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Cresce o número de jovens diagnosticados com câncer colorretal no Brasil

Os trabalhos mais recentes sobre a epidemiologia do câncer colorretal mostram que a incidência desta doença nos pacientes mais idosos está se reduzindo progressivamente. No entanto, nos pacientes jovens (adolescentes e adultos de até 40 anos) esta mesma incidência aumentou na última década. Um estudo da Sociedade Americana de Câncer revelou que de cada dez pacientes diagnosticados com essa doença, três têm menos de 55 anos. Especialistas acreditam que o motivo desta transição seja multimodal, ou seja, devido a uma série de fatores importantes a serem colocados.  O primeiro deles é o fato de que não existem, atualmente, critérios bem definidos para o screening (triagem) de doenças malignas colorretais na população mais jovem.

O cirurgião oncológico do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dr. Ronald Kool, explica que outro motivo para o aumento de casos em jovens são os hábitos de vidas atuais. “O sedentarismo, a obesidade, tabagismo e etilismo, Diabetes Melitus tipo II e até mesmo o stress são doenças cujas incidências também aumentaram ao longo das últimas duas décadas e devem ter participação no desenvolvimento de tumores na idade mais jovem. Alguns trabalhos confirmam a relação entre o aumento do Índice de Massa Corpórea (IMC) e o aumento do risco de desenvolvimento do câncer de cólon e mama. Ao mesmo tempo, a atividade física regular parece atuar como fator de proteção para o aparecimento desses tumores. O tabagismo está também associado não somente ao aumento do risco de câncer colorretal mas também ao desenvolvimento de pólipos intestinais que podem se transformar em tumores malignos de cólon no futuro. O etilismo leve ou moderado, mas, principalmente, o etilismo crônico, também aumentam o risco de desenvolvimento da doença. O Diabetes Melitus, conforme as últimas pesquisas publicadas, pode aumentar em até 40% o risco de câncer de cólon.”

O terceiro fator importante a ser mencionado é a questão hereditária e genética envolvida no câncer de colón e reto. Várias mutações e síndromes genéticas estão associadas a esta doença, sendo a Síndrome de Lynch a mais comum, correspondendo a até 5% de todos os casos. A predisposição ao desenvolvimento do câncer aumenta em pacientes cujos familiares, principalmente pais e irmãos, também tiveram o diagnóstico. “As síndromes genéticas, no entanto, são a causa da minoria dos casos, ou seja, a maior parte dos pacientes com câncer colorretal são o que chamamos de casos esporádicos”, aponta o cirurgião oncológico.

 

Mantenha hábitos saudáveis

O British Medical Journal publicou recentemente que o câncer colorretal está diretamente relacionado à alimentação e à obesidade, indicando que cada 5 kg/m² ganhos no Índice de Massa Corporal (IMC) representam um aumento de 9% no risco de desenvolver o tumor, principalmente entre pessoas do sexo masculino. Por essa razão, a melhor orientação é manter hábitos de vida saudáveis.

 

Sintomas e tratamento

Os sintomas da doença em pessoas mais jovens são muito semelhantes aos sintomas dos pacientes mais idosos. Entre eles destacam-se o emagrecimento, perda de apetite, alterações do trânsito e hábito intestinal (constipação ou diarreia), alteração no aspecto e/ou formato das fezes – por exemplo, fezes afiladas, presença de muco –, sangramento e dor abdominal. Os pacientes mais jovens diagnosticados com câncer colorretal têm uma tendência ao desenvolvimento de tumores localmente mais avançados e mais agressivos, causando, portanto, sintomas muitas vezes exuberantes e mais importantes se comparados aos pacientes mais idosos. Isso também se reflete na análise patológica dos tumores, uma vez que as alterações moleculares do câncer colorretal em pacientes jovens são muito diferentes das observadas nos pacientes idosos. Para Dr. Kool, “Tudo isso deve nos levar a considerar e tratar a doença no jovem de forma completamente diferente da doença do idoso, apesar dos sintomas e apresentação semelhantes”.

O tratamento dos pacientes jovens com essa doença é, ainda, exatamente o mesmo dos pacientes com mais idade. Provavelmente, com a identificação das principais alterações moleculares, serão desenvolvidos tratamentos, em especial quimioterapia e imunoterapia, individualizados e diferenciados para esses pacientes. Técnicas diferenciadas de radioterapia ou mesmo cirurgia serão possivelmente alvo de mais estudos no futuro para servir melhor essa população em específico. “Após o tratamento os pacientes devem continuar em acompanhamento estrito e rigoroso, uma vez que a chance de novos tumores, não somente no cólon como em outros locais, é possível. Efeitos colaterais dos procedimentos cirúrgicos, radioterapia e quimioterapia existem e devem ser acompanhados de forma adequada. Vale ressaltar que existe muita preocupação nesta população mais jovem em preservar a fertilidade e o tratamento com quimioterapia e principalmente radioterapia pode afetar em muito este aspecto da vida dos pacientes. Orientação quanto a efeitos da radioterapia, congelação e preservação de espermatozoides e óvulos bem como outras técnicas de contornar os efeitos do tratamento oncológico devem obrigatoriamente fazer parte da abordagem multidisciplinar nesta população”, finaliza Dr. Ronald Kool.

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