Vida ativa após o tratamento de câncer de cabeça e pescoço

21 de julho de 2017

Maus hábitos, desinformação sobre os sintomas dos tumores de cabeça e pescoço e falta de acesso aos especialistas ainda são os principais problemas para o diagnóstico precoce

 

O mês de julho é escolhido como a época para conscientizar a população sobre as neoplasias de cabeça e pescoço. Esse tipo de câncer inclui uma diversidade de doenças, sendo as mais comuns os tumores da boca (língua, assoalho da boca, lábio, dentre outros), orofaringe (amígdalas, base da língua, palato mole) e laringe. O câncer de cabeça e pescoço é o quinto mais comum no mundo, com uma incidência global de 780 mil novos casos por ano. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que no Brasil são diagnosticados 19 mil novos casos por ano com estimativas de cura, para tumores iniciais, de 80%.

Segundo a oncologista clínica do IOPDraRosane do Rocio Johnsson, o diagnóstico precoce e o tratamento de tumores iniciais contribuem muito para o prognóstico, por essa razão todos devem ficar atentos aos sintomas. Entre os mais comuns estão a presença de feridas que não cicatrizam, nódulos no pescoço, rouquidão e outras alterações da voz, dificuldade de engolir e emagrecimento. “Os hábitos saudáveis são importantes na prevenção do câncer de cabeça e pescoço. O tabagismo e o etilismo estão entre os principais fatores de risco. Outros fatores conhecidos são as infecções virais, como papilomavírus humano, o HPV.”

As sequelas da doença são muito menores quando o tratamento é realizado no estágio inicial e o paciente permanece com bons resultados de voz e deglutição. Nesta fase o tratamento inclui uma única modalidade de tratamento, cirurgia ou radioterapia. Já na doença avançada pode haver sequelas como perda da voz, dificuldade ou impossibilidade de se alimentar e deformidades. O tratamento pode incluir várias modalidades de terapia, incluindo radioterapia associada à quimioterapia ou cirurgia associada à radioterapia. “O Julho Verde é para reforçar a esperança dos pacientes também, já que o verde é a cor da esperança. Todos devem ter isso em mente. É possível continuar com uma vida de qualidade e pensar que tudo é possível”, diz DraRosane do Rocio Johnsson.

 

Uma nova vida como cantor de coral

Conheça a história de Wanderley José Bernardi, que, aos 59 anos e depois de passar por um tratamento de câncer de laringe, começou a participar de um coral que reúne pacientes laringectomizados.

“Comecei a fumar com 15 anos. Em 2004, fiz uma biopsia que não mostrou nada e mesmo assim continuei fumando. No entanto, no ano de 2009 o tumor começou a fechar a laringe e quase não conseguia respirar. Um dia, a Dra. Paola A. G. Pedruzzi (cirurgiã oncológica do IOP e do Hospital Erasto Gaertner) me avisou que existia um grupo de apoio para laringectomizados e depois de alguns anos participando das reuniões surgiu a ideia de participar do coral. Em novembro de 2016 comecei a participar do coral, mesmo sem nunca ter cantado antes. O recado que dou para todos é que evitem o cigarro e o álcool, não deixem de largar esses vícios só quando algo acontecer, o ideal é não fumar e beber. E para quem está passando por tratamento eu aviso que é preciso ter esperança. Me sinto muito bem cantando e é aquele ditado: quem canta seus males espanta.”

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