Estabelecer comunicação entre componentes da equipe e paciente é fundamental para resultado do tratamento oncológico

17 de fevereiro de 2021

Número de sobreviventes do câncer deve aumentar devido ao envelhecimento da população

Dados apontam que o câncer continuará a ser uma das principais doenças que mais causam mortes no Brasil, atrás apenas das cardiovasculares, sendo a primeira posição nos países ricos, de acordo com pesquisas publicadas pela revista médica The Lancet. Os principais tipos de câncer em nosso país são o câncer de pele não melanoma (mais incidente), mama, próstata, colorretal, pulmão e estômago. A estimativa para 2021 é que ocorram 625 mil casos novos de câncer no Brasil.

Novos tratamentos, como a imunoterapia, que faz com que o próprio sistema imune do paciente combata as células doentes, são usados para o tratamento do melanoma, câncer de pulmão, câncer de cabeça e pescoço, hemato-oncológicos. A imunoterapia traz um ganho aos pacientes, que é a maior qualidade de vida e o aumento da sobrevida. A terapia-alvo tem por objetivo atingir e destruir as células comprometidas. A droga-alvo pode ser introduzida no corpo do paciente por via oral (comprimidos) ou ser injetada (intravenosa).

Já é possível fazer uma combinação de imunoterápicos disponíveis para alguns tipos de câncer com a quimioterapia e outras drogas para um tratamento mais assertivo. A oncologista clínica Rosane do Rocio Johnsson, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, traça um panorama sobre incidência, envelhecimento e a importância da comunicação entre médico e paciente.

“O câncer é a principal causa de morte em todo o mundo, com mais de 7 milhões de pessoas morrendo todos os anos devido a esta doença, que se tornou um importante problema de saúde pública tanto nos países desenvolvidos tanto quanto nos em desenvolvimento”, cita a oncologista clínica.

Incidência deve aumentar
Em países de renda média e baixa, as doenças não transmissíveis, incluindo o câncer, estão superando as doenças infecciosas como a principal ameaça à saúde. De acordo com a Declaração Mundial do Câncer, um aumento de 14% em 2020 na incidência de câncer no Brasil e de 28% em 2030. A incidência de câncer deve aumentar de acordo com o crescimento da população brasileira. A variação média das taxas de incidência de câncer por ano foi de 0,060 de 2008 a 2014. Em 2020, o número de novos diagnósticos de câncer foi de 393,8/100.000 indivíduos, em comparação com 289,4/100.000 em 2014. “Outro fator fundamental é que a prevalência do câncer deve crescer porque o número de sobreviventes do câncer deve aumentar, principalmente devido ao envelhecimento da população, detecção precoce do câncer e tratamentos mais eficazes disponíveis para doenças adjuvantes e metastáticas”, aponta a médica.

Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE mostrou que a população brasileira com mais de 65 anos deve passar de 14,9 milhões (7,4% do total) em 2013 para 58,4 milhões (26,7% do total) em 2060. O crescimento de idosos na população também terá impacto na incidência do câncer, trazendo desafios para o Brasil, um país que inicia sua caminhada no envelhecimento de sua população.

Dra. Rosane salienta o fato de que cada paciente tem um histórico e um quadro clínico em particular. “Por isso, precisamos articular e compreender formas diferentes e personalizadas para cada um, respeitando suas condições específicas. Para o tratamento, é necessário considerar não somente o quadro em que se encontra a doença, mas também quais são as características e condições do paciente. É preciso estabelecer uma boa comunicação entre os componentes da equipe e o paciente e isso é essencial para um bom resultado do tratamento. Com isso, o paciente se sente mais tranquilo, participativo e confiante com o tratamento”.

 Confira abaixo os tipos mais frequentes de câncer e a forma de tratamento:

Câncer de pele não melanoma
Incidência: previsão de 177 mil novos casos.
Formas de tratamento: cirurgia, imunoterapia, drogas-alvo, quimioterapia, radioterapia.

Mama
Incidência: 66 mil novos casos.
Formas de tratamento: cirurgia, imunoterapia, drogas-alvo, quimioterapia, hormonioterapia, inibidores de osteólise, radioterapia.

Próstata:
Incidência: 66 mil novos casos.
Formas de tratamento: cirurgia, imunoterapia, drogas-alvo, quimioterapia, hormonioterapia, inibidores de osteólise, radioterapia.

Colorretal
Incidência: previsão de 41 mil novos casos.
Formas de tratamento: cirurgia, imunoterapia, drogas-alvo, quimioterapia, anticorpo monoclonal, radioterapia.

Pulmão
Incidência: são estimados 30 mil novos casos para este ano.
Formas de tratamento: cirurgia, imunoterapia, drogas-alvo, anticorpo monoclonal, quimioterapia, inibidores de osteólise, radioterapia.

Estômago
Incidência: previstos 21 mil casos
Formas de tratamento: cirurgia, imunoterapia, drogas alvo, anticorpo monoclonal, quimioterapia, radioterapia.