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Reconstrução mamária é contemplada por lei federal

A Lei nº 13.770, de 19 de dezembro de 2018, do governo federal, dispõe sobre a cirurgia plástica reconstrutiva da mama em casos de mutilação decorrente de tratamento de câncer. Ainda, determina que os procedimentos de simetria da mama e de reconstrução do complexo aréolo-mamilar passam a ser considerados partes integrantes da cirurgia plástica e que, havendo condições técnicas, a reconstrução da mama seja efetuada de forma imediata, ou seja, logo após a mastectomia. Em caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia imediatamente após alcançar as condições clínicas requeridas. Mesmo sendo um direito das mulheres mastectomizadas e que têm inscrição no Sistema Único de Saúde (SUS), o tempo de espera pode ser longo, principalmente quando a reconstrução é feita posteriormente à mastectomia.

O mastologista e cirurgião oncológico José Clemente Linhares, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, cita que a reconstrução mamária “é um pilar para a reintegração social para as mulheres”.

Sempre que for realizada uma mastectomia total, é importante que se faça a reconstrução mamária de forma imediata, na mesma cirurgia, por técnicas de cirurgia oncoplástica. Mas há casos em que não é possível e, portanto, a cirurgia poderá ser feita posteriormente. “A maioria das mulheres que passam pela mastectomia tem indicação para a reconstrução mamária”, cita o mastologista.

Para se fazer a reconstrução mamária são usadas várias técnicas, que levam em consideração a forma da mama, aparência e o tamanho. Deve-se levar em consideração também a quantidade de pele a ser retirada, quantidade de tecido adiposo abdominal, presença de cicatrizes e, principalmente, a preferência da paciente – se quer ou não realizar o procedimento.

 

Como é realizada

Existem dois tipos principais de reconstrução mamária, o implante e o retalho abdominal. Na primeira opção a prótese de silicone é colocada sob a pele ou sob o músculo. Já na cirurgia plástica com retalho abdominal, é retirada a pele e a gordura da região do abdômen para usar na região das mamas e reconstruir os seios. Dependendo da paciente, poderão ser usados também retalhos de pele das costas.

Uma dúvida que é persistente é com relação à aureola à papila. Dr. Linhares esclarece que elas não são refeitas na mesma cirurgia: “Elas podem ser reconstruídas posteriormente e são feitas com tatuagens, enxertos de pele da raiz da coxa, tecido do lábio da vulva ou de parte do mamilo da outra mama que não foi afetada”.

 

Reconstrução mamária eleva a autoestima

Simone Simacoski Richter, 60 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mamilo, raro, em 2008. Fez tratamento padrão, cirurgia e depois sessões de quimioterapia. Hoje, realiza apenas exames de rotina, para controle.

“Fiz mastectomia, com a reconstrução na mesma cirurgia. Como não era indicado reconstruir com prótese de silicone naquele momento, pois poderia ‘barrar’ alguma necessidade de radioterapia, optei pela reconstrução com tecidos do abdômen. Em resumo: mastectomia, abdominoplastia e reconstrução, tudo na mesma cirurgia”, cita Simone.

Para muitas mulheres, a mastectomia representa uma mutilação, afinal, é uma parte do corpo que é cortada. “Eu não queria, de forma alguma, sair do hospital ‘mutilada’… já estava difícil ter recebido o diagnóstico dessa doença, que nunca passa pela nossa cabeça que poderíamos ter. Então, achei que se fizesse a reconstrução na mesma cirurgia, a coisa seria menos difícil de encarar. Saí sem mamilo, pois o câncer estava localizado justamente nele. Algum tempo depois, a reconstrução do mamilo, feita com tecido da virilha, por ser uma pele um pouco mais escura, e ainda uma lipoaspiração no seio, porque estava um tamanho um pouco maior. Depois disso, quando tudo estava cicatrizado, fiz uma tatuagem para dar a cor mais rosada na pele desse mamilo, para ficar mais próxima do natural”.

“Tudo tem o lado bom da vida, mesmo as coisas ruins a gente sempre tira uma coisa boa.” É com essa afirmação que Simone leva o seu dia a dia, com autoestima elevada sempre e muita disposição para encarar a vida de frente.

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