Saiba por que a oncogenética tem crescido exponencialmente

29 de julho de 2019

Oncogenética cresce exponencialmente e já mira detecção precoce de tumor com base em fragmentos livres de DNA

A oncogenética é uma área de conhecimento que vem crescendo exponencialmente. Já há estudos que sugerem métodos confiáveis para a detecção precoce de um tumor com base em fragmentos livres de DNA no sangue periférico. Além disso, em um dos estudos, pesquisadores descobriram que os perfis de indivíduos saudáveis têm padrões diferentes daqueles vistos em pacientes com câncer. No futuro, é possível que a técnica possa ser usada para identificar ou aproximar o tecido de origem dos cânceres, além de triagem, detecção precoce e monitoramento do câncer humano.

 De acordo com a geneticista Renata Barreto Tenório, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, estima-se que 5 a 10% dos cânceres sejam decorrentes de alterações genéticas hereditárias. “Para famílias com histórico de câncer, é fundamental uma consulta com um geneticista, pois, com isso, é possível adotar medidas preventivas, que visem à redução de risco e à realização de exames de rastreamento individualizados.” Vale dizer que a consulta ao geneticista abrange o aconselhamento genético, avaliação da história familiar e pessoal e, dependendo dessa avaliação, a realização de testes genéticos.

 Graças aos testes genéticos é possível definir o diagnóstico, o prognóstico, as medidas terapêuticas e eventuais medidas redutoras de risco. Há diferentes tipos de testes genéticos: os que são feitos diretamente no tumor e detectam as chamadas variantes somáticas e os realizados em sangue periférico que destacam variantes germinativas. Com relação a essas variantes, a Dra. Renata esclarece que “as germinativas estão presentes em todas as células e podem ser transmitidas para os filhos; muitas vezes, há história familiar significativa de câncer. Já as variantes somáticas tumorais são encontradas apenas nas células tumorais, não são transmitidas à prole”.

 Portanto, o teste genético, realizado diretamente nas células tumorais, que busca mutações chamadas somáticas, possibilita ao oncologista escolher a melhor forma de tratamento para o paciente. Em síndromes hereditárias, reconhecer uma variante germinativa é fundamental para o aconselhamento genético e para estabelecer o risco de desenvolver algum tipo de câncer, inclusive em pessoas saudáveis. Munido de informações, o paciente pode decidir a melhor maneira de prevenir o surgimento de um tumor inclusive por meio de uma cirurgia redutora de risco. Havendo grande risco para câncer de mama, por exemplo, pode-se realizar uma mastectomia redutora de risco.

 Atualmente, os principais exames da oncogenética são os testes moleculares com sequenciamento de nova geração e pesquisa de rearranjos. Para variantes germinativas, são feitos em sangue periférico. O teste molecular para cânceres hereditários pode ser feito em um ou mais genes, conforme a indicação clínica, analisando-se caso a caso mediante critérios estabelecidos pelos médicos geneticistas. Há quase sempre uma história familiar de recorrência de um ou mais tumores e muitas vezes ocorrem em idade precoce. O teste genético pode detectar uma síndrome de predisposição ao câncer. Conforme o padrão de herança da doença, calcula-se o risco dos demais familiares para a realização de um aconselhamento genético. “Não podemos dizer que há a transmissão de um câncer; na verdade, pode haver a transmissão de uma mutação que predispõe a determinados tumores”, cita a geneticista.

 Mutação e câncer

O emblemático caso da atriz Angelina Jolie tornou-se referência nesse assunto. A partir de testes genéticos foi detectada uma mutação que a predispõe ao câncer de mama e ovário, por isso ela optou por realizar as cirurgias redutoras de risco antes de desenvolver a doença. Dra. Renata recomenda que quando há uma história familiar sugestiva de síndrome de predisposição hereditária a alguns tipos de câncer, ou quando há uma mutação familiar conhecida, o indivíduo em risco deve ser testado. Porém, muitas vezes, isso deve ser feito antes do desenvolvimento do câncer.

Há as chamadas síndromes de predisposição hereditária a um determinado tipo câncer, e cada qual relacionada a um ou mais genes. Entre os exemplos consta a síndrome de predisposição hereditária a câncer de mama e câncer ovário, que é causada por variantes patogênicas nos genes BRCA1 e BRCA2 e aumentam o risco para câncer de mama (inclusive masculino), câncer epitelial de ovário, câncer de próstata, pâncreas e melanoma.

 Outro exemplo é a síndrome de Li-Fraumeni, causada por mutações no gene TP53, em que há aumento de risco para o surgimento de múltiplos tumores como sarcomas, câncer de mama anterior à menopausa, tumores cerebrais, carcinoma adrenocortical e leucemias. Existem também as síndromes associadas a vários genes, a exemplo da síndrome de Lynch, que pode ser causada por mutações nos genes MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 ou EPCAM (neste caso, deleção), com aumento de risco para câncer colorretal, câncer de endométrio, câncer gástrico e câncer de ovário.

 Os cânceres que surgem em pessoas com síndromes de predisposição hereditária costumam aparecer em idade mais jovem quando comparamos com cânceres esporádicos. É o caso, por exemplo, do câncer de ovário. Na síndrome de Lynch, a idade média de diagnóstico desse câncer é 42 anos, já na população geral, é de 63 anos.

 Os resultados dos testes genéticos ajudam na tomada de decisão quanto às formas de tratamento. Quando o tumor é investigado, é possível realizar o perfil molecular somático buscando variantes específicas. Cada vez mais o tratamento é selecionado para agir especificamente naquele tipo de mutação. Quanto às mutações germinativas, podem auxiliar na escolha da melhor medicação – como drogas-alvo e imunoterapia – manejo cirúrgico e rastreio de outros tumores.

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