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Cuidados com lesões da boca

Cuidados com lesões da boca

A incidência de câncer da boca na região Sul e Sudeste do país é alta. A estimativa de câncer da boca, no ano de 2014, em todo o Brasil, foi de 11.280 casos novos em homens e 4.010 em mulheres, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Esta incidência provavelmente é ainda maior, pois alguns casos não são notificados e registrados.

A localização mais comum destes tumores é a língua e os lábios e mais de 90% dos casos de câncer da boca são carcinomas de células escamosas, cujo fator de risco é o cigarro e o álcool. Outros fatores são a má higiene bucal, o uso de próteses mal adaptadas, algumas doenças como a Anemia de Fanconi e líquen plano, e o vírus HPV (Papilomavírus humano). O vírus HPV está mais relacionado aos tumores da orofaringe (parte atrás da boca), que envolve as amígdalas, a base da língua, etc. Os sinais de alerta incluem áreas vermelhas (eritoplasia) ou brancas (leucoplasia) nas gengivas, língua ou outras partes da boca, nódulos no pescoço, dor ou amolecimento de dentes, dormência da língua, feridas ou aftas que não cicatrizam.

Na região da orofaringe, que envolve principalmente as amígdalas, a parede posterior da faringe, base da língua e palato mole, os sintomas mais importantes são disfagia (dificuldade de engolir), voz “empastada”, emagrecimento, falta de apetite, nódulos no pescoço, rouquidão, dentre outros.

Da mesma forma que na boca, os tumores mais comuns são os carcinomas de células escamosas, porém existem outros tecidos, como o tecido linfoide, que pode desenvolver um tipo de câncer conhecido por Linfoma. Outros tumores possíveis são os tumores de glândulas salivares menores, que acometem estas estruturas localizadas especialmente no palato duro (céu da boca) e mucosa da boca. Entre os tumores dessas glândulas estão os benignos (adenomas) e malignos (carcinomas adenoide císticos e mucoepidermoides, além dos adenocarcinomas).

A boca é um local de fácil acesso ao exame físico e é possível que o próprio paciente reconheça algumas lesões suspeitas ou que necessitem de investigação, o que possibilita o diagnóstico precoce da doença. Para isso o indivíduo, especialmente quem fuma e consome álcool em excesso, deve estar alerta para os sinais já mencionados (ferida que não cicatriza, nódulos no pescoço, emagrecimento,  rouquidão ou outra alteração da voz, amolecimento dos dentes, sangramentos, lesões avermelhadas ou brancas, etc.) e procurar anualmente, ou, até com uma frequência maior, o dentista ou médico, para o exame preventivo da boca.

O autoexame pode ser realizado de forma fácil: na frente do espelho, observando e palpando as estruturas da boca e atrás da língua, e comparando um lado com o outros, pois um lado da boca é simétrico ao lado contralateral.

Infelizmente, a grande maioria dos pacientes só procura atendimento na presença de doença extensa, o que leva à diminuição das chances de cura, tratamentos extensos e muitas vezes a sequelas da doença.

O tabagismo e o etilismo levam ao risco aumentado de outros tumores, pori sso existe a necessidade de investigação e exame não só da boca e orofaringe, mas de outras estruturas como a laringe, esôfago, pulmão e brônquios.

O diagnóstico é feito através da consulta com um especialista, exames de imagem, como, por exemplo, a tomografia, e biópsia.

O tratamento do câncer da boca é cirúrgico e a cirurgia pode envolver a remoção de parte do tecido acometido (como língua) ou tecidos ao redor do tumor, como exemplo parte da mandíbula. Além disso, é realizada a remoção dos linfonodos do pescoço (ínguas), através de cirurgia denominada linfadenectomia cervical, pois podem estar acometidos por tumor.  Atualmente os resultados de reabilitação e recuperação da função dos órgãos, como fala e deglutição, são bons, devido aos avanços na técnica cirúrgica, tais como a utilização de retalho e enxertos que permitem a reconstrução dos tecidos removidos, e também às técnicas mais avançadas da radioterapia.

Os tumores pequenos necessitam, na maior parte das  vezes, apenas cirurgia, incluindo a remoção do tumor e dos gânglios (linfonodos) do pescoço. O tratamento do câncer da boca em estádio mais avançado inclui não só a cirurgia, mas geralmente a utilização de radioterapia e quimioterapia.

Os tumores da orofaringe são tratados com cirurgia ou radioterapia, ou formas combinadas de tratamento, como a radioterapia e quimioterapia. Da mesma forma, o prognóstico é melhor na doença inicial, que muitas vezes é tratada com cirurgia, exclusivamente, ou radioterapia. Já nos tumores extensos, o tratamento preferencial é radioterapia e quimioterapia associados, ou cirurgia seguida de radio e algumas vezes quimioterapia. Também existe a necessidade de tratamento dos linfonodos do pescoço.

O mais importante é ficar atento ao risco de câncer da boca e orofaringe, e, principalmente, estar alerta aos fatores causadores (cigarro e álcool) e formas de manifestação da doença. Vale ressaltar que esses tumores podem acometer pessoas que nunca fumaram e que não usam álcool, devido a fatores já citados. Isto ocorre principalmente em idosos, em especial mulheres, que usam prótese de longa data. É importante remover a prótese e examinar as gengivas em busca de manchas ou feridas.

Por Paola Pedruzzi, oncologista especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço do IOP

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