Um alerta sobre os cuidados com o diabetes

14 de novembro de 2021

Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) apontam que no Brasil existem mais de 12 milhões de pessoas vivendo com diabetes e esse número tende a aumentar. No mundo são cerca de 250 milhões. Mesmo com esses elevados índices, muitas pessoas desconhecem a gravidade dessa doença. As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como diabetes, são responsáveis por mais de 60% das mortes entre os brasileiros, sendo que o excesso de peso é o maior fator de risco para o aumento da doença.

A endocrinologista e metabologista Juliana Kaminski, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), explica que o diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue utilizar adequadamente a insulina que produz. “A insulina é produzida pelo pâncreas e é responsável pela matabolização da glicose. A insuficiência de insulina e/ou sua ação inadequada levam ao aumento da glicose no sangue, o que pode causar sintomas agudos como sede e aumento da diurese, além de consequências tardias para o organismo, como problemas nos rins, na retina, nos vasos sanguíneos, etc.”

Existem dois tipos de diabetes. O tipo 1 ocorre geralmente na infância ou adolescência, quando o sistema imunológico do corpo ataca e destrói as células que produzem insulina. Já o tipo 2, o mais comum, surge com o passar da idade, quando o organismo não produz insulina suficiente ou as células do corpo não reagem à insulina (resistência à insulina e hiperinsulinemia). O diabetes pode acarretar outras doenças, entre elas o câncer. “Há muita controvérsia se a hiperglicemia é um fator independente para o risco de câncer. Na verdade, a hiperinsulinemia tem sido considerada o fator principal de risco para o câncer em diabéticos. Há uma forte evidência da associação dos níveis elevados de insulina e aumento de risco para câncer de mama, de intestino, pâncreas e de endométrio. Um grande estudo (NHANES) incluiu 9000 participantes e reportou que a hiperinsulinemia (definida com o insulina > 10 uU/mL) foi associada ao dobro do risco de morte por câncer, e o risco relativo foi observado até mesmo em indivíduos não obesos. A insulina promove a formação tumoral por mecanismos diretos e indiretos e está relacionada ao aumento de fatores de crescimento como o IGF-1 e IGF-2”, ressalta a médica.

Como rastreamento do diabetes, um simples exame de sangue pode revelar se a pessoa está com a glicemia alterada. Sendo uma doença crônica, ela irá acompanhar a pessoa por toda vida, por isso é importante manter o tratamento corretamente. “O tratamento do diabetes depende de cuidados na dieta, com eliminação de açúcar e restrição de carboidratos em geral. A atividade física também auxilia na metabolização da glicose. Em relação à terapia farmacológica, no tipo 1 é necessário sempre o uso da insulina. No tipo 2, há várias classes de medicações orais e injetáveis disponíveis, as quais podem ser utilizadas em combinação para otimizar o controle glicêmico, e algumas apresentam efeitos adicionais, como auxílio em perda de peso, proteção cardíaca e renal”, finaliza Juliana Kaminski.