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Câncer de mama: tipos, sintomas e tratamento

O câncer de mama é um dos tipos de câncer mais comuns entre as mulheres brasileiras, perdendo apenas para os tumores de pele não melanoma. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), milhares de novos casos são diagnosticados todos os anos no país, tornando a doença um importante desafio de saúde pública.

Apesar dos números expressivos, os avanços no diagnóstico e no tratamento têm permitido resultados cada vez melhores. Quando identificado precocemente, o câncer de mama apresenta elevadas taxas de cura e maiores possibilidades de tratamentos menos agressivos.

Por isso, conhecer os sintomas, os fatores de risco e as formas de prevenção é um passo importante para cuidar da própria saúde.

 

O que é câncer de mama?

O câncer de mama surge quando células da mama sofrem alterações genéticas e passam a se multiplicar de forma desordenada. Com o tempo, essas células podem formar um tumor que, dependendo do tipo e do estágio da doença, pode permanecer localizado ou se espalhar para outras partes do corpo.

Embora seja muito mais frequente em mulheres, o câncer de mama também pode ocorrer em homens, representando cerca de 1% dos casos.

Hoje sabemos que o câncer de mama não é uma doença única. Existem diferentes subtipos biológicos, cada um com características próprias, o que explica por que o tratamento é sempre individualizado.

 

Tipos mais comuns de câncer de mama

Carcinoma ductal invasivo

O carcinoma ductal invasivo é o tipo mais frequente de câncer de mama. Tem origem nos ductos mamários, estruturas responsáveis por transportar o leite até o mamilo. Ele recebe o nome de invasivo porque possui capacidade de ultrapassar os ductos e atingir tecidos vizinhos.

 

Carcinoma lobular invasivo

Surge nos lóbulos mamários, responsáveis pela produção do leite. Em alguns casos, pode ser mais difícil de identificar em exames de imagem, exigindo avaliação cuidadosa da equipe médica.

 

Carcinoma ductal in situ

É considerado uma forma inicial da doença. As células anormais permanecem restritas aos ductos mamários, sem invasão dos tecidos adjacentes. Quando diagnosticado nessa fase, as chances de cura costumam ser muito elevadas.

 

Tipos mais raros de câncer de mama

Câncer de mama inflamatório

É uma forma mais rara e agressiva da doença. Pode provocar vermelhidão, calor, inchaço e espessamento da pele da mama, muitas vezes sem a presença de um nódulo evidente.

 

Doença de Paget da mama

Afeta principalmente o mamilo e a aréola. Os sintomas podem incluir descamação, coceira, vermelhidão e irritação persistente.

 

Tumor filoides e angiossarcoma

São tumores raros que exigem avaliação especializada para definição do tratamento mais adequado. Além dessas classificações, os tumores também podem ser divididos de acordo com características moleculares, como os subtipos luminal A, luminal B, HER2 positivo e triplo-negativo, que ajudam a orientar o tratamento.

 

Subtipos de acordo com as características moleculares

Os tumores de mama também podem ser classificados de acordo com suas características moleculares, o que ajuda a definir o tratamento mais adequado para cada paciente. 

O subtipo luminal A costuma apresentar crescimento mais lento e, em geral, responde bem à terapia hormonal. Já o luminal B também costuma ser sensível aos hormônios, mas tende a ser mais agressivo e, em alguns casos, exige a combinação de hormonioterapia com quimioterapia. 

O HER2 positivo é caracterizado pela presença aumentada da proteína HER2, que favorece o crescimento do tumor, mas atualmente conta com terapias-alvo bastante eficazes para esse tipo de câncer. 

Por fim, o triplo-negativo não apresenta receptores hormonais nem a proteína HER2, sendo um subtipo mais agressivo, porém que também dispõe de opções de tratamento, como quimioterapia e, em situações específicas, imunoterapia e terapias direcionadas. 

Cada caso é único, e essa classificação permite que a equipe médica personalize o tratamento para oferecer as melhores chances de controle da doença.

 

Sintomas do câncer de mama

Quando falamos em sintomas de câncer de mama, o sinal mais conhecido é o aparecimento de um nódulo na mama ou na axila. No entanto, essa não é a única manifestação possível.

Os principais sinais de alerta para o câncer de mama incluem:

  • Nódulo endurecido na mama ou axila; 
  • Alterações no formato ou no tamanho da mama; 
  • Retração da pele ou do mamilo; 
  • Vermelhidão persistente; 
  • Pele com aspecto de “casca de laranja”; 
  • Saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente sanguinolenta; 
  • Feridas que não cicatrizam na região mamária; 
  • Inchaço localizado.

 

Uma dúvida muito comum é: câncer de mama dói? Na maioria dos casos iniciais, o câncer de mama não provoca dor. Por isso, a ausência de dor não significa que está tudo bem. Qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um especialista.

 

Fatores de risco para o câncer de mama

O desenvolvimento do câncer de mama está relacionado a uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais.

 

Fatores não modificáveis

São fatores que não podem ser alterados:

  • Sexo feminino; 
  • Envelhecimento; 
  • Histórico familiar de câncer de mama ou ovário; 
  • Mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2; 
  • Histórico pessoal de câncer de mama; 
  • Exposição prévia à radioterapia na região torácica. 

 

Fatores modificáveis

Alguns hábitos de vida podem influenciar o risco da doença:

  • Sedentarismo; 
  • Excesso de peso, especialmente após a menopausa; 
  • Consumo de álcool; 
  • Tabagismo; 
  • Alimentação inadequada. 

 

Estima-se que cerca de 30% dos casos de câncer de mama possam estar relacionados a fatores modificáveis.

 

Fatores hormonais e reprodutivos

A exposição prolongada aos hormônios femininos também pode influenciar o risco. Entre os fatores mais conhecidos estão:

  • Primeira menstruação antes dos 12 anos; 
  • Menopausa após os 55 anos; 
  • Primeira gravidez após os 30 anos; 
  • Não ter engravidado; 
  • Uso prolongado de terapia hormonal na menopausa; 
  • Não amamentar. 

 

A amamentação é considerada um fator protetor e seus benefícios vão muito além da saúde do bebê.

 

Como é feito o diagnóstico do câncer de mama?

O diagnóstico do câncer de mama envolve a combinação de avaliação clínica, exames de imagem e confirmação por biópsia. A mamografia continua sendo o principal exame para rastreamento da doença e tem papel fundamental na identificação de tumores ainda muito pequenos, antes mesmo do surgimento dos sintomas.

Outros exames podem ser utilizados conforme a necessidade de cada paciente:

  • Ultrassonografia mamária; 
  • Ressonância magnética das mamas; 
  • Biópsia; 
  • Exames anatomopatológicos e moleculares. 

 

A confirmação definitiva do diagnóstico ocorre por meio da análise do tecido coletado na biópsia.

 

Estágios do câncer de mama

O estágio da doença indica o tamanho do tumor e o grau de disseminação. Os estágios de câncer de mama são:

  • Estágio 0: tumor localizado, sem invasão dos tecidos vizinhos;
  • Estágio I: tumor pequeno e restrito à mama;
  • Estágio II: doença inicial com possível comprometimento de linfonodos próximos;
  • Estágio III: tumor localmente avançado, com maior comprometimento regional;
  • Estágio IV: presença de metástases em outros órgãos, como pulmão, fígado, ossos ou cérebro. 

 

A categorização em estágios é fundamental para definir o tratamento mais adequado e estimar o prognóstico.

 

Opções de tratamento para câncer de mama

O tratamento é individualizado e leva em consideração o subtipo do tumor, o estágio da doença e as características de cada paciente.

As principais opções de tratamento para câncer de mama incluem:

  • Cirurgia: pode variar desde procedimentos conservadores, que preservam parte da mama, até mastectomias mais extensas;
  • Quimioterapia: utiliza medicamentos que atuam no combate às células cancerígenas;
  • Radioterapia: emprega radiação direcionada para eliminar células tumorais remanescentes;
  • Hormonioterapia: indicada para tumores sensíveis aos hormônios femininos;
  • Terapias-alvo: medicamentos modernos que atuam em características específicas das células tumorais;
  • Imunoterapia: utilizada em situações selecionadas, estimulando o sistema imunológico a combater o câncer. Ela reabilita o sistema imunológico do próprio paciente para que ele reconheça e destrua o tumor.

 

Prevenção do câncer de mama

Embora nem todos os casos possam ser evitados, existem medidas que ajudam a reduzir o risco da doença. Algumas atitudes importantes incluem:

  • Praticar atividade física regularmente; 
  • Manter peso adequado; 
  • Evitar o consumo excessivo de álcool; 
  • Não fumar; 
  • Adotar uma alimentação equilibrada; 
  • Amamentar sempre que possível. 

 

Acompanhamento e rastreamento

Além dos hábitos saudáveis, o rastreamento continua sendo uma das estratégias mais importantes para o diagnóstico precoce

A mamografia é capaz de identificar tumores em fases iniciais, muitas vezes antes do aparecimento de qualquer sintoma. Por isso, é fundamental conversar com seu médico sobre a idade ideal para iniciar os exames e a frequência mais adequada para o seu perfil de risco. 

Quando falamos em câncer de mama, informação e diagnóstico precoce continuam sendo ferramentas fundamentais para salvar vidas. Conhecer os sinais de alerta, realizar os exames recomendados e procurar orientação médica diante de qualquer alteração são atitudes que podem fazer toda a diferença para a saúde e a qualidade de vida.

 

Revisão médica: Dra. Rosane R. Johnsson (CRM/PR 11412, RQE 7320), Oncologista Clínica do IOP.

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