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Reposição hormonal na menopausa: o que as mulheres precisam saber

Reposição hormonal na menopausa: o que as mulheres precisam saber

A endocrinologista e metabologista do Instituto de Oncologia do Paraná, Juliana Kaminski, explica detalhes da reposição hormonal e os cuidados que as mulheres devem ter durante toda a sua vida, para que a menopausa e o envelhecimento tenham menos impacto na sua saúde.

É possível simplificar o universo feminino?

O mais difícil da natureza feminina, do ponto de vista hormonal, é que ela é cíclica. Desde a primeira menstruação até a última, a produção hormonal de estrogênio e de progestrona varia conforme a fase do ciclo menstrual, que dura em torno de 28 dias, ou seja, não há uma produção contínua do mesmo hormônio.

Além disso, os ciclos são interrompidos durante a gestação, com produção hormonal característica desse período. Após o parto, enquanto a mulher amamenta o bebê, os seus ciclos menstruais ficam ausentes pela ação da prolactina, que é o hormônio envolvido na produção do leite.

A mulher madura, a partir dos 45 anos, tende a apresentar mudanças no intervalo das menstruações, sinalizando a menor produção de hormônios pelos ovários, até a chegada da menopausa, o que costuma acontecer entre os 48 e 52 anos.

Todas essas variações hormonais são fisiológicas, ou seja, são típicas da natureza feminina e têm repercussões na qualidade de vida das mulheres, tornando o seu universo mais complexo.

O que acontece na fase da pré-menopausa e menopausa?

A interrupção dos ciclos menstruais poderia simplesmente representar um alívio, pois muitas mulheres sofrem com cólicas, excesso de fluxo menstrual e alterações de humor nos períodos menstruais.

Porém, a menopausa traz mudanças importantes na vida da mulher. Na pré-menopausa (climatério), os ciclos menstruais podem se tornar irregulares até a parada definitiva da menstruação.

Os sintomas climátericos, que incluem os calorões, alterações de humor, de sono, de libido a até de memória, podem surgem antes mesmo da menopausa propriamente dita e podem durar de cinco a dez anos.

Algumas mulheres não apresentam esses sintomas ou manifestam sintomas leves e transitórios, porém todas perceberão mudanças físicas, com tendência a acúmulo de gordura abdominal, perda de massa óssea e alterações genitourinárias.

Existe um padrão para a Terapia Hormonal na menopausa?

Não existe um padrão para a terapia hormonal: a escolha do tipo, dose e via de estrogênio, bem como a necessidade de associação com a progesterona, depende de cada caso.

Para as mulheres com muitos calorões, a indicação é de tratamento com estrogênio.

O estrogênio pode ser utilizado por via oral ou por via transdérmica, este pode ser na forma de gel ou adesivo.

As doses do estrogênio variam conforme a intensidade dos calorões e tempo de uso da reposição hormonal.

O mais seguro é manter o tratamento somente até os 60 anos de idade.

Para as mulheres com útero, é necessário associarmos a progesterona ao estrogênio a fim de proteger o endométrio, que é a camada interna que reveste o útero, contra hiperplasia (proliferação celular) e tumores.

A Terapia Hormonal na menopausa tem contraindicações?

Uma série de situações de saúde deve ser avaliada antes de indicarmos a terapia hormonal.

Mulheres com histórico de câncer de mama ou câncer de endométrio não podem realizar a reposição hormonal.

Histórico pessoal de trombose venosa, AVC ou infarto do coração também contraindicam o uso da reposição hormonal. História familiar de câncer de mama não é considerada contraindicação para reposição hormonal.

Já uma contraindicação relativa refere-se ao tabagismo, pois pode favorecer a trombose. Por isso, é muito aconselhável que a mulher interrompa o hábito, assim poderá dar início à reposição com mais segurança.

Atualmente, a indicação de terapia hormonal na menopausa é feita de modo individualizado, respeitando o histórico de saúde da mulher e evitando doses elevadas de hormônios. 

Quando a mulher não tem indicação para a reposição hormonal, o que pode ser feito para diminuiras manifestações clínicas?

Temos que usar medicações que atuam em pontos diferentes, mas que somadas não são tão eficazes quanto o estrogênio. Podemos usar, por exemplo, alguns tipos de antidepressivos que costumam amenizar os calorões.

Nessas mulheres temos que redobrar os cuidados com a massa óssea.

Quando se utiliza o estrogênio na menopausa, ele diminui o risco de osteoporose.

É importante manter uma boa ingestão de alimentos ricos em cálcio, verificar os níveis de vitamina D (se necessário, fazer suplementação de cálcio e vitamina D) e manter uma rotina de exercícios com carga, além de avaliação periódica da perda óssea, através de densitometria óssea.

Outro aspecto que impacta na saúde da mulher após a menopausa é a atrofia urogenital, levando a secura vaginal e infeccções urinárias.

Para o tratamento da atrofia, podem ser prescritos hidratantes vaginais e cremes vaginais a base de estrogênio.

A composição corporal muda em todas as mulheres durante e após a menopausa?

Sim, inclusive naquelas que sempre foram magras. O organismo tende a depositar mais gordura abdominal e acelera a perda de massa muscular.

É importante contornar isso com a prática de atividade física regular com carga e dieta balanceada.

Quais as principais dicas para as mulheres?

A partir do momento que começarem os sintomas, é preciso procurar um especialista para discutir a indicação de reposição hormonal.

Além disso, deve haver uma abordagem mais específica na qualidade e quantidade da alimentação, e atividade física regular.

Não apenas para evitar o ganho excessivo de gordura, mas para manter a massa magra.

A menopausa acentua a perda muscular que ocorre naturalmente a partir dos 30 anos.

Então se torna imprescindível fazer exercícios físicos para melhorar a composição corporal e manter a saúde durante o processo de envelhecimento.

O ideal é que se faça pelo menos meia hora de atividade física aeróbica por dia.

Caminhadas, durante cinco dias da semana, e ainda associar uma atividade física com carga, como musculação ou pilates.

 

Texto por: Instituto de Oncologia do ParanáIOP

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