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Síndrome de Li-Fraumeni leva à predisposição a múltiplos tumores

Hoje nós estimamos que 5 a 10% dos cânceres sejam hereditários e os demais sejam esporádicos. Cânceres hereditários são aqueles que ocorrem em uma pessoa que já nasceu com um erro em seu DNA e que leva a um aumento de risco para desenvolver determinados tipos de câncer; são as chamadas síndromes de predisposição hereditária a câncer. “Um grande símbolo destas síndromes é a Angelina Jolie, que tem uma síndrome de predisposição hereditária ao câncer de mama e ovário. No caso da Angelina Jolie, o erro em seu DNA ocorreu no gene _BRCA1_ e foi herdado da sua mãe”, aponta a geneticista Renata Ténorio, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP. Existem várias outras doenças que se enquadram nas síndromes de predisposição ao câncer. Uma delas é a Síndrome de Li-Fraumeni, que recebe este nome por causa dos médicos que descreveram a doença pela primeira vez, em 1969: o Dr. Frederick Li e o Dr. Joseph Fraumeni.

 

A Síndrome de Li-Fraumeni é uma doença rara que se caracteriza pelo aumento no risco de ocorrência de vários tumores na mesma pessoa. Vamos abordar os aspectos moleculares, clínicos e hereditários desta doença.

Do ponto de vista molecular, a Síndrome de Li-Fraumeni é decorrente de um erro no gene _TP53_. Este erro leva a um defeito na produção da proteína p53, que regula várias funções da célula (como a replicação e reparo de DNA, o ciclo celular, apoptose, autofagia, etc.). Esta proteína é tão importante que é também conhecida como guardiã do genoma.

 

A manifestação clínica da doença é o risco aumentado para o surgimento de múltiplos tumores em todas as fases da vida. Os maiores destaques são os tumores de suprarrenal e o câncer de mama em mulheres jovens. Além desses, outros tumores podem ocorrer, como sarcomas, osteossarcoma e leucemias e linfomas, tumores gastrointestinais, tumores cerebrais, câncer de pulmão (inclusive em não fumantes).

 

Como o nome diz, é uma síndrome hereditária, em que o defeito no gene é quase sempre herdado de um dos pais e pode ser passado aos filhos. O risco de transmitir a doença aos filhos é de 50% e é um risco independente para cada filho. Isso quer dizer que uma pessoa com Síndrome de Li-Fraumeni que tenha três filhos pode ter mandado a doença para um, dois ou para os três filhos. A única forma de saber é fazendo o teste genético.

 

A Síndrome de Li-Fraumeni é uma doença rara, mas é provável que existam muitas pessoas com a doença e sem diagnóstico. No Brasil, particularmente no Estado do Paraná, a prevalência da Síndrome de Li-Fraumeni parece ser mais alta do que em outros locais e existe uma variante patogênica (uma “mutação”) que é encontrada na maioria das pessoas afetadas, a “R337H”.

 

Como identificar a alteração genética

 

De acordo com Dra. Renata Tenório, o reconhecimento de indivíduos com síndromes de predisposição hereditária a câncer começa com a verificação do histórico pessoal de câncer e/ou pela análise do histórico familiar. O alerta pode vir quando a pessoa tem um câncer de idade muito mais jovem do que esperado, ou quando tem algum câncer que pareça hereditário, como um carcinoma de plexo coroide. “Nós também averiguamos os familiares que tiveram câncer e buscamos informações sobre os tipos de tumores e a idade em que surgiram. Assim identificamos aqueles que devem ser testados, definimos o teste genético recomendado e realizamos o aconselhamento genético pré-teste.”

 

Não há cura para esta doença até o momento, mas “o benefício em reconhecer uma pessoa em risco é inquestionável. Podemos dizer com muita segurança que sempre há algo a ser feito e que podemos melhorar as perspectivas da pessoa quando identificamos uma síndrome de predisposição ao câncer. Além disso, temos a preciosa oportunidade de avaliar familiares em risco e protegê-los”, destaca a geneticista Renata Tenório.

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