Cuidados com a boca antes e durante a quimioterapia e radioterapia

9 de maio de 2022

Pacientes oncológicos que fazem tratamento com quimioterapia ou radioterapia ficam mais suscetíveis a infecções bucais. São os efeitos colaterais do tratamento e podem variar de pessoa para pessoa na medida em que o corpo reage a ele. “Isso pode acontecer por que os pacientes tendem a ficar com o sistema imunológico enfraquecido (imunossupressão), deixando o organismo susceptível a infecções que podem se iniciar na boca”, cita a cirurgiã-dentista e especialista em cirurgia bucomaxilofacial Caroline Ramos, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP.

 

Entre os efeitos colaterais mais sentidos estão a perda do paladar, o surgimento de xerostomia (boca seca), principalmente em pacientes que fazem radioterapia no pescoço ou na face, mucosite (feridas na boca), cárie de radiação, candidíase (infecção por fungos conhecida como sapinho), disfagia (dificuldade de deglutir), trismo (dificuldade de abertura bucal).

 

Dra. Caroline Ramos recomenda que os pacientes que serão submetidos à quimio e radioterapia devam ser examinados por um cirurgião-dentista para que o tratamento odontológico, preferencialmente, anteceda ao oncológico. “A boca precisa ser avaliada para ver a necessidade da remoção de dentes comprometidos, tratar cáries e diminuir a quantidade de bactérias. Fazer uma limpeza dos dentes também é recomendado”, destaca. Outro cuidado que se deve ter é com próteses, pontes, dentaduras e implantes, pois a área em seu entorno acaba sofrendo um pouco mais de radiação pelo reflexo do metal, o que pode levar a ocorrência de uma osteorradionecrose.

 

Efeitos colaterais

 

Um dos efeitos colaterais provenientes das terapias é a mucosite, inflamação dos tecidos que revestem as mucosas da boca e que costuma provocar uma sensação de queimação, dor, vermelhidão, úlceras (aftas) e feridas na mucosa, que se estendem com frequência para a laringe e a faringe.

 

A xerostomia (boca seca) também é comum ocorrer em alguns tipos de quimioterapia e frequentemente nos tratamentos com radioterapia. “O paciente com boca seca geralmente possui acúmulo de placa bacteriana, levando ao aumento de toxinas produzidas pelas bactérias bucais, o que pode piorar o quadro de mucosite. Para aliviar os sintomas da boca seca são utilizados bochechos prescritos pelo cirurgião-dentista.”

 

A radioterapia na região de cabeça e pescoço pode não só diminuir a quantidade de saliva mas também alterar sua consistência, provocando ardência, cárie de radiação, dificuldade de engolir e ao longo do tempo pode ocasionar aftas, infecções e até queda e fraturas de restaurações.

 

Laserterapia como prevenção

 

A laserterapia é considerada um tratamento não invasivo que pode prevenir lesões na boca, minimizando o desconforto e acelerando a cicatrização de feridas. O laser de baixa potência tem efeito anti-inflamatório, acelerador da recuperação dos tecidos e analgésico sendo utilizado como forma terapêutica para o alívio ou diminuição da dor. Muito indicado para o tratamento da mucosite oral, esse procedimento consiste em “uma energia luminosa que provoca alterações químicas e celulares, capazes de recompor as células e melhorar a sensação dolorosa”, destaca a cirurgiã-dentista.

 

A aplicação do laser é realizada no consultório odontológico e o aparelho utilizado possui uma configuração personalizada, ou seja, para cada paciente, de acordo com o quadro de mucosite apresentado, o grau de sensibilidade dolorosa e a resposta à aplicação do laser feita anteriormente.

 

O laser pode ser utilizado desde o primeiro dia de tratamento oncológico, de maneira preventiva, e são mantidas as sessões de laserterapia até a completa melhora dos sintomas, algumas semanas após o término da quimioterapia e/ou radioterapia. “O laser é utilizado não apenas para as feridas (mucosite) decorrentes do tratamento oncológico, mas também auxilia na recuperação de danos em nervos, nas paralisias e parestesias, resultado do tratamento oncológico ou de cirurgias e outros procedimentos realizados na região. São inúmeros os usos e benefícios que o laser de baixa intensidade pode trazer”.

 

Para prevenir problemas bucais é importante fazer uma boa higienização e seguir com o acompanhamento odontológico. No pós-tratamento, o objetivo é controlar os problemas bucais que persistirem e/ou forem aparecendo, prevenindo infecções, auxiliando na reabilitação e promovendo melhora na qualidade de vida.

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