Como identificar os sintomas de câncer de bexiga

9 de julho de 2021

Como identificar os sintomas de câncer de bexiga
Ligue o sinal de alerta ao perceber a presença de sangue visível na urina, pois este pode ser um sinal do câncer de bexiga. A doença também pode causar alteração do padrão miccional, como aumento da frequência, necessidade de urinar com urgência, dor ou queimação ao urinar. Em casos avançados, a pessoa pode sentir dor e apresentar emagrecimento.
O câncer de bexiga está em 7º lugar no Brasil dentre os tipos de tumores mais comuns na população. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam, para cada ano do triênio 2020-2022, 7.590 casos em homens e 3.050 em mulheres, ou seja, correspondem a um risco estimado de 7,23 casos novos a cada 100 mil homens e 2,80 para cada 100 mil mulheres.

Prevenção ao alcance de todos
Parar de fumar é uma das formas de prevenção. Ingerir líquido em grande quantidade (a recomendação é consumir pelo menos 2 litros de água ao dia), adotar uma dieta rica em vegetais e evitar exposição a produtos carcinogênicos, (aminas aromáticas) e ao tabagismo passivo são meios de prevenir o câncer de bexiga.

Fatores de risco
De acordo com o uro-oncologista Jônatas Luiz Pereira, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, o tabagismo é o principal fator de risco do câncer de bexiga. “Estima-se que o hábito de fumar seja responsável por mais de 50-70% dos tumores vesicais. No cigarro e na sua fumaça, há aproximadamente 7 mil substâncias químicas. Muitas delas têm ação carcinogênica, ou seja, podem levar ao aparecimento de tumores.
A idade é também considerada um fator de risco. Mais de 70% dos tumores são diagnosticados após os 65 anos e a idade mediana do diagnóstico é de 73 anos. A maior incidência ocorre em homens, numa proporção de três a quatro vezes maior do que em mulheres. “Outro fator diz respeito à raça. Pessoas brancas têm aproximadamente duas vezes mais risco de desenvolver a doença do que pessoas negras”, aponta o uro-oncologista.
Os compostos químicos chamados de aminas aromáticas favorecem o aparecimento do câncer de bexiga em trabalhadores de alguns setores da indústria como na produção de tintas, corantes e borracha. Cabeleireiros também devem seguir regras de segurança evitando a exposição a produtos químicos presentes em corantes capilares.
Infecções urinárias recorrentes ou problemas crônicos da bexiga como cálculos vesicais (a famosa pedra na bexiga) engrossam a lista dos fatores de risco.
A Síndrome de Lynch, doença hereditária considerada rara, apresenta como característica uma predisposição ao aparecimento do tumor urotelial (o tipo mais comumente presente na bexiga), além de ovário, endométrio e testículos. Já existem exames moleculares que podem pesquisar a presença da síndrome à disposição da população.

Tipos de tumor
. Carcinoma urotelial: é o tipo mais frequente de câncer de bexiga. Ele se origina nas células uroteliais que compõem a mucosa que reveste o interior da bexiga. Pode apresentar diferenciação para outro tipo histológico como o espinocelular.
. Carcinoma espinocelular: os tumores puros respondem por 1% a 2% dos cânceres de bexiga.
. Adenocarcinoma: apenas 1% dos cânceres de bexiga são adenocarcinomas e quase todos são invasivos.
. Carcinoma de pequenas células: são menos de 1% dos cânceres de bexiga e começam nas células neuroendócrinas.
. Sarcoma: costumam se iniciar nas células do músculo da bexiga, mas são raros.

Como é o tratamento
“Após o diagnóstico e a definição do estadiamento da doença, o médico discutirá com o paciente e os familiares as opções de tratamento. Dependendo da extensão da doença, o tratamento pode envolver cirurgia – ressecção tumoral ou retirada total da bexiga (cistectomia), terapia intravesical, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. Na maioria dos casos, poderá haver uma combinação desses tratamentos para um resultado mais assertivo”, destaca o Dr. Jônatas.

Cirurgia robótica
A cirurgia robótica é uma opção para o tratamento do câncer de bexiga. Através de pequenas incisões no abdome do paciente, o médico controla instrumentos robóticos que possibilitam a ressecção parcial ou total do órgão.
“Com visão tridimensional e precisão milimétrica de movimentos, é possível retirar o tumor com margem de segurança oncológica e, ao mesmo tempo, preservar pequenos vasos e nervos responsáveis pela funcionalidade do paciente no pós-operatório. Nos casos de cistectomia total é necessária a reconstrução de um conduto com intestino delgado para que a urina produzida pelos rins saia do abdome ou de um reservatório intra-abdominal para o armazenamento da urina. Todas as possibilidades são discutidas com o paciente antes da operação. Dessa forma o médico, o paciente e os familiares tomarão em conjunto a melhor decisão para o caso”, afirma o uro-oncologista.