vale salientar que o estágio em que a doença é descoberta também influencia na tomada de decisão.”