Mudanças na classificação de tumores de cabeça e pescoço

22 de maio de 2017

Entre os dias 25 e 30 de abril, a médica do Departamento de Cirurgia Oncológica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dra. Paola Pedruzzi, participou de dois eventos : AHNS Transoral Robotic Surgery Course e  AHNS (American Head & Neck Society)  annual meeting durante o COSM (Combined Otolaryngology Spring Meetings), ambos em San Diego, Califórnia. 
 

Entre as novidades anunciadas está a mudança, a partir de janeiro de 2018, do estadiamento dos tumores de cabeça e pescoço. A 8a edição do TNM proposto pela American Joint Committee on Cancer (AJCC), publicada em dezembro de 2016 e válida a partir de janeiro de 2018,  contempla várias mudanças “Alguns tumores serão divididos usando o grupo de estadiamento e prognóstico de acordo com a presença ou não do vírus HPV (papilomavirus humano). Há evidências de que os tumores HPV positivos apresentam um melhor prognóstico em comparação aos tumores associados ao tabaco e álcool. Os tumores com extensão extracapsular serão separados em um grupo de pior prognóstico. A classificação dos tumores quanto ao local de acometimento dos linfonodos também muda, não sendo mais relevante a classificação antes utilizada. Também há mudadas quando ao estadiamento T do tumor (relacionado ao tamanho e extensão da doença), classificação e abordagem dos tumores primários ocultos, etc”.  

Há uma preocupação cada vez maior no tratamento individualizado do paciente com a utilização de novas drogas. Há diversas drogas conhecidas por imunoterápicos já utilizadas no câncer da cabeça e pescoço e outras em desenvolvimento. Em alguns casos o tratamento não tem como finalidade a cura, e estas drogas são uma opção a mais no tratamento de doença avançada, com objetivo de melhorar a dor e a qualidade de vida do paciente.
 
A cirurgia robótica também está em desenvolvimento, podendo ser utilizada para o tratamento de diversos tumores, e indicada em casos selecionados como tumores de orofaringe e laringe. Pode também ser utilizada nas cirúrgicas da tireóide e pescoço como os esvaziamentos cervicais.
 
Outras terapias antigamente ditas alternativas (como técnicas de relaxamento, ioga, por exemplo) têm mostrado sua importância no apoio ao paciente e seus familiares e no próprio tratamento. Há uma necessidade urgente da visão holística do paciente.
 
“Congressos são sempre bem-vindos pois, além de atualização científica, possibilita a troca de experiências, o contato com centros de tratamento e profissionais do mundo todo”, finaliza Dra. Paola.