Obesidade está relacionada com 13 tipos de neoplasias

5 de fevereiro de 2018

Nos últimos anos o número de pessoas com sobrepeso ou obesas tem aumentado consideravelmente no mundo e no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que uma em cada cinco pessoas no país está acima do peso e que entre 2006 e 2016 a prevalência da obesidade aumentou em 60%, de 11,8% para 18,9%. No mesmo período do estudo, o excesso de peso também subiu de 42,6% para 53,8%. Com o crescimento da obesidade, também aumentaram os casos de diabetes e hipertensão. Porém, a população também deve ficar alerta sobre a relação do aumento do peso com diversos tipos de câncer.

Dra. Juliana Kaminski

A endocrinologista e metabologista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dra. Juliana Kaminski, explica que a metade da população brasileira está com sobrepeso e obesidade e esse dado alarmante pode potencializar o desenvolvimento de 13 tipos de tumores, entre eles estão o câncer de mama, endométrio, colón retal, estômago, esôfago, fígado, vesícula biliar, pâncreas, útero, ovário, rim e tireoide.  “A falta de consciência da população em relação aos hábitos saudáveis ainda é um dos principais fatores de risco. É importante lembrar que a obesidade é multifatorial, porém um dos motivos do aumento de pessoas com a doença deve-se ao estilo de vida atual, onde desde a infância criam rotinas prejudiciais, como a alimentação com produtos cada vez mais industrializados e o sedentarismo.”

No entanto, existe a influência genética no ganho de peso, onde vemos famílias inteiras acometidas por obesidade. Também há uma predisposição de acúmulo de gordura que difere entre os sexos: no sexo feminino há uma tendência de acúmulo de gordura na região dos quadris e coxas (popularmente conhecida como tipo pera), e no sexo masculino há predisposição para acúmulo de gordura em abdômen, principalmente entre os órgãos, conhecida como gordura visceral. Portanto, é fundamental avaliar o paciente como um todo, para então estabelecer as causas relacionadas ao ganho de peso, que podem incluir desequilíbrios hormonais e até fatores emocionais. “A dificuldade em perder peso é diferente para cada pessoa, envolvem diversas questões particulares de cada indivíduo, sua genética, seu sexo, seus hábitos de vida, e inclusive sua condição psicológica. Há casos de transtorno psíquico associado ao ganho de peso, por exemplo, a compulsão alimentar. São situações em que a abordagem do paciente obeso deve ser feita por uma equipe de vários especialistas”, expõe.

Não se trata apenas de perder peso, mas sim manter

Existem pessoas que conseguem eliminar uma porcentagem do peso com facilidade, porém, ao mesmo tempo, existem vários casos em que a recuperação do peso perdido ocorre com a mesma facilidade, o conhecido efeito sanfona. Além de perder peso, é necessário saber que mantê-lo estável pode ser ainda mais difícil. Isso ocorre porque o próprio organismo desenvolve um mecanismo de compensação, na tentativa de voltar ao peso anterior. Os hábitos saudáveis devem ser mantidos para a estabilização do peso e a prevenção das doenças. É fundamental possuir uma rotina saudável em todas as fases da vida. Pessoas que realizaram cirurgias de redução do estômago, como a bariátrica, também devem manter uma rotina correta, já que podem voltar a ganhar peso. “Emagrecer não é fácil, pois há diversos fatores envolvidos nesse processo, mas é altamente possível em qualquer fase da vida. O ideal é que desde a infância a rotina seja saudável, mas a conscientização tem que estar presente sempre, em todas as fases da vida. Caso contrário, os resultados dos tratamentos para perda de peso tendem a ser transitórios.”

Mulheres com obesidade e na menopausa devem redobrar os cuidados

O envelhecimento populacional irá fazer com que aumente a prevalência de tumores tanto em homens como mulheres, porém durante a menopausa – momento de vida da mulher que já passou dos 45 e 50 anos – cria-se uma população que requer um cuidado maior. O que está ficando cada vez mais claro: mulheres na menopausa e obesas têm maiores chances de desenvolver o câncer de mama. Na menopausa, os ovários deixam de produzir o hormônio estrogênio, mas há uma reserva desse hormônio nas células de gordura. O câncer de mama está relacionado com a persistência da ação do estrogênio, mais frequente nas mulheres obesas. Existem outros fatores de risco, como tabagismo e alcoolismo, por exemplo. Mulheres estão bebendo mais do que antes, estão mais estressadas, acabam priorizando as demandas do trabalho e da família e deixam de lado os cuidados com a própria saúde. Na fase da menopausa, criar novos hábitos é fundamental, embora a perda de peso seja mais trabalhosa, uma vez que o metabolismo se torna mais lento, e há maior tendência de acúmulo de gordura abdominal. Na menopausa, há modificações na composição corporal, que inclui ainda a perda de massa muscular.

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Existem diversos estudos sobre a prevalência de câncer de mama na menopausa e os fatores de risco associados a esse tipo de câncer. E também dados concretos sobre as mulheres que já trataram o câncer de mama (antes ou durante a menopausa): as que emagreceram e/ou mantiveram o peso, estatisticamente têm menos recidiva do tumor e menor mortalidade. De acordo com a endocrinologista, “Ainda hoje, o grande mito em relação ao tumor de mama na menopausa é relacioná-lo à terapia de reposição hormonal. Devido a novos estudos, hoje sabemos que existe um perfil de mulheres que entram na menopausa e que irão se beneficiar com a reposição hormonal, por isso não devem temê-la. Atualmente, os hormônios utilizados são mais próximos ao natural, as doses utilizadas são menores que no passado e o tempo de uso está estabelecido. Felizmente, o conhecimento científico sobre o assunto é muito melhor do que há 15 anos, por exemplo. Cada paciente é único e deve fazer o tratamento que mais se adapta, por esse motivo é fundamental fazer um acompanhamento adequado”.

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