Agende uma consulta

Cirurgiã oncológica do IOP presidirá congresso internacional de ginecologia em Nova York

O evento é considerado o mais importante de tumores ginecológicos do mundo

A cidade de Nova York, Estados Unidos, sediará o Encontro Global Anual da International Gynecologic Cancer Society – IGSC 2022 – Annual Global Meeting, de 29 de setembro a 1º de outubro, considerado o congresso mais importante de tumores ginecológicos do mundo. A presidente do congresso mundial será a cirurgiã oncológica Audrey Tsunoda, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP. Seguindo a tradição de edições anteriores, o IGCS 2022 vai abordar assuntos como avanços clínicos, desenvolvimento em cuidados internacionais, prática e tratamento para a pesquisa do câncer ginecológico.

Acompanhe a seguir a entrevista com Dra. Audrey Tsunoda, que antecipa algumas novidades que serão tema no evento internacional.

Como é a atuação da Sociedade Internacional de Câncer Ginecológico (IGCS)?

Desde 1985, a International Gynecologic Cancer Society (IGCS) vem unindo o mundo na luta contra o câncer ginecológico, contribuindo para a prevenção, tratamento e estudo do câncer ginecológico, bem como a melhoria da qualidade de vida das mulheres que sofrem de câncer ginecológico em todo o mundo. A missão da IGCS é melhorar o atendimento de mulheres com câncer ginecológico em todo o mundo por meio de educação e treinamento e conscientização pública. 

Foi uma surpresa seu nome ter sido escolhido para a presidência do congresso mundial?

Esta oportunidade veio através do presidente atual do IGCS, Dr. Robert Coleman. Trabalhamos previamente em alguns projetos voltados à educação e ao empoderamento de médicos do Brasil e da América Latina. Este momento é único para que possamos aumentar a representatividade da nossa comunidade científica, que tem produzido excelentes resultados em termos de pesquisa, ensino e assistência de qualidade. Temos bastante a aprender e muito a ensinar. Foi uma grande honra ter sido indicada para esta posição. E tem sido um enorme aprendizado junto aos líderes mundiais na prevenção, no diagnóstico e no tratamento dos tumores ginecológicos.

Como se deu a escolha de temas do congresso?

Criamos um eixo de temas principais nos tumores mais frequentes da mulher no mundo: câncer de endométrio, colo uterino, endométrio e ovário. Convidamos sociedades parceiras como a Sociedade Americana de Anatomia Patológica, a Sociedade Internacional de Doenças Trofoblásticas, o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), dentre outros. Adicionamos as inovações e as pesquisas de ponta em termos de cirurgia, medicamentos e rádio-oncologia. Recebemos mais de 800 trabalhos científicos a serem apresentados no evento.

Quais são as novidades em termos de avanços clínicos que o congresso irá trazer?

Teremos a apresentação dos resultados de pesquisas personalizadas, que são a porta para eliminar o câncer ginecológico. Outra novidade que vamos mostrar será o uso de novas tecnologias em cirurgias, avanços na avaliação de qualidade e foco nos resultados.

Pode traçar um panorama sobre o câncer ginecológico do Brasil em comparação com o mundial?

O Brasil é um grande painel formado por diferentes realidades. Há vários locais onde há constante falta de recursos, frequentes atrasos na realização de exames e problemas na oferta dos tratamentos. Por outro lado, temos centros de excelência, comparáveis ou até mesmo melhores aos mais famosos no mundo. Quanto à frequência dos tumores ginecológicos, ainda temos muito a melhorar em algumas áreas. Como, por exemplo, estamos atrasados em termos de prevenção do câncer de colo de útero, com cobertura insuficiente de vacinação, dos exames periódicos e nos tratamentos preventivos. Alguns avanços foram notáveis na última década, como a qualidade dos novos centros de tratamento de tumores que demandam alta complexidade multidisciplinar, como o câncer de ovário e as cirurgias minimamente invasivas.

Neste contexto, participo de uma força tarefa internacional de combate ao câncer onde pesquisadores de 23 países discutem iniciativas que favoreçam a oferta das melhores modalidades de tratamento de forma segura, acessível e sustentável. Neste grupo temos também iniciativas para mitigar os impactos da pandemia no diagnóstico das pessoas com câncer e no desenvolvimento de ferramentas e dados que melhorem as políticas públicas de saúde.

Muito se fala que estamos na era molecular. É possível o manejo do câncer de endométrio usando a biologia molecular?

Sim, o manejo do câncer de endométrio pode se beneficiar de informações sobre o perfil molecular. Isso permite melhorar a sequência e a extensão dos tratamentos. Inclusive, no congresso mundial, teremos uma sessão dedicada aos tumores de útero e os avanços nos tratamentos deste que é o tumor ginecológico mais frequente dos países desenvolvidos.

É possível a preservação da fertilidade mesmo diante de um câncer cervical?

É possível preservar a fertilidade frente a um câncer de colo uterino, ao de endométrio e também ao de ovário. Importante que tenham sido detectados em estágios iniciais e por equipe especializada.

Preservar a fertilidade não dificulta, nem piora o futuro das mulheres com câncer ginecológico.

E quanto às novas técnicas cirúrgicas usadas para o tratamento dos tumores ginecológicos. Quais as novidades na área?

Assim como a cada ano os celulares ficam mais avançados, os recursos tecnológicos da cirurgia avançam a cada ano. Instrumentos que aumentam a segurança, grampeadores cada vez mais eficientes, sistemas de câmeras de altíssima definição, etc. Avanços em termos de equipamentos, como o uso cada vez mais frequente do corante verde de indocianina; cirurgia robô assistida e novas plataformas robóticas. Várias novidades neste ano e perspectivas excelentes para os que virão.

Haverá no evento um momento destinado para Sessão Cirúrgica, abordando complicações, que terá apresentação de um outro médico do corpo clínico do IOP, Dr. Reitan Ribeiro. Com isso, podemos atestar o alto nível dos profissionais da casa em benefício dos pacientes?

Sim. Convidamos o Dr. Reitan a palestrar na sessão de maior destaque do congresso, em função da cirurgia que criou, chamada transposição uterina. 

Esta cirurgia aborda principalmente a chance da mulher jovem que deseja preservar a função do útero e dos ovários, mas que necessita de tratamento com radioterapia pélvica. Nestes casos, de alguns tumores ginecológicos, urinários, intestinais ou de tecidos pélvicos, é possível colocar o útero e os ovários na altura do estômago, durante o período da radioterapia, e depois retorná-los para a posição original. Há três bebês no mundo gerados a partir desta técnica, com possibilidade de favorecer ainda mais mulheres.

Primeira mulher presidente do congresso mundial e brasileira. O que isso representa?

Sou a primeira mulher presidente do congresso mundial e represento o Brasil e as Américas na maior sociedade de câncer ginecológico da atualidade, a IGCS. Sinto-me muito feliz e honrada com a oportunidade de levar a experiência e o conhecimento do nosso país para que a comunidade internacional compreenda quem somos e qual nosso potencial. Hoje somos líderes em algumas modalidades de tratamento, como cirurgias avançadas, e queremos contribuir ainda mais para o desenvolvimento de novas tecnologias a serviço das mulheres do mundo.

Tags

O IOP utiliza cookies e tecnologias semelhantes que nos ajudam a fornecer melhor experiência e navegação. Ao clicar no botão “Concordar” ou continuar a navegar em nosso site, você está ciente e concorda com o uso de cookies.