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Saúde mental do paciente oncológico: por que cuidar da mente durante do tratamento do câncer

Receber um diagnóstico de câncer não mexe apenas com o corpo. A notícia impacta a mente, as emoções, a rotina, a família e até o planejamento financeiro do paciente. Neste artigo, inspirado no episódio “Saúde mental do paciente oncológico” do podcast – Aqui por Você, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), reunimos os principais pontos sobre o cuidado emocional durante o tratamento do câncer.

O impacto do diagnóstico de câncer na saúde mental

O diagnóstico oncológico costuma ser vivido como uma “avalanche” de informações, exames, novas rotinas e incertezas. Mesmo antes da confirmação, o período de investigação, biópsias e espera por resultados já gera ansiedade e sofrimento emocional.

Entre as reações mais comuns estão medo do futuro, raiva, culpa (“por que comigo?”), tristeza e sensação de estar em uma montanha-russa emocional. É frequente que o paciente associe câncer à ideia de morte, o que aumenta ainda mais a angústia.

 

Quando o sofrimento emocional deixa de ser “esperado”

É esperado que, logo após o diagnóstico, paciente e família sintam-se abalados, ansiosos e entristecidos. Com o início do tratamento e o passar dos primeiros ciclos, porém, é desejável que essa intensidade diminua e que a pessoa volte, aos poucos, a se reorganizar.

Estudos indicam que até 50% dos pacientes oncológicos podem desenvolver sofrimento emocional significativo e, dentro desse grupo, cerca de 20% a 30% têm transtornos diagnosticados, como depressão, ansiedade, transtorno de adaptação ou estresse pós-traumático. Nessas situações, o acompanhamento especializado é fundamental.

 


 

O que é psico-oncologia e qual o seu papel

A psico-oncologia é a área da psicologia especializada no cuidado de pacientes com câncer e seus familiares. Assim como existe o médico oncologista, há o psicólogo com formação específica em oncologia, que conhece ciclos de tratamento, efeitos colaterais e rotinas da jornada oncológica.

O objetivo é ajudar o paciente a lidar melhor com o diagnóstico, tratamento, efeitos adversos e mudanças na vida pessoal, familiar e profissional. O suporte psicológico também contribui para a adesão ao tratamento, reduzindo o risco de abandono, uso inadequado de medicações e descompensações emocionais.

Por que o suporte psicológico influencia o tratamento

Pacientes com bom suporte nutricional, prática de atividade física e acompanhamento psicológico tendem a se sair melhor no tratamento em comparação com quem não recebe esse tipo de cuidado integral. O estado emocional, embora não interfira diretamente na biologia da doença, impacta a imunidade e o modo como o paciente enfrenta o tratamento.

Quando o sofrimento emocional é intenso, aumenta o risco de não seguir as orientações da equipe, de interromper o tratamento e até de quadros de ideação suicida. Por isso, cuidar da saúde mental é parte essencial do plano terapêutico.

 


 

Sinais de alerta para buscar ajuda psicológica

No IOP, todo paciente que inicia tratamento é avaliado pela equipe de Psicologia, já no começo da jornada. Em contextos onde isso não é possível, alguns sinais de alerta ajudam a identificar quando é hora de procurar um psico-oncologista.

No paciente oncológico

  • Tristeza, ansiedade ou irritabilidade intensa que persistem ao longo de semanas, sem melhora com o tempo.
  • Dificuldade importante de adaptação à rotina de exames e tratamento, mesmo após os primeiros ciclos.
  • Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, isolamento social e apatia.
  • Alterações significativas de sono e apetite, sem relação apenas com efeitos colaterais previstos.
  • Comentários frequentes sobre desesperança, vontade de desistir ou de “sumir”.

Na família e rede de apoio

O câncer não atinge apenas o paciente: familiares, amigos e cuidadores também têm a vida impactada. Muitas vezes, deixam de lado seus próprios cuidados, tratamentos e rotina para se dedicar integralmente ao cuidado do ente querido.

É importante que o familiar fique atento a:

  • Cansaço extremo e sensação de esgotamento constante.
  • Ansiedade e preocupação quase ininterruptas com o paciente.
  • Alterações de sono, apetite ou humor mais intensas e frequentes que o habitual.
  • Culpa ao tentar descansar, se divertir ou cuidar de si.

Nesses casos, o ideal é que o familiar também seja acolhido e, quando necessário, encaminhado para acompanhamento psicológico.

 


 

Risco de suicídio em pacientes oncológicos

Pacientes com câncer têm risco de suicídio de uma a duas vezes maior do que a população geral, especialmente nos momentos próximos ao diagnóstico, em cenários de dor crônica não controlada ou em casos com prognóstico mais reservado. Avaliar histórico psiquiátrico prévio, tentativas anteriores de suicídio, uso de substâncias e a existência (ou não) de rede de apoio é parte essencial da avaliação psicológica. Monitorar continuamente pacientes de maior risco é uma estratégia importante para reduzir esse tipo de desfecho.

 


 

Como a família pode ajudar de forma saudável

O familiar é um braço fundamental no cuidado, mas também precisa se cuidar. No IOP, além do acompanhamento individual, há iniciativas como a palestra “Cuidar de quem cuida”, especialmente voltadas para familiares de casos novos.

Atitudes práticas que fazem diferença

  • Estar disponível e perguntar: “Como posso te ajudar? O que é melhor para você agora?”.
  • Respeitar o ritmo do paciente: há momentos em que ele quer conversar e outros em que prefere silêncio e recolhimento.
  • Ajudar com orientações práticas (horário de medicação, alimentação, organização da casa, compras).
  • Ser ponte com a vida que o paciente tinha antes: relembrar hobbies, séries, passeios de que ele gostava, e ajudar a resgatar esses momentos.
  • Cuidar de si mesmo, mantendo consultas próprias, tempo de descanso e atividades de lazer, sem culpa.

Assim como em um voo, em situação de emergência é preciso colocar primeiro a própria máscara de oxigênio para, então, ajudar o outro. O mesmo vale para quem cuida de alguém com câncer.

 


 

Equipe multiprofissional: cuidado integral ao paciente oncológico

O paciente oncológico é, por definição, um paciente complexo. Por isso, o cuidado integral envolve não apenas o médico, mas também psicologia, nutrição, enfermagem, farmácia, navegação de cuidados, fisioterapia, fonoaudiologia, serviço social e outras especialidades, conforme a necessidade.

No IOP, as equipes se reúnem regularmente para discutir casos, construir planos terapêuticos e ajustar condutas de forma compartilhada, sempre com foco na individualização do tratamento. Essa integração permite que informações emocionais, clínicas e sociais circulem entre os profissionais, resultando em um cuidado mais completo.

 


 

Saúde mental e identidade: existe vida para além do câncer

Durante o tratamento, é comum que o paciente se veja apenas como “o diagnóstico” e perca de vista quem era antes do câncer. Mudanças estéticas, limitações físicas e a rotina de consultas podem reforçar essa sensação. Um dos recados mais importantes da psico-oncologia é: você não é o seu diagnóstico. Resgatar a identidade, os papéis de vida (mãe, pai, profissional, amigo) e aquilo que traz sentido ao dia a dia é parte fundamental do cuidado da saúde mental. Sim, o câncer traz mudanças práticas e emocionais, mas é possível viver este processo de forma mais leve quando há apoio, informação de qualidade e uma equipe multiprofissional ao lado do paciente e de sua família.

 

Assista ao episódio do podcast “Aqui por Você”

Este conteúdo foi inspirado no episódio “Saúde mental do paciente oncológico” do podcast Aqui por Você, produzido pelo Instituto de Oncologia do Paraná. No bate-papo, o jornalista Johnny Mota conversa com a psicóloga Renata Gonçalves, especialista em psico-oncologia do IOP. Para assistir ou ouvir o episódio completo, acesse a página do podcast Aqui por Você no site do IOP ou confira sua plataforma de áudio preferida.

 


 

Perguntas frequentes sobre saúde mental no tratamento do câncer

Todo paciente com câncer precisa de acompanhamento psicológico?

Idealmente, sim. Todo paciente oncológico se beneficia de uma avaliação em psico-oncologia, mesmo que não mantenha sessões semanais. Isso ajuda a identificar fatores de risco, construir estratégias de enfrentamento e organizar o suporte emocional ao longo do tratamento.

Como saber se a tristeza é “normal” ou se é depressão?

É esperado sentir tristeza e medo após o diagnóstico. O sinal de alerta é quando esses sentimentos são muito intensos, persistem por semanas, prejudicam sono, apetite, rotina e não melhoram mesmo após o paciente entender o tratamento e iniciar os primeiros ciclos.

Familiares também podem procurar psico-oncologista?

Sim. Familiares, amigos próximos e cuidadores também podem – e devem – buscar apoio psicológico quando percebem que não estão conseguindo cuidar de si, quando o sono e o humor estão muito alterados ou quando sentem culpa por descansar ou se divertir.

O emocional pode atrapalhar o tratamento do câncer?

O emocional não “causa” o câncer nem substitui os tratamentos médicos, mas impacta diretamente a forma como o paciente adere às condutas, cuida de si e mantém a rotina de medicações, consultas e exames. Além disso, pode interferir na imunidade, o que também influencia o prognóstico.

Quando procurar ajuda diante do risco de suicídio?

Frases de desesperança intensa, vontade de morrer, de “sumir” ou qualquer plano concreto de se machucar são sinais para buscar ajuda imediata com a equipe de saúde, psico-oncologia ou serviços de urgência. Pacientes com dor crônica não controlada, pouco suporte familiar ou histórico psiquiátrico prévio precisam de monitoramento ainda mais próximo.

 


 

Quer apoio para cuidar da saúde mental durante o tratamento?

No Instituto de Oncologia do Paraná, o cuidado com a saúde mental faz parte da jornada do paciente desde o início do tratamento, com avaliação psicológica, acompanhamento contínuo e suporte também aos familiares. Se você ou alguém da sua família está enfrentando um diagnóstico de câncer e deseja saber mais sobre o suporte emocional oferecido pelo IOP, entre em contato pelos canais oficiais de atendimento ou converse com a equipe que o acompanha.

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