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Você sabe a diferença entre tristeza e depressão?

Psicóloga Daniele Rabelo

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão afeta mais de 322 milhões de pessoas em todo o mundo. Somente de 2005 a 2015, o número cresceu 18,4%. No Brasil, o estudo mostrou que são 11,5 milhões de brasileiros que sofrem com a doença. O país é o que tem o maior número de pessoas afetadas da América Latina e o segundo das Américas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Apesar do elevado número, muitas pessoas não sabem diferenciar o que é tristeza e depressão, podendo atrasar o início do tratamento. A psicóloga do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Daniele Rabelo, explica quais as diferenças e o que é fundamental fazer para acabar com os quadros depressivos.

IOP – Qual a definição de tristeza?
Daniele Rabelo – É muito difícil definir, pois cada pessoa terá uma vivência diferente desse sentimento. O que o dicionário mostra é que a tristeza é “falta de alegria”. Não existe uma definição de fato. Não é uma tristeza em si, é o contrário de outro sentimento.
A tristeza normalmente tem um tempo para acabar, ela vai diminuindo ao passar do tempo. Não é algo que ficará a vida inteira. Ela vai aparecer em algum momento específico, como perda de emprego ou final de um relacionamento.

IOP – O que é depressão?
Daniele Rabelo – É uma doença considerada um transtorno mental. Ela é categorizada nos maiores manuais de doenças (CID 10 e DSM5). O nome da doença é Transtorno Depressivo Maior e as pessoas começaram a falar de depressão como se fosse tristeza. Atualmente dizem que é a doença do futuro e o principal motivo é a rotina agitada e estressada que muitas pessoas levam, onde não podem errar ou fracassar e são muito cobradas.

IOP – Por que as pessoas confundem?
Daniele Rabelo – A confusão entre depressão e tristeza é o nome. Hoje todo mundo associa a depressão com tristeza como se elas fossem a mesma coisa. E não é. A palavra se tornou muito comum e não sabem diferenciar, igual à ansiedade, onde muitos não sabem diferenciar se é um sentimento do momento ou se é algo que já vai para uma patologia. Todos os sentimentos têm objetivos em nosso corpo e vida. A tristeza vai fazer com que o indivíduo passe por determinada situação e de alguma forma supere. Porém, ao invés de viver aquele momento, muitas pessoas querem evitar o sentimento, não conseguindo lidar com nenhuma delas de forma saudável. A ideia é passar pela tristeza, viver aquele momento e, aos poucos, ir diminuindo, mas não é o que temos visto acontecer ultimamente.

IOP – Como a depressão é diagnosticada?
Daniele Rabelo – Os manuais dizem que em seis meses com diversos sintomas específicos, como tristeza, ansiedade, delírios e os mais clássicos: sintomas corporais, falta de energia e apetite e insônia. Todos esses aspectos podem ser sinal de depressão e não somente tristeza. Para o diagnóstico é fundamental buscar um especialista. O tratamento consiste na combinação de medicamento com terapia psicológica, além de poder associar com terapias alternativas, entre elas a acupuntura e o Reike.

IOP – Em casos de tratamento oncológico, o que paciente e família devem fazer?
Daniele Rabelo – O sofrimento durante o tratamento do câncer vai acontecer. Ele é basicamente inerente a esse momento. Avalio se é o esperado, se é uma tristeza por causa da doença ou se é algo que possa estar caminhando para um transtorno mental de fato, como a depressão e a ansiedade.

IOP – Como é o tratamento para a depressão?
Daniele Rabelo – A tristeza vem no momento de crise e você sabe por que, mas quando a depressão se instala vem de algo generalizado e às vezes é difícil diagnosticar o motivo, por isso nesses casos é necessária a combinação de medicamento com psicoterapia, além de poder associar com terapias alternativas. É fundamental tomar medicação somente com prescrição, ainda mais hoje em dia onde pessoas tendem a trocar medicamentos entre conhecidos ou tomar um remédio que tomou há muito tempo. Quem avaliará qual o medicamento a ser prescrito é o psiquiatra.

IOP – Depois que acaba a depressão, a pessoa deve continuar com acompanhamento?
Daniele Rabelo – É uma doença que necessita de muito cuidado. Tem cura, mas nunca sabemos se pode voltar ou não, pois pode acontecer outro evento dramático na vida. Por isso é importante nesses momentos ter o acompanhamento de especialista para que seja bem conduzida. Durante o tratamento o próprio paciente aprende a identificar os sintomas, e, caso eles voltem, saberá que é hora de buscar uma ajuda profissional.

IOP – Quais as principais dicas para as pessoas?
Daniele Rabelo – É necessário aceitar esses sentimentos. A dica é: viva e se for ficar triste, fique, mas é preciso passar pelo sentimento. Se a pessoa guarda, finge que não existe, uma negação dos sentimentos considerados negativos mas necessários, em algum momento isso irá explodir e virar algo mais grave. Viva o momento e se achar que não está dando conta busque um especialista para ter esse processo mais facilitado.

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