Imunoterápico avelumabe é liberado para tratamento do câncer de bexiga avançado

17 de fevereiro de 2021

Imunoterápico avelumabe é liberado para tratamento do câncer de bexiga avançado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa aprovou o uso do medicamento avelumabe para tratamento do carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático na configuração de primeira linha em um estudo de fase III – JAVELIN Bladder 100.

O JAVELIN Bladder 100 (NCT02603432) é um estudo fase III, multicêntrico, multinacional, randomizado, aberto, de braços paralelos, que investigou o tratamento de primeira linha com BAVENCIO® (avelumabe) conjunto com melhores cuidados de suporte (BSC) versus BSC em pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático, cuja doença não progrediu após a conclusão da quimioterapia de primeira linha contendo platina. O estudo foi feito com 700 pacientes cuja doença não progrediu após a quimioterapia de indução conforme RECIST v1.1 foram randomizados para receber BAVENCIO® (avelumabe) mais BSC ou BSC isolado.

Pesquisadores concluíram que a sobrevida mediana do primeiro grupo foi de 21 meses, enquanto a do outro ficou em 14 meses. Viu-se também que o avelumabe reduziu o risco de morte em 31% dentro do tempo analisado. Os efeitos adversos mais frequentes apresentados foram fadiga, prurido, infecção do trato urinário, diarreia e artralgia.

De acordo com o uro-oncologista e cirurgião oncológico Murilo de Almeida Luz, do Instituto de Oncologia do Paraná, “Embora utilizando drogas já conhecidas, este é um conceito novo. Pela primeira vez provou-se que a manutenção com imunoterapia após tratamento com quimioterapia pode beneficiar pacientes com câncer urotelial, particularmente o de bexiga. Demonstrou-se ganhos de sobrevida média de 7 meses ou cerca de 13% em 1 ano, o que é bastante relevante neste cenário, considerando que alguns pacientes bons respondedores tiveram controle sustentado por prazos bem mais longos. Este é um avanço importante, mas ainda temos muito a crescer, principalmente identificando de maneira mais precisa quais pacientes irão tirar o maior benefício desta ou de outras estratégias”.

Câncer de bexiga responde por 90% dos casos dos carcinomas uroteliais

O carcinoma urotelial inclui tumores originários das células uroteliais que revestem a bexiga, pelve renal, ureter e também a uretra. Somente o câncer de bexiga é responsável por 90% dos carcinomas uroteliais, com aproximadamente 550.000 novos casos diagnosticados e 200.000 mortes em todo o mundo a cada ano. Dados de 2018 apontam que no Brasil houve 13.537 novos casos de câncer de bexiga, colocando esse tipo de neoplasia na 9ª posição em incidência de câncer no país.