Receber o diagnóstico de câncer de mama costuma trazer muitas dúvidas, mas uma das coisas mais importantes é entender que a doença não é única.
Quando falamos em câncer de mama, estamos nos referindo a um grupo de tumores que podem apresentar características, comportamentos e tratamentos bastante diferentes. Essa classificação é importante porque influencia diretamente o prognóstico e a escolha da melhor estratégia terapêutica para cada paciente.
Os avanços da medicina permitiram compreender melhor os diferentes subtipos da doença, tornando os tratamentos cada vez mais personalizados.
Tipos de câncer de mama
Ao todo, falamos em 9 tipos de câncer de mama:
- Carcinoma ductal in situ (CDIS)
- Carcinoma ductal invasivo
- Carcinoma lobular invasivo
- Câncer de mama triplo-negativo
- Câncer de mama HER2 positivo
- Câncer de mama luminal A
- Câncer de mama luminal B
- Câncer de mama inflamatório
- Doença de Paget da mama
Abaixo, veremos mais detalhes sobre cada um deles.
Carcinoma ductal in situ (CDIS)
O carcinoma ductal in situ é considerado uma das formas mais iniciais do câncer de mama.
Ele surge nos ductos mamários, canais responsáveis por transportar o leite até o mamilo, mas permanece restrito a essa região, sem invadir os tecidos vizinhos. Por não apresentar invasão, o CDIS é frequentemente chamado de câncer de mama não invasivo.
Na maioria dos casos, esse tipo de tumor é identificado durante exames de mamografia, muitas vezes antes mesmo de provocar sintomas. Quando diagnosticado precocemente, apresenta excelentes taxas de controle e cura.
Carcinoma ductal invasivo
O carcinoma ductal invasivo é o tipo mais comum de câncer de mama, responsável por aproximadamente 70% a 80% dos casos diagnosticados. Por ser o subtipo mais frequente, grande parte dos avanços nos tratamentos nos últimos anos foi direcionada para esse grupo de pacientes.
Ele também se origina nos ductos mamários, mas possui capacidade de ultrapassar essa estrutura e invadir os tecidos ao redor. Dependendo do estágio da doença, pode alcançar linfonodos e outras regiões do organismo.
Carcinoma lobular invasivo
O carcinoma lobular invasivo tem origem nos lóbulos mamários, estruturas responsáveis pela produção do leite. Ele representa cerca de 10% a 15% dos casos de câncer de mama.
Uma característica importante deste subtipo é que ele pode crescer de forma mais difusa, tornando sua identificação um pouco mais desafiadora em alguns exames de imagem. Por esse motivo, em determinadas situações, exames complementares como a ressonância magnética podem ajudar na avaliação da extensão da doença.
Câncer de mama triplo-negativo
O câncer de mama triplo-negativo é um subtipo que não apresenta receptores para estrogênio, progesterona nem superexpressão da proteína HER2. Embora represente uma parcela menor dos casos, costuma receber bastante atenção devido ao seu comportamento biológico mais agressivo.
O câncer de mama triplo-negativo é mais frequentemente observado em mulheres jovens e em pacientes com mutações genéticas, especialmente nos genes BRCA1.
Nos últimos anos, novas opções terapêuticas, incluindo imunoterapia e terapias-alvo, ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento para esse grupo.
Câncer de mama HER2 positivo
O câncer de mama HER2 positivo apresenta aumento da expressão de uma proteína chamada HER2, que estimula o crescimento das células tumorais. O diagnóstico deste subtipo é realizado por meio de exames laboratoriais feitos após a biópsia.
No passado, esse subtipo era considerado um dos mais agressivos. Atualmente, graças ao desenvolvimento de medicamentos específicos que bloqueiam essa proteína, os resultados do tratamento melhoraram de forma expressiva.
Câncer de mama luminal A
O câncer de mama luminal A é um dos subtipos mais frequentes e geralmente apresenta comportamento menos agressivo. Costuma crescer mais lentamente e responde bem à hormonioterapia, tratamento que bloqueia a ação dos hormônios responsáveis pelo crescimento tumoral. Em muitos casos, apresenta excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente.
Câncer de mama luminal B
O câncer de mama luminal B também possui receptores hormonais positivos, mas costuma apresentar crescimento mais acelerado quando comparado ao luminal A. Dependendo das características do tumor, o tratamento pode incluir uma combinação de cirurgia, hormonioterapia, quimioterapia e, em alguns casos, terapias-alvo.
Câncer de mama inflamatório
O câncer de mama inflamatório é uma forma rara da doença. Diferentemente da maioria dos tumores mamários, ele nem sempre se manifesta como um nódulo palpável.
Os sintomas do câncer de mama inflamatório costumam incluir:
- Vermelhidão da mama;
- Inchaço;
- Sensação de calor local;
- Espessamento da pele;
- Aspecto de “casca de laranja”.
Por apresentar evolução rápida, requer investigação médica imediata.
Doença de Paget da mama
A Doença de Paget da mama é um tipo raro de câncer que acomete principalmente o mamilo e a aréola.
Os sintomas podem ser confundidos com problemas dermatológicos comuns, incluindo:
- Coceira;
- Descamação;
- Vermelhidão;
- Ardência;
- Pequenas feridas persistentes.
Por esse motivo, alterações persistentes no mamilo devem sempre ser avaliadas por um especialista.
Como interpretar os resultados dos exames de câncer de mama?
Uma dúvida bastante comum após a realização de exames é entender o significado dos termos presentes nos laudos. Palavras como carcinoma, invasivo, HER2 positivo, triplo-negativo, luminal ou in situ podem causar preocupação, mas não devem ser interpretadas isoladamente.
O diagnóstico do câncer de mama depende da combinação de diversas informações, incluindo:
- Exame físico;
- Mamografia;
- Ultrassonografia;
- Ressonância magnética;
- Biópsia;
- Exames anatomopatológicos e moleculares.
É justamente a análise conjunta desses resultados que permite definir o tipo de câncer, o estágio da doença e o tratamento mais adequado. Por isso, sempre recomendo que o resultado dos exames seja discutido diretamente com o médico responsável pelo acompanhamento.
Diagnóstico e próximos passos
O diagnóstico do câncer de mama vai muito além da identificação de um tumor. Hoje, compreender o subtipo biológico da doença é uma etapa fundamental para construir um plano de tratamento individualizado e mais eficaz.
Felizmente, os avanços da medicina permitiram que muitos tipos de câncer de mama passassem a contar com terapias altamente direcionadas, aumentando as chances de controle da doença e melhorando a qualidade de vida das pacientes.
Prevenir e diagnosticar cedo são as defesas mais poderosas contra o câncer de mama. Escolhas saudáveis no dia a dia ajudam a evitar a doença, e os exames de rotina garantem que, se ela surgir, seja combatida a tempo e com as maiores chances de cura.
Revisão médica: Dra. Rosane R. Johnsson (CRM/PR 11412, RQE 7320), Oncologista Clínica do IOP.



