A neurocirurgia robótica veio para ficar

16 de fevereiro de 2017
A cirurgia robótica teve seu início há alguns anos, tendo sido grandemente difundida na medicina, principalmente pela urologia, ginecologia, cirurgia digestiva, cirurgia pediátrica e oncologia cirúrgica.

 

O método consiste em se utilizar um robô para melhorar as habilidades do cirurgião. As vantagens são várias, tanto para o cirurgião quanto para o paciente, especialmente considerando-se seu uso em microcirurgia, parte intrínseca da prática de quase todos os procedimentos neurocirúrgicos. Na robótica, o médico usa uma ferramenta com visualização tridimensional e em alta definição para reproduzir todas as características de um tratamento convencional.

De acordo com o neurocirurgião Samuel Dobrowolski, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), “Os neurocirurgiões possuem um treinamento intenso em microscopia, já na robótica é necessário treinar para executar um movimento normal ou macro, então será o robô que transformará este movimento em micro”.

O robô não funciona sem o comando do cirurgião, isto é, não é autônomo, por esse motivo as cirurgias são chamadas de cirurgias assistidas (com a assistência) por robô. O cirurgião fica sentado em um console, com os antebraços apoiados, e manipula braços que comandam, remotamente, o robô, podendo alternar instrumentos entre os três braços utilizáveis. Este sistema já possibilita cirurgias a distância ou via Web.

Os benefícios da cirurgia assistida por robô são ainda mais impressionantes quando se trata de realização de microcirurgias, graças ao filtro de tremor e escalonamento de movimentos, que tornam procedimentos microcirúrgicos complexos, como microanastomoses cerebrais, em procedimentos simples. “Além de ganhar ‘um braço’, de operar sentado e sem a necessidade de se paramentar, vestir as roupas esterilizadas, o cirurgião ganha também outras vantagens, por exemplo, o robô possui um filtro de tremor, eliminando o tremor que todo ser humano tem ao ser submetido a procedimentos com magnificação grande (microscopia)”, afirma Dr. Samuel Dobrowolski.

Além das vantagens mencionadas, o robô ainda proporciona uma aplicabilidade fantástica: o escalonamento de movimentos. Na prática, o cirurgião estabelece um parâmetro no início do procedimento, que pode ser modificado conforme a necessidade durante a cirurgia, que nada mais é do que uma proporção. Uma proporção que se vale dos movimentos pantográficos, que a interação engenharia-medicina traduziu em benefício para o paciente.

“Em neurocirurgias é necessário adotar um padrão e para exemplificação temos a seguinte condição: caso o cirurgião escolha um escalonamento de 3:1, isto significa que um movimento em sua mão de 3 mm será reproduzido, pelo robô, em 1mm. Se o cirurgião fizer um micromovimento de 0,3 mm, o robô reproduzirá o movimento em apenas 0,1mm. E assim por diante”, salienta o neurologista.

Outro ganho importante além de eliminar o tremor e permitir o escalonamento de movimentos, é que o “punho” do robô pode girar 360 graus em todos os eixos, capacidade infinitamente superior ao punho humano, tornando locais antes inacessíveis em acessíveis.

Com a neurocirurgia assistida por robô, todos, cirurgião, hospital e pacientes ganham. O neurocirurgião pela comodidade, segurança e precisão de movimentos, além da melhora no índice de recuperação do paciente. O hospital, por procedimentos menos invasivos, mais precisos, menor permanência do paciente no internamento e pela maior rotatividade. E o paciente, o objetivo principal, ganha pelos menores riscos, menor tempo de internação, retorno mais precoce às suas atividades cotidianas, menor chance de sequelas, dentre outras vantagens.

 

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