Receber o diagnóstico de câncer de pele costuma gerar muitas dúvidas sobre qual é o tratamento mais indicado. Entre as opções disponíveis, a cirurgia micrográfica de Mohs é considerada uma das técnicas mais precisas para a remoção de determinados tipos de câncer de pele.
O principal diferencial da cirurgia de Mohs é permitir a análise microscópica das margens do tumor durante o próprio procedimento, aumentando as taxas de cura e preservando o máximo possível de pele saudável.
Como acontece a cirurgia de Mohs?
A cirurgia micrográfica de Mohs é realizada por um médico dermatologista com formação específica na técnica. O procedimento combina cirurgia e análise microscópica em etapas sucessivas, permitindo identificar exatamente onde ainda existem células cancerígenas.
De forma simplificada, o procedimento acontece assim:
1. Avaliação e demarcação do tumor
Antes da cirurgia, o médico examina cuidadosamente a lesão e delimita sua área visível. Em alguns casos, são utilizados recursos como a dermatoscopia para auxiliar na definição dos limites do tumor.
2. Remoção da primeira camada de tecido
Com anestesia local, é retirada uma fina camada de tecido contendo o tumor visível e uma pequena margem de segurança ao redor. Diferentemente da cirurgia convencional, a retirada inicial é bastante conservadora.
3. Mapeamento e análise microscópica
O tecido removido é cuidadosamente mapeado e processado para análise microscópica. O cirurgião consegue identificar exatamente se ainda existem células tumorais e em qual região elas estão localizadas.
4. Retirada apenas das áreas necessárias
Se forem encontradas células cancerígenas em alguma margem, uma nova camada é removida apenas naquela região específica. O tecido é novamente analisado. Esse processo se repete até que não haja mais sinais de tumor.
5. Reconstrução da área operada
Após a confirmação de que todo o câncer foi removido, o médico realiza o fechamento da área operada, que pode ser feito com sutura simples, retalhos ou enxertos, dependendo do tamanho e da localização da lesão.
Embora o procedimento possa levar algumas horas, ele geralmente é realizado em ambiente ambulatorial, permitindo que o paciente retorne para casa no mesmo dia.
Vantagens da cirurgia de Mohs
A cirurgia de Mohs é reconhecida mundialmente por oferecer excelentes resultados oncológicos e estéticos. Entre os principais benefícios estão:
- Maior taxa de cura: como todas as margens são examinadas durante o procedimento, a chance de restar alguma célula tumoral é muito menor. Por isso, a técnica apresenta algumas das maiores taxas de cura para câncer de pele.
- Preservação máxima de pele saudável: a remoção acontece de forma extremamente precisa, retirando apenas o tecido comprometido. Isso é especialmente importante em regiões delicadas, como nariz, pálpebras, orelhas e lábios.
- Menor risco de recidiva: ao analisar 100% das margens cirúrgicas durante o procedimento, a técnica reduz significativamente o risco de o tumor voltar a surgir no mesmo local.
- Melhores resultados estéticos: a preservação de tecido saudável costuma resultar em cicatrizes menores e reconstruções mais favoráveis, especialmente em áreas visíveis do rosto.
Para quem é indicada a cirurgia de Mohs?
Nem todo câncer de pele precisa ser tratado com cirurgia de Mohs. A indicação é feita após avaliação individualizada pelo dermatologista ou cirurgião especializado.
De forma geral, a técnica costuma ser recomendada para:
- Carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular de maior risco;
- Tumores localizados em áreas nobres da face, como nariz, pálpebras, lábios e orelhas;
- Lesões com limites pouco definidos;
- Tumores grandes ou de crescimento agressivo;
- Casos em que o câncer voltou após um tratamento anterior;
- Situações em que é fundamental preservar a maior quantidade possível de tecido saudável.
Em alguns casos selecionados, a cirurgia de Mohs também pode ser utilizada para outros tipos de câncer de pele, conforme avaliação médica especializada.
Qual a diferença entre cirurgia de Mohs e a cirurgia “normal” de câncer de pele?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes dos pacientes.
Na cirurgia convencional, o tumor é removido junto com uma margem previamente determinada de pele saudável. O material é enviado para análise em laboratório, e o resultado costuma ficar pronto dias depois. Caso sejam identificadas células tumorais nas margens, pode ser necessária uma nova cirurgia.
Já na cirurgia de Mohs, a análise das margens acontece durante o próprio procedimento. O médico sabe exatamente onde ainda existem células cancerígenas e remove apenas as áreas necessárias, repetindo o processo até obter margens totalmente livres.
A melhor técnica depende das características do tumor, da localização da lesão e das necessidades de cada paciente. Por isso, a decisão deve sempre ser tomada após avaliação médica especializada.
Revisão médica: Dr. Gustavo Vasili Lucas (CRM/PR 29748), Oncologista Clínico do IOP.



