Sinal de alerta: cuidado com os vaporizadores e cigarros eletrônicos

28 de agosto de 2020

Sinal de alerta: cuidado com os vaporizadores e cigarros eletrônicos

É preciso desenvolver campanhas para crianças a partir dos 9 anos de idade, diz oncologista

Cena comum em vários ambientes brasileiros, como praias e parques, mesmo que a legislação antifumo proíba, amigos curtindo um som ou apenas um bate-papo, e o uso do narguilé, que virou moda e vem crescendo no país. Jovens fazem uma rodinha, numa diversão perigosa, vão passando de um para outro o narguilé.

Esse olhar hoje já não é mais possível. A pandemia criou um novo momento, com distanciamento social e outras regras de conduta, o chamado novo normal. Com o passar do tempo e a vacinação em massa da população, há a esperança de um convívio social mais próximo, o que pode fazer renascer antigos hábitos não saudáveis. Por isso fica o alerta.

O narguilé, espécie de cachimbo de origem oriental utilizado para fumar tabaco aromatizado, composto principalmente pelo tabaco em si, melaço, frutas ou aromatizantes, possui também as substâncias tóxicas do cigarro, como monóxido de carbono, hidrocarbonetos, nicotina, formaldeído, dentre outras. Uma sessão de narguilé pode demorar até uma hora, enquanto um cigarro alguns minutos. A quantidade de fumaça inalada numa sessão pode equivaler a fumar entre 100 e 200 cigarros, dependendo de quantos participam da roda. As consequências do consumo de narguilé podem ser ainda maiores do que um cigarro convencional, já que ao fumar narguilé a pessoa inala as toxinas do tabaco e as do carvão, que estão associadas ao desenvolvimento de câncer de pulmão e outras doenças, dentre elas herpes, hepatite C, tuberculose e doenças cardiovasculares.

Outra novidade que vem ganhando terreno, principalmente entre os jovens, são os cigarros eletrônicos, que, no Brasil, têm sua comercialização proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com o órgão regulador, não há estudos que comprovem que esses dispositivos trazem menos risco à saúde. Por outro lado, os fabricantes dos cigarros eletrônicos garantem que eles são menos nocivos à saúde e uma alternativa para os mais de 1 bilhão de fumantes no mundo.

Independente de modismo, o tabagismo continua a ser um fator de risco para uma série de doenças, com destaque para o câncer de pulmão. Segundo tipo mais comum em homens e mulheres no Brasil (excetuando o câncer de pele não melanoma), o câncer de pulmão está associado, em cerca de 85%, ao consumo de derivados de tabaco.

De acordo com o cirurgião oncológico Vinicius Basso Preti, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), “A nicotina é uma droga que provoca dependência química. O cigarro eletrônico é uma espécie de aparelho que serve para administrar a nicotina. A maior diferença é que o cigarro comum contém alcatrão e outras substâncias cancerígenas. Pelo fato de não ser regularizado, não se pode ter certeza de que é apenas nicotina que está no refil do cigarro eletrônico. Já foi comprovado que adolescentes que fazem uso do cigarro eletrônico têm mais chances de se tornarem tabagistas de cigarro comum. Lembrando que a dependência química da nicotina ocorre de forma mais rápida do que a da cocaína”.

 Não fumar e deixar de fumar

A princípio, as duas questões podem parecer uma só, mas não são. Não fumar é uma condição de não se adquirir o vício, não experimentar. E essa questão vai mais a fundo quando se analisa a idade em que as crianças demonstram interesse pelo cigarro. Já deixar de fumar é uma condição de se abandonar o vício, seja por decisão própria, devido a um problema de saúde ou outra situação que implique em simplesmente parar de fumar.

O médico faz um alerta para que a criança não tenha essa iniciação ao tabagismo: “É preciso desenvolver campanhas para crianças a partir dos 9 anos de idade já que a idade média que o brasileiro começa a fumar é aos 13 anos. Aproximadamente 90% dos tabagistas começaram a fumar antes dos 18 anos de idade. Lembrando que a principal causa dos tumores do pulmão, da garganta, da boca, da língua e do esôfago é o cigarro.”

 

Veja também: 

Entrevista do Cirurgião Oncológico do IOP, Vinicius Preti, com a Rádio Banda B. 

O tabagismo sempre foi prejudicial para a saúde. E agora, em tempos de pandemia, o hábito de fumar é um fator agravante. O cirurgião oncológico do IOP, Vinicius Basso Preti, conversa com a Rádio Banda B sobre os riscos do cigarro e também sobre o elevado número de fumantes em Curitiba. Confira