IOP alerta sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer em crianças

17 de setembro de 2021

O câncer juvenil é a principal causa de morte na faixa de 5 a 19 anos no Brasil. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer – INCA apontam que para o triênio 2020/2022 sejam diagnosticados 8.460 novos casos, o que representa 3% do total dos 625 mil novos casos de câncer diagnosticados em cada período. A estatística alarmante se contrapõe a um dado importante: com diagnóstico precoce e tratamento adequado as chances de cura são de até 80% dependendo do tipo de câncer.

A oncopediatra Antonella Zanette, responsável pelo Serviço de Oncologia Pediátrica do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, explica que a proliferação do tumor é muito rápida em crianças. “As células que têm mutação genética ainda não tiveram tempo de amadurecer e por isso mantêm as características semelhantes às células embrionárias, multiplicando-se de forma rápida e desordenada.” Dra. Antonella reforça o pedido aos pais para que levem seus filhos ao pediatra para as consultas de rotina, pois muitas vezes os sintomas do câncer são parecidos com os de doenças comuns entre as crianças. “Os pediatras podem identificar os primeiros sinais de câncer e encaminhar a criança para investigação e tratamento especializado”, reitera a médica.

Principais tipos de câncer em crianças

Segundo o INCA, os três tipos de câncer que ocorrem com mais frequência em crianças são as leucemias (30%), os linfomas (20%) e os tumores cerebrais e do sistema nervoso central (26%), porém outros são igualmente relevantes.

Leucemia: é o câncer dos glóbulos brancos do sangue (leucócitos), que começa na medula óssea. Os tipos mais com comuns em crianças são a leucemia linfoide aguda e a leucemia mieloide aguda. Esse tipo de câncer pode causar dor nos ossos, nas articulações e apresentar outros sintomas como sangramento, febre, perda de peso, fadiga, entre outros. É preciso tratar logo que seja diagnosticada, pois tende a progredir rapidamente.

Linfomas: costumam afetar, frequentemente, os gânglios linfáticos e tecidos linfáticos, como amígdalas ou timo, mas também podem afetar a medula óssea e outros órgãos, provocando sintomas diferentes dependendo do local onde está se desenvolvendo. Existem dois tipos principais de linfoma: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin, que podem ocorrer tanto em crianças como em adultos. Esse tipo de tumor pode causar febre, sudorese, perda de peso, fraqueza e aumento de tamanho dos linfonodos do pescoço, axilas ou virilha.

Tumores cerebrais e do sistema nervoso central: os tumores cerebrais são o resultado do crescimento fora de controle de células anormais. Existem diversos tipos de tumores cerebrais e o tratamento e prognóstico de cada um é diferente. Podem causar dores de cabeça, náuseas, vômitos em jato, visão turva ou dupla, tontura e dificuldade para caminhar ou manipular objetos.

Retinoblastoma: tipo de câncer que acomete o olho durante a infância. A maioria dos casos, 90%, é em crianças com menos de cinco anos de idade. Trata-se de um tumor maligno que se desenvolve na retina, devido a uma mutação num gene no cromossomo 13. Em alguns casos pode ser hereditária e afetar os dois olhos ou apenas um. O principal sintoma do retinoblastoma é a lecocoria, ou seja, um reflexo branco na pupila, conhecido como reflexo do olho de gato. Essa situação está presente em 90% dos casos diagnosticados. Uma forma de verificar esse sinal é sob luz artificial, quando a pupila está dilatada, ou em fotos com flash. Em crianças com os olhos saudáveis, o reflexo do flash é sempre vermelho e não branco. Outros sintomas são a baixa visão, estrabismo e deformação do globo ocular.

Tumores ósseos: ocorrem com mais frequência em crianças mais velhas e em adolescentes, mas podem se desenvolver a qualquer idade. Eles representam cerca de 3% dos cânceres infantis. Os dois tipos principais de tumores ósseos que acometem crianças são o osteossarcoma, que se desenvolve no osso em crescimento, como ossos longos das pernas ou braços, e causam dor e inchaço na área do osso, e o Tumor de Ewing, também um tumor ósseo, porém menos comum. A maior incidência é em adolescentes e costuma afetar os ossos da pelve, tórax ou na parte do meio dos ossos da perna, causando dor e inchaço.