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Impacto da pandemia acelera casos de câncer. O que esperar neste ano?

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano 2030, haverá 27 milhões de novos casos de câncer. A doença continua sendo a principal causa de morte nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Some-se a isso o impacto que a pandemia da Covid-19 trouxe para a população, sendo um deles o atraso no diagnóstico de doenças como o câncer, pela redução dos exames e acompanhamento de saúde no período, gerando a descoberta do tumor já em estágio avançado.

Para o oncologista e cirurgião oncológico Luiz Antonio Negrão Dias, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), a demora no diagnóstico e início do tratamento representa risco de morte para milhares de pacientes. “Vivemos esses últimos anos sob o domínio da pandemia. O medo tomou conta da população diante de um vírus arrebatador, ainda desconhecido da comunidade médica. Medidas preventivas foram tomadas, dentre elas o distanciamento social e a quarentena e isso acabou afetando o diagnóstico inicial de pacientes com câncer. Atrelado a isso, vimos a superlotação observada em diversos hospitais, os leitos foram tomados em grande parte pelas vítimas da Covid-19 e isso muitas vezes acabou impossibilitando o diagnóstico e tratamento desses pacientes. Com isso vimos a doença (câncer) progredir e que deve atingir números altíssimos nos próximos meses. O risco de um diagnóstico tardio se tornou determinante para se ter a cura ou não do câncer. Agora é correr contra o tempo, pois há alguns tipos de câncer que têm um fator progressivo e precisam de conduta terapêutica imediata. Todos os esforços estão sendo empenhados para atender a alta demanda das pessoas que estão em busca de consultas, diagnóstico e tratamento do câncer e essa agilidade será primordial”, aponta.

Otimismo

Mesmo diante de um cenário por vezes mutável, o cirurgião oncológico traz uma mensagem de otimismo à população: “Com o avanço da vacinação, as pessoas voltaram a fazer as avaliações médicas de rotina e os exames regulares preventivos. Aliado a isso, temos os avanços na oncológica, que são fantásticos e quase que diariamente temos informação de novas drogas para um determinado tipo de tumor, aumentando a sobrevida e qualidade de vida, estudos clínicos, que avaliam se o tratamento atual é melhor do que o tratamento padrão, exames moleculares e a já consagrada medicina personalizada. Temos que manter o otimismo e arregaçar as mangas. Há muito trabalho a ser feito e muitas pessoas que precisam de tratamento”, sentencia.

É preciso lidar com possíveis mudanças

Segundo a psicóloga clínica Renata Gonçalves, do IOP, para 2022, tudo o que se deseja é que cada um possa viver e estar perto daqueles que ama, desenvolvendo atividades significativas, olhando com amorosidade e empatia para o próximo, respeitando vivências e histórias diferentes das suas e construindo juntos um ano melhor.

“Em 2020, tivemos uma situação global que veio a impactar a vida de toda uma sociedade. A pandemia da Covid-19 exigiu isolamentos, ocasionou impactos financeiros, restringiu atividades físicas, entre muitas outras mudanças que foram se desdobrando desde então. Ao passo que a pandemia exigiu que em diferentes instâncias o mundo parasse, ela não impediu o desenvolvimento de outras doenças, que continuaram ocorrendo em conjunto com a explosão do coronavírus. O surgimento dessa nova realidade, gerou dúvidas e medo em toda a população, que se estenderam e inclusive intensificaram receios dos pacientes diagnosticados com câncer. Pudemos notar na prática clínica que medos se intensificaram e estratégias de enfrentamento foram reduzidas. Se, antes, este indivíduo se utilizava de alguma atividade social para ter uma melhora da sua saúde mental, agora ele estava impedido de realizá-la. Do mesmo modo, o suporte familiar tanto durante a aplicação das medicações, quanto na rotina diária passaram a ser restritos.

Após tantas mudanças repentinas, diante de uma doença incerta, nos encontramos em um momento em que passamos a compreender melhor o seu funcionamento e a poder orientar de forma mais adequada nossos pacientes. Voltamos a ter esperança frente ao futuro e a encontrar maneiras de retomar atividades e convívios importantes para a saúde mental do paciente oncológico, (seguindo todas as recomendações dos órgãos da saúde)”, destaca a psicóloga clínica.

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