Lúpus, doença autoimune ainda pouco conhecida

27 de novembro de 2017

Dia 10 de Maio é celebrado como o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cinco milhões de pessoas em todo o mundo convivem com a doença.

Você sabe dizer o que as cantoras Lady Gaga, Toni Braxton, a atriz Selena Gomez e a apresentadora de TV Astrid Fontanelli têm em comum? A resposta é que todas têm lúpus.

O lúpus é uma doença sistêmica (colagenose) autoimune em que o corpo produz anticorpos que atacam as células e os órgãos do próprio corpo – o sistema de defesa imunológico fica desregulado. Não tem cura, mas pode ser controlado com acompanhamento médico e tratamento adequado. Existem diversas apresentações, desde as ‘localizadas até as sistêmicas. Não há apenas uma forma de apresentação, pode variar desde um quadro localizado exclusivamente à pele ou mais abrangente, acometendo articulações, pulmões, rins, sistema nervoso, sangue.

De acordo com a reumatologista Andrieli Mehl, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), “O importante é o diagnóstico precoce, para evitar a progressão da doença e reduzir risco de reativações (flares). Por isso, a recomendação é ficar atento aos sintomas, que são diversos, variando entre os pacientes. Não são necessariamente os mesmos órgãos acometidos em todos os pacientes. A fotossensibilidade (sensibilidade aumentada à exposição solar), lesões cutâneas em áreas de maior exposição solar, queda de cabelo, úlceras na boca ou nariz, falta de ar, cansaço, febre, perda de peso, artrite, dor abdominal, convulsões, psicose, anemia, sangramentos/hemorragias, além de manifestações decorrentes de acometimento renal, como elevação da pressão arterial, edema generalizado e redução do volume de urina, são manifestações da doença”.

DIAGNÓSTICO

Para fazer o diagnóstico da doença é realizado um exame chamado FAN, que é um teste habitualmente solicitado para os pacientes que estão com suspeita de uma doença de origem autoimune. A avaliação desse exame por parte do médico é fundamental, pois é preciso interpretá-lo, conjuntamente com os sintomas e outras alterações nos exames de sangue e urina do paciente, para fazer o diagnóstico. Há também exames de seguimento que auxiliam na avaliação da atividade da doença e, associadamente com as manifestações clínicas, norteiam a decisão terapêutica. Esses exames são feitos por coleta de sangue (complemento, anti-DNA, hemograma completo, VHS, proteína C reativa) e urina (rotina de urina e exame de proteinuria). Outros exames, como ressonância nuclear magnética de crânio, são usados quando os sintomas sugerem acometimento de algum órgão específico, nesse caso o sistema nervoso central (SNC).

A maior incidência do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é em mulheres em idade fértil (devido ao estrógeno) e com predisposição genética (um fator de risco), chegando a ser 10 vezes mais comum do que nos homens. A doença pode se manifestar em qualquer idade, porém é mais comum entre os 15-45 anos.

Não é possível prevenir o lúpus, por se tratar de uma doença autoimune. “Ocorre uma desregulação do mecanismo de defesa do indivíduo que não tem uma causa única específica definida. Sabe-se que o paciente tem uma predisposição genética e em algum momento de sua vida pode iniciar com os sintomas, como após uma infecção, por exemplo”, cita Dra. Andrieli Mehl.

BUTTERFLY RASH

Quando se fala em lúpus, paira no consciente coletivo da população a imagem de uma lesão conhecida como asa de borboleta (butterfly rash), característica típica da doença. Esta lesão localiza-se nas regiões laterais do nariz e prolonga-se horizontalmente pela região malar no formato da asa de uma borboleta. Tem cor avermelhada e é um eritema, que pode descamar.

FORMAS DE TRATAMENTO

O tratamento é realizado para manter a doença controlada e evitar que a pessoa tenha recaídas frequentes.  A recomendação principal para todos que têm a doença  é  usar protetor solar de alto fator e evitar exposição aos raios ultravioletas, pois o sol é capaz de ativar a produção de autoanticorpos no lúpus e reativar ou piorar a atividade da doença.

“A escolha do tratamento depende das manifestações apresentadas pelo paciente, sendo mais potente de acordo com a gravidade da doença e se baseia em corticoide, imunossupressores via oral ou endovenosa. Para pacientes que não respondem ao tratamento imunossupressor para nefrite – acometimento renal –, por exemplo, que culmina em perda da função normal dos rins, o transplante renal poderá ser indicado”.

Atualmente, muitos estudos com biológicos – classe de medicações já aprovadas para uso em artrite reumatoide, artrite psoriásica, espondilite anquilosante – têm sido realizados, porém sem resultados satisfatórios e seguros o suficiente para todos os tipos de lúpus. “Por ora, temos o Belimumabe como única medicação biológica com indicação para algumas formas de acometimento do Lúpus Eritematoso Sistêmico”, finaliza a médica.

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