HPV é um dos vírus mais comuns do mundo e é sexualmente transmissível, embora muitas vezes seja negligenciado pode ter graves consequências para a saúde. Estudos mostram que o HPV está diretamente ligado ao desenvolvimento de vários tipos de câncer, incluindo câncer de colo de útero, câncer de garganta, câncer no ânus e câncer no pênis.
O que é HPV?
O HPV (sigla para Papilomavírus Humano) é um vírus muito comum que infecta a pele e as mucosas do corpo, como a região genital, o ânus, a boca e a garganta. Ele é transmitido principalmente pelo contato direto com a pele durante relações sexuais, mas também pode ser transmitido mesmo sem penetração, apenas com o contato íntimo da região genital.
Existem mais de 200 tipos de HPV conhecidos, e cerca de 40 tipos podem afetar a região genital de homens e mulheres. Entre esses, alguns são chamados de HPV de baixo risco, por causarem verrugas genitais (também conhecidas como “crista de galo” ou condilomas). Outros são HPV de alto risco, capazes de causar alterações nas células que, com o tempo, podem se transformar em câncer.
Como o HPV pode causar câncer?
O HPV pode contribuir para o desenvolvimento de câncer porque, ao infectar as células da pele ou das mucosas, ele pode interferir no funcionamento normal do DNA dessas células.
Alguns tipos de HPV — chamados de alto risco oncogênico — produzem proteínas virais (E6 e E7) que inativam mecanismos de defesa celular, como os genes p53 e Rb, responsáveis por controlar o crescimento e a morte natural das células.
Quando essas proteínas são “desligadas”, as células passam a se multiplicar de forma desordenada, podendo acumular mutações e transformar-se em células cancerígenas ao longo do tempo.
Tipos de câncer relacionados ao HPV
Entre os mais de 200 tipos conhecidos de HPV, cerca de 14 são considerados de alto risco para o câncer (OMS, 2024).
Os tipos 16 e 18 são os mais agressivos, sendo responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero no mundo (CDC, 2024).
Esses mesmos tipos também estão ligados a cânceres de garganta, ânus, pênis, vulva e vagina.
Outros tipos de alto risco, como 31, 33, 45, 52 e 58, também podem causar alterações celulares que antecedem o câncer.
O HPV está associado a vários tipos de câncer:
| Tipo de Câncer | Tipo de HPV Associado |
| Câncer de colo do útero | HPV 16 e 18 |
| Câncer anal | HPV 16 e 18 |
| Câncer de garganta (orofaríngeo) | HPV 16 |
| Câncer de pênis | HPV 16 |
| Câncer de vulva e vagina | HPV 16 e 18 |
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Instituto Butantan, o HPV pode causar até seis tipos diferentes de câncer, sendo a vacinação a forma mais segura e eficaz de proteção. (fonte).
Como o HPV é transmitido?
O HPV (Papilomavírus Humano) é transmitido principalmente por via sexual, através do contato direto com a pele ou mucosas infectadas, com ou sem penetração ou ejaculação.
O uso de preservativos reduz o risco de contágio, mas não elimina completamente, já que o vírus pode atingir áreas não cobertas pela camisinha.
Também podem ocorrer casos de transmissão por:
Contato pele a pele nas regiões genitais durante o contato íntimo;
Compartilhamento de objetos íntimos, como toalhas ou roupas íntimas (menos comum);
Transmissão de mãe para filho durante o parto (situação rara, mas possível).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, e mais de 80% das pessoas sexualmente ativas entram em contato com o vírus ao longo da vida
É importante lembrar que ter HPV não significa que a pessoa terá câncer.
Na maioria das vezes (em cerca de 90% dos casos), o sistema imunológico elimina o vírus naturalmente em até dois anos (OMS, 2023).
Entretanto, quando o vírus permanece ativo por muito tempo (infecção persistente), especialmente pelos tipos de alto risco, ele pode causar alterações celulares progressivas, que — se não forem detectadas e tratadas — podem evoluir para câncer ao longo de 10 a 20 anos.
Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental para detectar precocemente as alterações e prevenir o câncer.
Sintomas de HPV
Na maioria dos casos, o HPV não apresenta sintomas; sinais visíveis e desaparece naturalmente. Quando há sinais visíveis, eles podem variar entre homens e mulheres:
Nos homens:
- Verrugas no pênis, bolsa escrotal ou ânus;
- Irritação, coceira ou desconforto local;
- Feridas que demoram a cicatrizar.
Nas mulheres:
- Verrugas genitais externas (vulva) ou internas (vagina, colo de útero, ânus);
- Corrimento anormal persistente;
- Sangramentos fora do período menstrual;
- Alterações detectadas nos exames preventivos, como o Papanicolau.
- Os primeiros sintomas nas mulheres são sutis, por isso é essencial realizar exames preventivos regularmente, mesmo quando não se sente nada.
Prevenção do HPV:
A melhor forma de evitar complicações causadas pelo HPV é combinando vacinação, proteção sexual e rastreamento periódico.
1. Vacinação
A vacina é segura e eficaz, e protege contra os principais tipos de HPV que causam câncer e verrugas genitais. É indicada para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos (antes do início da vida sexual) – duas doses
- Adultos até 45 anos, sob orientação médica – três doses
Há dois tipos de vacina de uso mais frequente no Brasil:
- Vacina Quadrivalente: protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, presente na rede pública de saúde
- Vacina Nonavalente: protege contra os tipos 16 e 18, presente na rede suplementar de saúde.
Os estudos mostram que a vacina contra o HPV pode reduzir até 90% dos casos de câncer de colo uterino. Até mesmo as pessoas que já tiveram contato com vírus HPV, há benefícios de receber a vacina, embora seu efeito esteja reduzido.
2. Proteção Sexual
- Uso de preservativos
Diminui o risco de contágio, embora não ofereça proteção total. - Educação sexual
Falar abertamente sobre prevenção faz diferença na conscientização para redução da infecção.
3. Rastreamento periódico com exames
O consagrado Papanicolaou anual, e depois a cada 3 anos se dois exames consecutivos negativos pode detectar as alterações causadas pelo vírus do HPV. Quando o exame está alterado, deve-se seguir a investigação com exame de colposcopia e biópsia, sempre que indicado. O teste de detecção do DNA do HPV é o exame mais moderno, agora oferecido pela rede pública de saúde, e que pode ser realizado a cada 5 anos quando o resultado é negativo.
A Eliminação do Câncer no Mundo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma meta global chamada 90-70-90 para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública nas próximas décadas. Isso significa que os países devem alcançar 90% das meninas vacinadas contra o HPV até os 15 anos, 70% das mulheres examinadas com testes preventivos eficazes até os 35 e novamente aos 45 anos, e garantir que 90% das mulheres com alterações ou câncer recebam tratamento adequado e acompanhamento.
Quando essas metas são cumpridas, o número de novos casos e mortes por câncer de colo do útero caiu drasticamente em países como a Austrália— a ponto de se tornar uma doença rara, ou mesmo considerada “eliminada”.
- A mensagem é clara: com vacinação, exames regulares e acesso ao tratamento, o câncer de colo do útero pode ser o primeiro câncer totalmente prevenível e eliminável do mundo.
Perguntas frequentes sobre HPV e câncer
Não. A maioria das infecções é eliminada naturalmente pelo próprio sistema imunológico. Apenas uma pequena parcela das infecções persistentes pode evoluir para câncer, ao longo de vários anos.
Sim. A vacina ajuda a prevenir novas infecções e protege contra outros tipos de HPV.
Atualmente o HPV não tem cura, mas as lesões e os sintomas têm tratamento. O acompanhamento médico continua sendo essencial.
O DNA do vírus do HPV pode ser detectado com testes específicos, atualmente disponíveis através do sistema público de saúde.
É raro, mas pode acontecer quando há infecção ativa pelo vírus na boca ou na garganta.
Sim. Vários estudos comprovam alta eficácia e segurança da vacina.
Mais de 500 milhoes de doses já foram aplicadas em todo o mundo, com redução expressiva de lesões causadas pelos vírus do HPV.
Mais de 500 milhões de doses já foram aplicadas em todo o mundo, com redução expressiva de lesões causadas pelos vírus do HPV.
O HPV é muito comum, mas suas complicações podem ser graves quando não diagnosticadas a tempo.
A vacinação — especialmente com a vacina nonavalente, agora disponível em diversos países, inclusive no Brasil —, o uso de preservativo e os exames preventivos regulares são medidas fundamentais para evitar até 90% dos casos de câncer causados pelo HPV.
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Texto assinado por: Dra. Audrey Tsunoda – IOP





