Cirurgião Oncológico: desafios são grandes e diários, mas recompensadores

16 de julho de 2021

Cirurgião Oncológico: desafios são grandes e diários, mas recompensadores

Em 17 de julho comemora-se o Dia do Cirurgião Oncológico. A formalização da data se deu pela Resolução nº 2.162, do Conselho Federal de Medicina (CFM), que reconheceu, em 17 de julho de 2017, tanto a Oncologia Clínica como a Cirurgia Oncológica como especialidades médicas.
A cirurgia oncológica é uma especialidade fundamental, exercida por profissionais que, para obter este título, passaram pela formação de, no mínimo, 11 anos. São seis anos de faculdade, dois de cirurgia geral e mais três anos de cirurgia oncológica. Essa longa preparação assegura ao médico cirurgião não somente qualificação para conduzir as cirurgias, mas também para dominar a complexidade da oncologia.

Com 29 anos de experiência, acumulando vasto conhecimento de técnicas cirúrgicas e tratamento global do câncer, Dr. Luiz Antonio Negrão Dias, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, decidiu pela profissão de médico ainda criança, em Andirá, no Paraná. A opção pela oncologia veio no terceiro semestre da faculdade, ao iniciar estágio acadêmico voluntário no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba – o local tinha a maior parte das atividades cirúrgicas. “Foi nesse momento que me apaixonei pela cirurgia e pela oncologia e descobri que era o que eu realmente gostava e iria fazer”, destaca o cirurgião oncológico.

Cirurgia: 80% dos pacientes vão precisar dela
Dados apontam que cerca de 80% dos pacientes com câncer precisam ou vão precisar de cirurgia em alguma fase de seu tratamento. Dr. Luiz Antonio destaca a evolução da cirurgia oncológica: “Todas as áreas da oncologia tiveram grandes evoluções, a oncologia clínica – com novas drogas e novas formas de terapias moleculares com grande desenvolvimento da biologia molecular entendendo melhor o comportamento dos tumores –, a radioterapia – com técnicas com maior precisão e alta tecnologia agregada no planejamento –, o diagnóstico – com exames de imagem cada vez mais precisos e rápidos – e os cuidados paliativos e controle da dor – que cada dia mais ocupam espaço. E a cirurgia também avançou. Antigamente essas cirurgias eram mais agressivas, amplas, a radicalidade era o foco, trazendo, como consequência, muitas sequelas e complicações. Hoje o foco é manter a radicalidade oncológica necessária, com as margens de segurança adequadas, porém com cirurgia minimamente invasiva, eu diria: adequadamente invasiva. A cirurgia ficou mais personalizada a partir do momento em que temos dados biológicos do tumor, com isso, é possível diminuir a agressão cirúrgica”.
Dr. Luiz Antonio também ressalta que muito das conquistas concretizadas na área da cirurgia se deve à melhoria das condições de cuidados de Anestesia, à Terapia Intensiva no pós-operatório e ao desenvolvimento de vários materiais com alta tecnologia usados para reduzir a agressão cirúrgica nos tecidos, desde um grampeador que realiza suturas até o uso de sistema robótico para as operações.

Desafios diários na rotina de trabalho
Os desafios são imensos, “é como matar um leão por dia”, diz o cirurgião oncológico, “ainda mais quando se trata de uma doença grave, com risco de morte pelo tratamento ou pela doença, em pacientes muitas vezes idosos, com várias comorbidades, e ainda considerando as limitações financeiras para uso de tecnologias muitas vezes importadas e de alto custo, com hospitais lotados e dificuldade de leitos de UTI, principalmente durante a pandemia da Covid-19. Se o desafio já era grande, agora ficou ainda maior”.

A cirurgia oncológica representa uma das ferramentas mais importantes no tratamento do câncer, sendo considerada um dos seus pilares. “É o tratamento que mais promove cura nos tumores e alguns tipos de câncer somente são possíveis de cura pela sua execução. Cada dia mais os cirurgiões têm se especializado na cirurgia oncológica, que ocupa hoje seu espaço indubitável entre as especialidades médicas, assim como cresce o número de cirurgiões”, cita.

Mais do que habilidades, é preciso também bom senso
“É consenso entre os cirurgiões as habilidades que um grande cirurgião deve ter: Coração de Leão, Olhos de Águia e Mãos de Fada. Isso é real e necessário”, a isso Dr. Luiz Antonio acrescenta ainda o Bom Senso, que, segundo ele, “é muito necessário para uma tomada de decisão rápida”.

Mensagem aos jovens cirurgiões oncológicos
Referência em sua área de atuação, Negrão Dias é uma inspiração para médicos residentes em cirurgia e também para cirurgiões que estão iniciando na especialidade. Por isso, o médico deixa um recado a quem é interessado na área: “Acreditem na Cirurgia Oncológica como especialidade. Não meçam esforços para refinar sua formação e tenham a certeza de que serão muito satisfeitos, realizados profissionalmente e certamente farão a diferença para muitas pessoas e famílias colaborando para um mundo melhor”.