WhatsApp pode ajudar na comunicação entre os médicos e pacientes

24 de janeiro de 2017

O aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp já ultrapassou a incrível marca de 1 bilhão de usuários em todo mundo, sendo que são trocadas mais de 42 bilhões de mensagens diariamente. Hoje em dia é muito difícil alguém que não utilize essa forma de comunicação para conversar com parentes, amigos e colegas de trabalho. Ultimamente, o aplicativo também tem sido utilizado para ajudar na comunicação entre médicos e pacientes.

Dr. José Clemente Linhares

De acordo com o cirurgião oncológico do Instituto de Oncologia do Paraná e conselheiro do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR), Dr. José Clemente Linhares, é de extrema importância lembrar que a troca de mensagens não pode, em hipótese alguma, substituir a consulta médica presencial. O paciente deve lembrar que o aplicativo pode auxiliar em dúvidas onde o médico poderá opinar o que poderá ser feito, mas é preciso sempre ter consciência do limite dessa forma de comunicação.

1 – Em tempos de redes sociais, como o WhatsApp, mudou a comunicação entre médico e paciente?

A primeira informação a dizer, e que é muito importante, é que nenhum método de comunicação virtual substitui as consultas médicas que devem ser presenciais. Com a utilização do aplicativo é possível receber informações do paciente mais atualizadas e podemos inclusive orientá-los em determinadas situações. Outra questão importante com a utilização do WhastApp ou SMS é que possibilita ao paciente enviar o seu problema, permitindo que o médico, assim que possível, entre em contato evitando que recados não cheguem ao destino final.

2 – A comunicação via aplicativo de mensagem elevou a atenção para ouvir o paciente, no sentido de aproximar a distância existente, estreitando o vínculo?

O fato de ter uma comunicação rápida permite decisões que você não tomaria se não tivesse certas informações que os pacientes passam via os aplicativos de mensagens. Por exemplo: se o paciente que está com algum sintoma diferente o profissional pode orientá-lo se ele precisa ir para um pronto-socorro ou se é mais aconselhado agendar uma consulta. Com a troca de mensagem é possível tomar uma atitude, agilizando o atendimento daquele determinado paciente. Vale ressaltar novamente que as mensagens não são consultas e muito menos pode haver orientações sobre novos medicamentos que devem ser utilizados.

3 – Esse tipo de comunicação veio como um apoio a mais ao paciente?      

Certamente, pois o fato de o paciente poder se comunicar rapidamente com o seu médico é uma forma de dar mais segurança e que ele vai conseguir chegar ao médico rapidamente. Antes alguns pacientes reclamavam que tinham dificuldade de encontrar o médico para tirar dúvidas ou deixar recados.

 4 – Como o Conselho Federal/Regional de Medicina se posiciona a este respeito?

Existe um posicionamento oficial. O próprio Código de Ética Médica diz que a consulta tem que ser presencial. Não existe a possibilidade de utilizar outras formas, como, por exemplo, as conversas em aplicativos, para realizar consultas médicas. Se houver alguma denúncia referindo estar o médico realizando consultas por esses meios, ele pode ser punido pelo Conselho, pois se trata de uma infração ao Código de Ética.

5 – Uma pesquisa britânica mostrou que 87% dos médicos que atuam no Brasil utilizam o WhatsApp, contra 61% na Itália e 50% na China. O mesmo estudo mostrou que apenas 4% dos médicos norte-americanos utilizam a ferramenta e no Reino Unido o número cai para 2%. Isso se deve ao receio que os médicos possam ter de um processo judicial?

É difícil dizer, pois o relacionamento dos médicos estrangeiros com o paciente é diferente do relacionamento dos profissionais brasileiros. Raramente você vê um médico americano, por exemplo, atendendo fora do horário de expediente. No Brasil, o paciente em situação de emergência, muitas vezes, entra em contato com o seu médico antes de se dirigir a um serviço de pronto- atendimento. Outro motivo é que médicos americanos ou ingleses preservam mais sua privacidade, sendo muito difícil que eles passem os seus números telefônicos para os pacientes, impossibilitando o contato via mensagens. É mais uma questão comportamental e cultural.

6 – A partir de que ponto a comunicação deixa de funcionar? Pelo excesso ou pela falta?

Toda vez que você oferece ao paciente a liberdade de usar esse meio de comunicação, é fundamental mostrar qual é o limite, ou seja, o limite profissional de ajudar e ficar disponível. Não pode haver abuso, utilizando esse meio de comunicação de forma banal. O paciente precisa ter conhecimento que se trata de um privilégio poder entrar em contato com o seu médico na hora que precisar.

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