Tumor Board e as boas práticas oncológicas

28 de março de 2017

Tumor Board integra as ações desenvolvidas pelos diferentes especialistas que participarão do tratamento

Cada vez mais frequente nos grandes centros de saúde espalhados pelo Brasil e pelo mundo, o tumor board é uma atividade vital para a boa prática oncológica. De acordo com o chefe da Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICESP), Dr. Jesus de Paula Carvalho, a prática é um indicador de qualidade dentro das instituições, sendo extremamente útil para as pacientes e também permite a aquisição de conhecimentos e habilidades para a equipe responsável pelo tratamento. O especialista participou do Fórum de Debates de 2017 com o tema GinecoOnco – Atualização e Desafios Práticos no Câncer de Colo de Útero e de Ovário, realizado em março, e abordou os principais benefícios para os pacientes e equipe clínica, deixando claro que é impossível fazer tudo sozinho e que é perfeitamente possível agregar competências.

 

IOP – Qual a importância do Tumor Board?

Jesus de Paula Carvalho – O tumor board é uma atividade, com a participação de diferentes especialistas que tratam câncer, com a finalidade de otimizar as diferentes ações desenvolvidas no plano de tratamento de cada paciente.

 

IOP – É uma realidade em todo país?

Jesus de Paula Carvalho – Os principais hospitais do país, com tradição em ensino e alta qualificação nos procedimentos realizados, adotam o tumor board como uma atividade essencial. Não se pode dizer ainda que esta prática existe em todo o país, mas é algo que devemos encorajar e promover em todas as instituições que pretendem atender pacientes com câncer.

 

IOP – Qual é o principal benefício para as pacientes?

Jesus de Paula Carvalho – O principal benefício para as pacientes consiste em integrar, em um único plano de cuidados, todas as ações desenvolvidas pelos diferentes especialistas que participarão do tratamento, evitando, desta forma, omissões, redundâncias e compartilhando informações e conhecimentos.

 

IOP – Todos os casos clínicos são discutidos ou somente os mais complexos?

Jesus de Paula Carvalho – Isso depende da estrutura e da demanda de cada instituição. Em Serviços com menor demanda é possível discutir todos os casos; em outros com grande fluxo de pacientes pode-se discutir somente aqueles que despertam dúvidas ou controvérsias nos diferentes especialistas envolvidos.

 

IOP – Durante a discussão é possível encontrar novas formas para tratar a paciente?

Jesus de Paula Carvalho – Sim. O tumor board é um local propício para o debate de ideias e revisão de conceitos baseados no conhecimento e na experiência acumulada. As grandes inovações costumam nascer em discussões promovidas no tumor board.

 

IOP – Quais os principais serviços de apoio presentes nas equipes multidisciplinares? 

Jesus de Paula Carvalho – O  tumor board normalmente é composto pelo ginecologista oncológico, cirurgião de aparelho digestivo, patologista, radiologista, radio-oncologista, oncologista clínico, fisioterapeuta, especialista em tratamento de dor e cuidados paliativos, anestesista e psicólogos. A complexidade e o tamanho das equipes variam dentre as instituições. O ambiente universitário, como o que contamos no ICESP, é propício para a formação de um tumor board, pois podemos agregar muitas outras atividades médicas envolvidas no tratamento e na pesquisa, como a cirurgia plástica, o biobanco, a pesquisa translacional, os laboratórios experimentais, etc.

 

IOP – Qual a periodicidade das reuniões?

Jesus de Paula Carvalho – No ICESP, o tumor board se reúne semanalmente, todas as terças-feiras, no período das 8h às 12h, e a presença é obrigatória para as especialidades diretamente envolvidas no cuidado das pacientes (ginecologia oncológica, oncologia clinica, radio-oncologia, patologia, e cirurgia do aparelho digestivo) e facultativa para demais especialidades, como radiologia, reabilitação, biobanco, psicologia. Entretanto, existe um grande afluxo de profissionais de diferentes especialidades que fazem do tumor board da ginecologia oncológica uma atividade voluntária rotineira.

 

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