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Fevereiro laranja: Mês do combate a leucemia

A campanha Fevereiro Laranja tem como objetivo a conscientização sobre as leucemias que podem atingir pessoas de qualquer idade e que têm o seu início na medula óssea, local onde são fabricadas as células sanguíneas que dão origem às plaquetas, aos glóbulos vermelhos e aos glóbulos brancos. Neste mês também são reforçadas ações sobre a importância da doação de medula óssea. Conheça a história de uma menina que se tornou enfermeira oncológica para ajudar quem passa pelo mesmo processo que um dia ela viveu.

Aos 12 anos, Mayara Nascimento Majevski foi mordida na perna por um cachorro, seus pais observaram que a ferida não cicatrizava – mesmo tomando os cuidados – e logo começaram a surgir manchas roxas na perna. Foi o momento certo para a realização de uma bateria de exames e o resultado foi a confirmação de um diagnóstico inesperado. A menina estava com Leucemia Mieloide Aguda (LMA).

“Era novembro de 2006. A médica conversou comigo, explicou que era uma doença grave (leucemia), que eu precisaria passar por tratamento e que nesse processo perderia os cabelos (longos, na época), teria que me afastar da escola e ficar internada no hospital”, explica Mayara.

Com a fase aguda da doença, ela precisou ficar internada por um mês para tratamento com quimioterapia. “Senti todos os efeitos colaterais do tratamento, perdi os cabelos (antes, já havia cortado e guardado), emagreci e tive mucosite (inflamação da parte interna da boca e da garganta que pode levar a úlceras dolorosas e feridas nessas regiões), na época não havia tratamento a laser e isso me causava muitas dores.” Filha única de seu Januário e dona Tereza, o tratamento quimioterápico precisava dar certo, pois não havia irmãos para fazer doação de medula caso fosse necessário.

A dor física era uma constante, diz ela, principalmente no momento da punção, quando é avaliada a qualidade das veias para que seja administrada a droga. Mas Mayara tinha de lidar também com a dor emocional. “Você se vê e não se reconhece mais, perde totalmente a identidade. Eu tinha 12 anos, mas sentia a necessidade de proteger meus pais. Era muita informação para uma criança e acabei amadurecendo de forma precoce na medida em que fui lidando com tudo isso. Meu objetivo era ficar boa, mas houve momentos em que questionava até que ponto eu conseguiria aguentar”, confessa.

Momento de fé

Foi durante uma missa na época do Natal ocorrida no hospital em que realizava o tratamento que Mayara soube, instintivamente, que tudo ficaria bem. “Para mim, foi um divisor de águas quando o padre abençoou e fez o sinal da cruz na minha testa. Este momento de fé me fez perceber que as coisas começariam a fluir e que tudo daria certo. Nesse mesmo dia, minha família, muito devota de Nossa Senhora Aparecida, fez a promessa de que levaríamos o cabelo cortado e há muito tempo guardado para depositar na Sala de Promessas da Basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo. A fé me moveu na época e continua me movendo até agora. É minha sustentação”, salienta.

O tratamento foi longo e doloroso. Em 2007, veio a remissão: a doença estava sob controle. Contudo, era preciso fazer a manutenção – bateria anual de exames – até 2008, mais o período de vigilância, de cinco anos “perturbadores”, na fala de Mayara, com risco de a doença voltar, “sempre havia muita ansiedade”, atesta ela, que realiza check-up anual até hoje, aos 28 anos, para fazer o controle. E para cuidar do lado emocional, faz terapia, afinal, passou por um processo traumático aos 12 anos e se faz necessário a reflexão e evolução pessoal sobre esse período.

Da ajuda ao ajudar

“Em meu período de internamento, pude sentir a dedicação da equipe de enfermagem no cuidado, zelo, e no carinho demonstrado aos pacientes. Como desde criança gostava de brincar de cuidar das minhas bonecas, pensei em atuar na área da saúde. A opção por trabalhar com pessoas em tratamento oncológico foi de foro íntimo, pois já passei pelo que hoje elas passam, e tento aliviar o sofrimento delas da melhor maneira possível, seja procurando uma boa veia para punção, seja ouvindo-as”, sentencia Mayara.

Graduada em Enfermagem pela instituição Faculdades Pequeno Príncipe e com especialização em Enfermagem Oncológica pela Universidade Positivo, a profissional está no IOP desde 2022. “Aqui, procuro fazer os procedimentos com delicadeza e muito cuidado. Me identifiquei com a instituição por todo esse lado de humanização que apregoa, aliado ao respeito e cuidado integral do paciente”.

A enfermeira destaca a importância da equipe multidisciplinar (psicologia, enfermagem, nutrição, farmácia) no tratamento oncológico: “os pacientes costumam se expressar e é preciso estar atento ao seu falar, ao modo de externarem suas dores e seus medos. Tudo faz parte de um processo até chegar à reta final”.

Entenda sobre a leucemia

“A leucemia é um tipo de câncer que ocorre quando a produção de células sanguíneas, feita na medula óssea, sai do controle, levando a um desequilíbrio entre os glóbulos brancos e vermelhos no sangue”, aponta o hematologista Eduardo Cilião Munhoz, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP e do Mantis Diagnósticos Avançados. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a leucemia atingirá 11.540 brasileiros entre 2023 e 2025. Isso corresponde a 6.250 novos casos entre os homens e 5.290 entre as mulheres.

Existem quatro principais tipos de leucemia, que são:

Leucemia Mieloide Aguda (LMA) – Costuma ocorrer em adultos e crianças, mas a incidência aumenta com o avanço da idade e tem o tempo de evolução curto, de poucas semanas. Para o diagnóstico é necessário verificar se o paciente apresenta alterações, mediante exame de hemograma. Depois se realiza o exame de medula óssea para comprovar o diagnóstico. Também poderão ser solicitados outros exames como o mielograma, realizado por meio de uma punção óssea, imunofenotipagem, para verificar a linhagem celular, a citogenética, que vai analisar os cromossomos, e, em alguns casos, também é realizada a análise molecular. Como o número de células saudáveis cai, a pessoa pode apresentar anemia, infecções e sangramentos. O tratamento consiste em quimioterapia e, em alguns casos, pode ser indicado o transplante de medula óssea.

Leucemia Mieloide Crônica (LMC) – Em geral, a doença é diagnosticada em adultos a partir dos 50 anos. O tempo de evolução é mais longo e às vezes a pessoa fica sem ter conhecimento da doença por meses ou até mesmo anos. Como em muitos casos é assintomática, o paciente só descobrirá quando realizar um exame de rotina. No entanto, quando a pessoa perde peso sem explicação ou apresenta algum sintoma de anemia, é possível realizar hemograma para verificar se existe alguma alteração. Poderá ser solicitado o mielograma, imunofenotipagem, citogenética, análise molecular e exame de medula óssea. O tratamento consiste em quimioterapia oral e, em casos mais graves, é indicado o transplante de medula óssea.

Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) – É comum na infância e apresenta cerca de 80% de cura nessa fase da vida. Afeta as células linfoides e evolui de maneira rápida. Alguns adultos também podem ser diagnosticados com a doença. Avaliar os sintomas é fundamental, principalmente em se tratando de crianças. Palidez, cansaço, sonolência, manchas roxas, sangramentos prolongados, dores de cabeça e óssea são alguns dos sinais que devem servir de alerta. O diagnóstico também será realizado pelo hemograma completo, mielograma, citogenética, análise molecular e exame de medula óssea. O tratamento vai consistir em quimioterapia com medicamentos específicos para cada paciente e, em casos mais graves, é indicado o transplante de medula óssea.

Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) – Afeta as células linfoides e tem desenvolvimento lento. Mais comum em idosos, estudos mostram que a LCC é uma doença dos glóbulos brancos adquirida ao longo da vida, mas ainda não se sabe os fatores para o seu surgimento. Esse tipo de leucemia muitas vezes também não apresenta sintomas e pode ser diagnosticada durante exames de rotina. Hemograma completo, mielograma, citogenética, análise molecular e exame de medula óssea ajudarão no diagnóstico da doença. A base do tratamento é quimioterapia e medicamentos específicos para cada paciente.

Doação de medula óssea

A campanha Fevereiro Laranja também visa incentivar as pessoas a serem doadoras de medula óssea. Para tanto, é necessário realizar um cadastro no órgão que busca doadores no Brasil e nos registros estrangeiros, o chamado Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Também é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade, estar com a saúde geral em bom estado, não ter doença infecciosa ou incapacitante, não possuir diagnóstico oncológico, doenças hematológicas ou do sistema imunológico. Algumas questões de saúde não impedem a doação, mas é necessária a análise de cada caso por um especialista.

 

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