Setembro Amarelo: é preciso falar abertamente sobre o suicídio e alertar que ele pode ser evitado

Setembro Amarelo: é preciso falar abertamente sobre o suicídio e alertar que ele pode ser evitado

1 de setembro de 2021

A campanha Setembro Amarelo foi instituída em 2015 realizada em conjunto pelo Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria e tem como objetivo promover a sensibilização da população de um modo geral sobre o que é suicídio e ações de prevenção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio continua sendo uma das principais causas de morte no mundo. A entidade divulgou em junho deste ano as estimativas em um relatório intitulado Suicide wordwide in 2019. Mais de 700 mil pessoas morrerem por suicídio, sendo uma em cada 100 mortes. Na Região das Américas, onde se inclui o Brasil, as taxas de suicídio aumentaram em 17% nos 20 anos, ou seja, entre 2000 e 2019. Já a taxa global diminuiu 36%, variando de 17% na região do Mediterrâneo Oriental a 47% na região europeia e 49% no Pacífico Ocidental.

Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) é a redução de um terço na taxa global de suicídio até 2030 e para tanto é preciso falar abertamente sobre o assunto, ações de prevenção e formas de atendimento. Como facilitadora, a OMS lançou uma orientação abrangente intitulada Live Life para a prevenção do suicídio com estratégias bem definidas.

A pandemia da COVID-19, somada a fatores de risco como questões financeiras, perda de emprego e o isolamento social são gatilhos que podem resultar em mais dados nessa estatística alarmante. Some-se a isso o diagnóstico de uma doença potencialmente letal como o câncer.

O risco de suicídio e o câncer

De acordo com a psicóloga Renata Gonçalves, do Setor de Psicologia do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, a descoberta de um diagnóstico de câncer pode vir acompanhada por uma variedade de pensamentos, como preocupação com a sua autonomia, com a sua vida profissional, familiar, financeira, com os possíveis efeitos colaterais e até mesmo com a possibilidade de morte. Desse modo, é natural, após o recebimento do diagnóstico, muitos pacientes apresentarem um humor entristecido, episódios de ansiedade, raiva e dificuldade de aceitação da doença. É um processo natural, que não necessariamente ocorre com todos, mas muito comum.

Após o início do tratamento, a expectativa é que a condição emocional do paciente vá gradativamente melhorando, visto que ele passa a compreender melhor o seu tratamento e seus efeitos colaterais. Porém, quando a melhora da condição emocional não ocorre, é importante que estejamos atentos a possíveis sinais de ansiedade e depressão, para que uma intervenção tanto psicológica, quanto psiquiátrica (se houver necessidade) possa ser realizada. Em virtude disso, é extremamente importante que o paciente possa ser acompanhado por psicólogos desde o início, a fim de avaliar se esse paciente precisa de suporte, bem como entender como era a sua condição psíquica anterior ao diagnóstico e tratamento, tendo em vista que indivíduos que já apresentavam ansiedade, depressão e histórico de ideação suicida tendem a intensificar tais quadros durante o tratamento oncológico.