Julho Amarelo visa conscientizar a população sobre o câncer ósseo

9 de julho de 2021

Julho Amarelo visa conscientizar a população sobre o câncer ósseo

A campanha Julho Amarelo visa à conscientização da população sobre o câncer nos ossos e a importância do diagnóstico precoce para um tratamento eficaz e assertivo. O tumor ósseo é considerado raro e corresponde a 1% de todos os tipos de câncer. Tem sua origem na produção de células anormais no tecido ósseo ou se desenvolve em outro órgão e migra para o osso por meio da corrente sanguínea, o que se costuma chamar de metástase óssea. Esse tipo de câncer é muito agressivo e pode resultar em mutilações. Se diagnosticado precocemente e com tratamento adequado, as chances de cura são maiores.

Por ano, a Sociedade Brasileira de Cancerologia estima uma incidência de 2.700 casos novos da doença. “Os tumores ósseos, tanto malignos quanto benignos, podem surgir em qualquer osso do corpo humano, mas são mais comuns nas vértebras, ossos da bacia, fêmur, tíbio e úmero e nas costelas. Apresentam como características dor, aumento de volume no local e limitação funcional. Por isso, ao sentir qualquer sintoma, principalmente dor com sinais de alerta (mais de 15 dias, piora progressiva, dor noturna persistente), a recomendação é que a pessoa busque auxílio médico”, cita o médico Diego Sanches, ortopedista oncológico do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP.

Causas

Não há uma causa específica para o aparecimento do câncer ósseo, mas uma possibilidade baseia-se num erro no DNA de algumas células, fazendo com que se tenha uma mutação ou divisão celular de forma irregular. Síndromes genéticas e doenças preexistentes, como a Doença de Paget, podem contribuir para o aumento da probabilidade de desenvolvimento do tumor ósseo.

Como é feito o diagnóstico

O ponto de partida é o exame clínico, posteriormente o especialista pode solicitar exames de imagem e anatomopatológico (análise das células e tecidos retirados do tecido por biópsia). Exames como tomografia, ressonância magnética e cintilografia óssea para mapeamento e investigação complementar são necessários para uma análise mais aprofundada e conclusão do diagnóstico.

Pacientes que têm um diagnóstico oncológico, principalmente de mama, próstata e pulmão, devem ficar em alerta caso apresentem algum tipo de dor, pois ela pode ser derivada de metástases, que fragilizam muito os ossos e aumentam a possibilidade de fraturas patológicas durante a realização de atividades rotineira.

Tipos de tumor

O osteossarcoma (tumor da célula produtora de osso) tem sua incidência aumentada a partir da segunda década da vida. Esse tipo de tumor costuma ocorrer no joelho, fêmur e úmero, mas pode se manifestar em outras regiões, como ombro, bacia e mandíbula.

O Sarcoma de Ewing se desenvolve na maioria das vezes na região pélvica e ossos longos do fêmur e perna (principalmente no meio dos ossos longos) e acomete pessoas um pouco mais jovens.

A partir dos 40 anos há uma incidência aumentada de condrossarcoma. Ele se desenvolve com mais frequência no fêmur proximal, na bacia e no úmero proximal. “Esse tipo de tumor geralmente é diagnosticado também em fases avançadas, pois é confundido com doença degenerativa”, aponta Dr. Diego Sanches.

Sintomas e formas de tratamento

Dor e aumento no volume local afetado são geralmente os principais sintomas dos tumores malignos. Já os tumores benignos costumam apresentar sintomas esporádicos e leves, podendo ser descobertos ao acaso, quando de uma realização de exame de imagem, por exemplo, de um pós-trauma ou sintomas inflamatórios crônicos.

Cirurgia, quimioterapia e radioterapia estão entre as opções terapêuticas. De acordo com o ortopedista oncológico, “As opções de tratamento devem ser individualizadas e discutidas multidisciplinarmente. Na maioria dos casos de doença primária (osteossarcoma e Sarcoma de Ewing), primeiro o paciente é submetido à quimioterapia, depois passa pela cirurgia para a retirada do tumor e novamente por sessões de quimioterapia. Os condrossarcomas são geralmente tratados somente com cirurgia”.

Atuação da equipe de Enfermagem visa mitigar efeitos colaterais

A quimioterapia é uma parte importante do tratamento para quase todos os pacientes com tumores de Ewing. Os quimioterápicos não só atacam as células cancerosas, mas também algumas células normais (tratamento sistêmico), o que pode levar a efeitos colaterais.

Os efeitos colaterais dependem do tipo de medicamento, da dose administrada e da duração do tratamento, os mais frequentes são perda de cabelo, mucosite, perda de apetite, náuseas e vômitos, diarreia, infecções devido à diminuição dos glóbulos brancos, hematomas ou hemorragias, ocasionadas pela diminuição das plaquetas, e fadiga, em função da diminuição dos glóbulos vermelhos.
“A maioria desses efeitos é geralmente de curto prazo e tende a desaparecer após o término do tratamento. Se ocorrerem efeitos colaterais graves, a dosagem dos medicamentos pode ser revista ou o tratamento pode ser suspenso por um período de tempo. É de extrema importância que a equipe multiprofissional realize uma assistência conjunta nesses casos, visando minimizar as toxicidades, proporcionar mais conforto e condições favoráveis ao paciente para a continuidade do tratamento”, aponta Karin K. Dircksen, responsável técnica da Enfermagem da Unidade IOP no Oncoville.

Diariamente, a cada nova aplicação, a Enfermagem realiza uma consulta de Enfermagem a todos os pacientes que realizarão tratamento, com o objetivo de identificar possíveis efeitos colaterais causados pelas medicações e suas toxicidades, além de realizar um planejamento de ações que possam minimizar a ocorrência ou persistência desses eventos. “Realizamos o encaminhamento desses pacientes para atendimento da equipe multiprofissional ou até mesmo solicitamos avaliação médica para intervenção medicamentosa, dependendo da situação. Todos os casos são tratados na sua singularidade, nosso objetivo é realizar uma assistência integral e qualificada aos nossos pacientes”, aponta Karin.