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No mês dedicado à mulher, conheça a história de quem venceu o Linfoma de Hodgkin e se prepara para ser mãe

A doença ou Linfoma de Hodgkin é um tumor maligno que tem origem no sistema linfático, composto por órgãos e tecidos responsáveis pela produção das células que realizam a imunidade e dos vasos que conduzem essas células específicas pelo corpo. A doença pode ocorrer em qualquer faixa etária, porém é mais comum entre adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e idosos (75 anos ou mais). O Instituto Nacional de Câncer (INCA) indica que anualmente são diagnosticados cerca de 2.640 casos, sendo 1.590 em homens e 1.050 em mulheres (estimativa de 2020). Menos frequente do que outros tipos de linfoma, o Linfoma de Hodgkin apresenta altos níveis de cura quando diagnosticado em fase inicial. Mas nem sempre foi assim, essa realidade é possível atualmente graças aos avanços tecnológicos na medicina. Contudo, mesmo diante desse avanço, a resposta ao tratamento varia de acordo com as características da doença e do paciente.

Em 2008, com apenas 12 anos, Anna Carolina Rhinow começou a apresentar sintomas como perda de peso, suores noturnos e muitas “bolinhas” espalhadas no corpo, principalmente no pescoço. Após passar por vários pediatras, veio o diagnóstico de Linfoma de Hodgkin. “Na época, não sabia nem pronunciar direito ´Linfoma de Hodgkin´, e não sabia se o que que causava a queda dos cabelos, por exemplo, era a quimioterapia ou o próprio câncer”. O tratamento consistiu em sessões de químio e radioterapia. Com o apoio da família, fé e perseverança, em 2009, Anna Carolina entrou em remissão, havia superado um câncer.

O Linfoma de Hodgkin pode surgir em qualquer parte do corpo e os sintomas dependem de sua localização. O câncer nos gânglios do pescoço, nas axilas e na virilha pode apresentar ínguas ou inchaço indolores nos linfonodos. Quando a doença atinge a região do tórax, é comum a presença de tosse, falta de ar e dor torácica, e, na pelve ou no abdômen, desconforto e distensão abdominal. O diagnóstico pode ser feito por exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, principalmente havendo sintomas sugestivos da doença.

“Um dos procedimentos indicados é a biópsia, uma cirurgia para a retirada de parte do tecido (fragmento ou o linfonodo) para análise. O resultado do exame patológico permite dizer se é um linfoma. Já o de imunohistoquímica pode confirmar e classificar o tipo de linfoma”, aponta a oncologista clínica Rosane do Rocio Johnsson, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP.

“Era começo de 2014, e, com 18 anos recém-completados, voltei para a quimioterapia. Meus pais e irmãos foram meu suporte o tempo todo. Mesmo passando muito mal e muitas vezes não gostando da quimioterapia, a vontade de viver, o cuidado e a atenção das enfermeiras comigo faziam tudo ter mais sentido e valer a pena. Foram mais seis ciclos de quimioterapia e com a bênção de Deus e a boa resposta do meu corpo, não precisei fazer o transplante de medula óssea. A quimioterapia é um dos maiores desafios dos guerreiros, mas passa. Dores, enjoos, mal-estar, medo de ser fraca, de não conseguir, tudo isso passa”, diz a guerreira Anna Carolina Rhinow.

De acordo com a oncologista clínica, “O Linfoma de Hodgkin é o exemplo de uma neoplasia curável e com altas taxas de sobrevida. Quando o tratamento termina, o médico irá acompanhar o paciente de perto por alguns anos. Por isso é muito importante comparecer a todas as consultas de acompanhamento. Nessas consultas o médico sempre o examinará o paciente, conversará sobre qualquer sintoma que tenha apresentado, poderá pedir alguns exames de laboratório ou de imagem para acompanhamento e reestadiamento da doença. É preciso atenção aos efeitos adversos pulmonares, cardiovasculares, musculares e endocrinológicos decorrentes do tratamento. Dentre eles, as alterações endocrinológicas são as mais comumente encontradas e, com o rastreio correto, permite identificação e intervenção precoce. Além disso, a importância de novas abordagens terapêuticas, com o avanço das técnicas de radioterapia, redução das doses utilizadas e o surgimento de protocolos quimioterápicos menos nocivos, reduzem os impactos da terapia.

A elaboração de um protocolo de avaliação e seguimento facilita a compreensão da equipe, reduz falhas, leva à padronização do serviço e antecipa o diagnóstico. Além disso, o seguimento a longo prazo é necessário para melhor avaliação desses pacientes. É incontestável que a cura da neoplasia é a prioridade, entretanto, o conhecimento das repercussões do tratamento são essenciais para viabilizar uma qualidade de vida adequada ao paciente de Linfoma de Hodgkin”, explica.

Câncer trouxe mais coisas boas do que ruins

Hoje, aos 25 anos, casada, Anna Carolina carrega em seu ventre o milagre da vida, gestando seu primeiro filho. “Mesmo depois de dois tratamentos com drogas que poderiam me deixar infértil, indo na contramão dos meus exames que mostravam taxa hormonal baixa, engravidei, e mais do que nunca, mesmo seguindo em acompanhamento, me sinto curada. Não luto apenas pela minha vida agora, luto por mais uma vida, outro coração que bate aqui dentro. Sou uma mulher forte, não por ter vencido, porque muitos vencem também. Mas porque o câncer me trouxe muito mais coisas boas do que ruins. Me trouxe histórias e pessoas, vida e vontade de viver”, relata a futura mamãe.

“O câncer vem, e ele não tem culpa, ele não escolhe, ele simplesmente acontece, então cabe a nós darmos um rumo para ele e ressignificar esse algo que muitos nem gostam de falar o nome, em algo bom, e, garanto, tem muita coisa boa para se tirar, muita lição a se aprender. Sou muito grata a Deus e à minha família, que fez tudo, foi tudo e continua sendo tudo para mim. E se eu puder dar uma dica para quem está passando pelo câncer ou vai passar é que ‘deixe a transformação acontecer’”.

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