Obesidade, doenças crônicas e câncer

5 de outubro de 2020

Obesidade, doenças crônicas e câncer

O número de pessoas com sobrepeso ou obesidade no Brasil cresce a cada ano. Estatísticas apontam que 56% da nossa população está acima do peso, ou seja, 41 milhões de homens e mulheres convivem com a obesidade no país. Entre 2006 e 2008, a prevalência de obesidade entre os brasileiros cresceu 68%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, pois além de reduzir a qualidade de vida, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia (excesso de gordura no sangue), síndrome dos ovários policísticos, doenças cardiovasculares, como infarto do coração e Acidente Vascular Cerebral (AVC), além de varizes e doenças articulares.

A endocrinologista e metabologista Juliana Kaminski, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), explica que 13 tipos de tumores têm sido associados à obesidade, entre eles estão o câncer de mama, endométrio (útero), colorretal, estômago, esôfago, fígado, vesícula biliar, pâncreas, ovário, rim e tireoide. “O risco de câncer parece estar vinculado à hiperinsulinemia associada à obesidade. O tecido gorduroso, particularmente a gordura visceral (que se deposita entre os órgãos abdominais), constitui um órgão produtor de adipocinas, de citocinas inflamatórias e de estrogênio. O excesso de gordura abdominal leva à hiperinsulinemia (excesso de insulina) e diminuição da adiponectina, que é uma adipocina que diminui as citocinas inflamatórias. Esses distúrbios metabólicos favorecem a oncogênese, como a proliferação celular, a formação de vasos sanguíneos e a perpetuação da célula tumoral.”

 Obesidade e o novo coronavírus

Agora, com a pandemia do novo coronavírus (COVID-19), a obesidade também se tornou um fator de risco para a forma grave da nova doença respiratória. Um estudo britânico apontou que pacientes com IMC acima de 35 possuem uma probabilidade de 40% maior de falecer da doença. “A infecção pelo SARS-CoV-2 intensifica o estado pró-inflamatório crônico do indivíduo obeso, o que leva ao comprometimento importante da função pulmonar e de outros órgãos. Além disso, a obesidade pode estar associada à diabetes e/ou à hipertensão arterial, que também foram identificados como fatores de risco para a gravidade da COVID-19.”

Como controlar o peso e prevenir a obesidade

Apesar de a população estar melhor informada sobre os riscos da obesidade, ainda falta conscientização sobre a importância de mudar os hábitos de vida em prol do emagrecimento e da manutenção do peso. Existe uma forte influência genética no ganho de peso, porém é possível amenizar essa condição a partir de uma reeducação alimentar e atividade física regular. “A alimentação saudável deve ser controlada em quantidade de calorias e na qualidade nutricional, incluindo alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, ovos, leite, peixes e carnes grelhadas. Os alimentos industrializados (processados) devem ser evitados. O sedentarismo é inaceitável e a prática de exercícios físicos deve ser rotineira. E ainda, durante o acompanhamento médico, a obesidade pode ser tratada com medicações que auxiliam a perda de peso e a diminuição da hiperinsulinemia”, finaliza a endocrinologista.