Médica do IOP é destaque em congresso internacional

10 de dezembro de 2020

Médica do IOP apresenta nova técnica de cirurgia ginecológica e é destaque em congresso internacional

A cirurgiã oncológica Audrey Tsunoda, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), participou, recentemente, do Congresso Americano de Cirurgia Ginecológica Laparoscópica, onde apresentou para especialistas de 180 países uma nova técnica de cirurgia ginecológica, mostrando que ela é factível, segura e como é realizada, para que possa ser empregada em maior escala. Também fez parte da equipe que desenvolveu a técnica o cirurgião José Clemente Linhares (IOP). A nova técnica surgiu da pesquisa de linfonodo sentinela para câncer ginecológico com corante verde de indocianina. “Utilizamos um sistema de captura de imagens especial, de última geração, para detectar o corante verde de indocianina que é injetado no local do tumor que migra, durante a cirurgia, em tempo real, para os primeiros linfonodos (inguas) que podem ser os locais iniciais de implantação do tumor.”

A principal inovação da técnica é que ela aumenta de forma significativa a chance de detectar corretamente os linfonodos sentinelas – os primeiros a serem acometidos em caso de disseminação da doença. No câncer ginecológico, a técnica é utilizada em vulva e útero e, dentro de pesquisas, para colo uterino e ovário, mas pode ser realizada em outros locais, como para câncer de mama e melanoma, mais frequentes. “A cirurgia é uma histerectomia total (remoção completa do útero com ovários e trompas), com pesquisa de linfonodo sentinela (remoção da primeira íngua para onde a doença do útero pode ir, que em 85% das vezes fica no ventre, de um dos dois lados da pelve, mas pode estar acima, no abdome, em 10-15% das vezes)”, explica a cirurgiã oncológica.

Para analisar o estágio da doença é necessário avaliar as características do tumor, como, por exemplo, onde ele surgiu e também os possíveis locais para onde ele pode ter passado. No caso dos linfonodos, há duas formas: linfadenectomia sistemática (remoção de todos os linfonodos de uma região, como o ventre, neste caso) ou a pesquisa de linfonodo sentinela. “Na pesquisa de linfonodo sentinela, usamos um corante injetado no útero para que, ao migrar do útero, seja possível identificarmos qual é o sentinela. Tem que ser dos dois lados do ventre (pois na grande maioria dos casos com metástase no linfonodo, isso acontece dos dois lados). O corante mais utilizado costuma ser o azul patente, que dura nos linfonodos cerca de 40 minutos e depois é eliminado pelos rins. Este corante foi muito utilizado nos cânceres de mama nos países de primeiro mundo e hoje está sendo substituído pelo uso de medicamentos radiofarmacológicos (radioativos leves, que o médico nuclear injeta na mama e depois identifica com um equipamento especial na axila). A chance de detectar adequadamente o sentinela usando apenas uma técnica é em torno de 50% a 60%, já quando combinadas, aumenta para 65% a 70%”, cita.

Nos últimos anos, uma nova tecnologia surgiu para a detecção do sentinela: filtros especiais para detecção do corante verde de indocianina. Nesta técnica, o corante fica muito mais tempo nos linfonodos (aumentando a oportunidade de detecção). A injeção do corante é feita sob anestesia, durante a cirurgia e a migração da coloração pode ser observada com uma microcâmera especial, bastante cara e importada. Nesta técnica, a taxa de identificação correta dos linfonodos sentinelas, ao menos uma de cada lado, pode chegar a 85%. “Desta forma, reduzimos ainda mais a chance de necessitar de linfadenectomia sistemática e suas potenciais complicações, que incluem acidentes durante a cirurgia (por lidarmos com grandes vasos sanguíneos durante a remoção das ínguas), como tromboses e a mais temida delas que é o linfedema (inchaço das pernas, neste caso). Cerca de 1/3 das mulheres após a linfadenectomia apresentam algum grau de linfedema após a cirurgia e menos de 5% das mulheres que recebem a técnica de pesquisa de linfonodo sentinela apresentam linfedema”.

É no Hospital Erasto Gaertner que a especialista realiza a técnica, sendo uma das quatro instituições de câncer do Brasil que ensina a fazer este procedimento. O treinamento precisa ser feito por profissional que esteja treinado com mais de 20 casos para que os resultados sejam satisfatórios, e, para isso, a AAGL (Associação Americana de Ginecologistas Laparoscopistas) promoveu este evento, onde a cirurgia foi transmitida para 180 países, para ginecologistas e oncologistas que desejam aprender ou aprimorar esta técnica.