Estudo sobre HCC aponta uma abordagem que faz com que as células cancerígenas do fígado parem de crescer

5 de setembro de 2022

O carcinoma hepatocelular é a forma mais comum de câncer de fígado em adultos

Pesquisadores da Perelman School of Medicine, da Universidade da Pensilvânia, publicaram estudo em 2 de agosto no _Cell Metabolism_, informando que descobriram que o principal tipo de câncer hepático primário, o carcinoma hepatocelular (HCC), modifica seu metabolismo de uma forma que o deixa suscetível a interrupções no fornecimento de uma molécula-chave, a arginina. Essa vulnerabilidade à arginina está presente em todos os cânceres de células hepáticas, independentemente das mutações genéticas específicas que deram origem a eles.

Vale dizer que o câncer de fígado apresenta rápido crescimento, o que leva a uma vulnerabilidade em seus processos de produção de energia e construção celular que podem ser potencialmente explorados com uma nova estratégia de tratamento de combinação, segundo os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia.

Os pesquisadores mostraram em testes pré-clínicos que os carcinomas de células hepáticas famintos de arginina, e também bloqueando a resposta promotora de sobrevivência que resulta, deixam esse tipo de tumor em um estado “senescente”, quer dizer de não crescimento celular – em que eles podem ser mortos com uma nova classe de drogas que tem como alvo as células senescentes.

De acordo com os autores do estudo, foi identificada uma propriedade metabólica da maioria dos cânceres de fígado que oferece a possibilidade de tratar esses cânceres de forma eficaz, usando drogas que já estão aprovadas ou em desenvolvimento. 

O carcinoma hepatocelular (HCC) é a forma mais comum de câncer de fígado em adultos, sendo responsável por cerca de 80% dos tumores primários do fígado – tumores que se originam no fígado em vez de se espalharem de outros órgãos. Acredita-se que o HCC seja causado por inflamação hepática crônica devido ao vírus da hepatite, alcoolismo e obesidade. A doença raramente é curada, pois tende a ser diagnosticada somente depois de ter avançado além da possibilidade de remoção cirúrgica. Além disso, os transplantes de fígado, que podem curar doenças benignas, muitas vezes não estão disponíveis para pacientes avançados do HCC. 

A oncologista clínica Rosane do Rocio Johnsson, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, cita que atualmente os tratamentos medicamentosos para esse tipo de câncer, que é o carcinoma de células hepáticas, são limitados e quase nunca resultam em curas. “Temos sim uma necessidade urgente de novas estratégias de tratamento e esse estudo descortina possibilidades”, destaca.

Câncer de fígado

O câncer primário de fígado é uma das principais causas de morte por câncer em termos mundial, sendo responsável por mais de 700 mil mortes anualmente. A American Cancer Society – ACS estima que sejam diagnosticados no Estados Unidos neste ano cerca de 41.260 novos casos de câncer de fígado e de câncer ducto biliar intra-hepático. 

O Instituto Nacional de Câncer – INCA, órgão responsável pelos dados no país, não dispõe de estimativas para o câncer de fígado primário.