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Atuação do endocrinologista no tratamento do câncer

Hoje, 1º de setembro, comemora-se o Dia do Endocrinologista e por isso, nesse artigo, vamos abordar a atuação do endocrinologista no tratamento do câncer.

A endocrinologia é uma especialidade médica que atua em doenças hormonais e distúrbios metabólicos. Durante o tratamento oncológico, os desequilíbrios hormonais e metabólicos são comuns, por isso é importante a participação do médico endocrinologista na equipe que trata o paciente com câncer.

Os hormônios são substâncias produzidas pelas glândulas que compõem o sistema endócrino – do grego endos, que significa dentro, e krygnos, cujo significado é secreção.

“Os hormônios estão em atividade em todo o nosso corpo e cada um deles te m uma função diferente, porém, há alguns que trabalham em conjunto. Não é possível viver sem os hormônios, pois são eles que regulam, por exemplo, a quantidade de açúcar no sangue, evitando o excesso ou a falta”, cita a endocrinologista e metabologista Juliana Kaminski, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP.

Atuação do endocrinologista no tratamento do câncer

A atuação do endocrinologista é na investigação, tratamento e restabelecimento hormonal e metabólico dos pacientes oncológicos nas fases pré e pós-cirúrgicas e durante tratamento com quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia.

Uma das medicações mais utilizadas no tratamento oncológico é o glicocorticoide, seja como medicamento de suporte durante a quimioterapia ou como parte dos protocolos para tratamento de tumores hematológicos, como mieloma múltiplo, linfoma, etc., por exemplo, ou ainda para reduzir o edema cerebral em tumores do sistema nervoso central.

Um dos principais efeitos colaterais do glicocorticoide é o aumento da glicemia e descompensação do diabetes.

Existem também algumas medicações oncológicas, como os inibidores de quinase, mais especificamente o inibidor de quinase empregado nos tumores de mama avançados, que causam aumento significativo da glicemia.

“Nessas situações, o endocrinologista atua diretamente no controle glicêmico do paciente, na prescrição de antidiabéticos orais ou, em casos mais graves, de insulinoterapia”, aponta Dra. Juliana.

O uso de imunoterápicos

Recentemente, um grande avanço na área da oncologia clínica é o uso de imunoterápicos ou os chamados inibidores do checkpoint.

São medicações que combatem a proliferação tumoral ao atuar no sistema imunológico do paciente, no entanto, podem afetar o funcionamento das glândulas como efeito colateral.

De acordo com a endocrinologista, “Hoje vemos as endocrinopatias associadas aos imunoterápicos, sendo a mais comum a disfunção tireoidiana, em aproximadamente 15% dos pacientes.

Além disso, podem ocorrer disfunções na hipófise, nas glândulas adrenais e outras”.

Também vale a pena destacar a atuação do endocrinologista no controle de peso dos pacientes oncológicos, principalmente nas pacientes que tiveram câncer de mama.

Essas mulheres tendem a ganho de peso devido à menopausa induzida pela quimioterapia e pelo uso das terapias antiestrogênicas.

“Já está claro que o ganho de peso nessas pacientes se associa a maior risco de recidiva tumoral. O papel do endocrinologista é reforçar a importância do controle da qualidade e da quantidade de alimentos ingeridos ao longo do dia, bem como a necessidade de atividade física regular e, conforme o caso, avaliar a indicação de medicações para auxílio na perda de peso”, destaca a especialista.

Outras alterações endócrinas que podem acometer o paciente oncológico são as citadas abaixo:

Gônadas: na mulher, a principal causa da falência ovariana e menopausa é o tratamento para o câncer de mama; no homem, o hipogonadismo pode ocorrer durante o tratamento do câncer de próstata, como consequência da terapia de deprivação androgênica.

Hipófise: o hipopituitarismo pode ocorrer em pacientes com tumores do sistema nervoso central após o tratamento cirúrgico ou radioterápico, com repercussão não apenas nos hormônios produzidos pela adenohipófise, mas também causando o diabetes insipidus.

Osso: a osteoporose é frequente nos pacientes submetidos à terapia de deprivação androgênica (câncer de próstata), nas mulheres que usam inibidores de aromatase (câncer de mama), em pacientes com câncer hematológico e todos que necessitam de terapia com glicocorticoide por um periodo superior a seis meses.

Tireoide: a radioterapia usada para câncer de cabeça, pescoço e linfoma pode causar disfunção na tireoide.

 

 

Texto por: Instituto de Oncologia do ParanáIOP

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