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Câncer de mama lobular

Carcinoma lobular invasivo se forma nas células da mama que produzem leite

O carcinoma lobular invasivo é o segundo subtipo histológico mais comum de câncer de mama após o carcinoma ductal invasivo. Historicamente, esses dois subtipos de câncer de mama foram agrupados por serem considerados como tendo as mesmas necessidades de triagem, sintomas, fatores genéticos e tratamento. Entretanto, o carcinoma lobular invasivo é diferente do carcinoma ductal.

O carcinoma lobular invasivo, também chamado de câncer de mama lobular, se forma nas células da mama que produzem leite, chamadas de lóbulos. Enquanto o câncer de mama que ocorre nas células dos ductos lácteos e/ou do mamilo é classificado como carcinoma ductal.

Cada vez mais revisões e pesquisas têm sido feitas visando tentar distinguir o carcinoma lobular invasivo com o seu próprio subtipo e definir abordagens de tratamento mais personalizadas. Por isso, elencamos algumas considerações de uma revisão de literatura sobre o assunto e um novo estudo abrangendo quase 3.000 mulheres que foi apresentado recentemente como pôster na Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica de 2022 – ASCO.

1 – O carcinoma lobular invasivo não é raro

O câncer de mama lobular é responsável por aproximadamente 10 a 15% dos casos de câncer de mama. No entanto, 40.000 mulheres enfrentarão um diagnóstico de câncer de mama lobular neste ano somente nos Estados Unidos – EUA. Isso é mais casos do que câncer de ovário e do colo do útero, que são estimados em 29.000 e 19.000 casos neste ano, respectivamente.

2 – O câncer de mama lobular nem sempre se apresenta como uma massa

Uma das características do câncer de mama lobular é que ele perde sua proteína de ancoragem, ou seja, as células cancerosas não se ligam às células vizinhas, então elas crescem em linhas. Eventualmente, as linhas de células cancerosas se cruzam e se interligam para formar uma massa, mas nesse ponto o câncer está avançado.

Como o câncer não cresce como uma massa, as pacientes geralmente não conseguem senti-lo. Muitas relatam que sentem seus seios mais densos ou veem o mamilo retrair.

Mamografias e ultrassons também não são muito eficazes na detecção do câncer devido ao seu padrão de crescimento celular. A melhor abordagem de triagem é uma ressonância magnética de mama, que não é o padrão de atendimento para as pacientes de risco médio. 

Até que a ressonância magnética se torne mais amplamente utilizada, o câncer lobular pode ser subdetectado. Como a detecção é um desafio e as pacientes não veem alterações em suas mamas, 60% a 70% dos diagnósticos das pacientes são alterados para um estágio mais avançado após a cirurgia. 

3 – O câncer de mama lobular pode dar metástase para os tratos gastrointestinal e urinário

O câncer de mama lobular tende a se espalhar para locais incomuns, como o revestimento dos tratos gastrointestinal e urinário. As pacientes podem se queixar de constipação ou mudança no hábito intestinal ou terem alterações ao urinar.

E assim como na mama, as células cancerígenas labutares crescem em folhas e não em massa, e a metástase também pode ser difícil de detectar.

 4 – A história familiar pode ajudar a determinar o risco de câncer de mama lobular

Existem tendências que podem ajudar a identificar pessoas com maior risco de carcinoma lobular invasivo.

  •  Indivíduos com um membro da família que também foi diagnosticado com a doença correm maior risco de ter o mesmo diagnóstico.
  •  Pessoas com histórico familiar de câncer de estômago enfrentam um risco maior de câncer de mama lobular, quando detectada uma alteração genética especifica.
  •  A presença de uma lesão pré-cancerosa conhecida como carcinoma lobular in situ (CLIS) pode aumentar as chances de uma pessoa ter um diagnóstico de câncer de mama lobular invasivo. 

5 – Monitoramento adaptado

Para ajudar a identificar precocemente o câncer de mama lobular, os pacientes que se enquadram nas categorias de risco podem ser monitorados com uma ressonância magnética em vez de um ultrassom.

6 – Necessidade de personalização do tratamento

Muitos pacientes com carcinoma lobular invasivo recebem a quimioterapia padrão porque os estudos agrupavam os subtipos labulares e o ductais para análises, porém hoje sabe-se que este é um subtipo menos sensível a esse tipo de terapia.

As ferramentas de prognóstico como Oncotype DX e MammaPrint também não são muito úteis no carcinoma lobular invasivo pelas mesmas razões.

7 – A terapia endócrina é eficaz no tratamento do carcinoma lobular invasivo

Uma revisão liderada pelo Dr. Mouabbi, oncologista do MD Anderson Cancer Center, mostrou que 95% dos cânceres de mama lobulares são positivos para receptores hormonais. Por causa disso, o câncer de mama lobular pode ser tratado com terapia endócrina na grande maioria dos casos.

8 – Oportunidade para novos tratamentos

  •  O câncer de mama lobular parece ser imunologicamente quente. Isso significa que o sistema imunológico reconhece o tumor. São esperados ensaios clínicos para investigar o tratamento desses cânceres com imunoterapia.
  •  Os cânceres de mama lobular também são impulsionados pela mutação CDH1, quase 15% dos pacientes carregam a mutação do gene HER2 e 60% carregam a mutação do gene PIK3CA. A identificação desses alvos podem levar a tratamentos mais eficazes.

Os ensaios clínicos com pacientes portadoras de carcinoma lobular invasivo são decisivos para o progresso. Para definir abordagens mais personalizadas é fundamental que os estudos especifiquem tratamentos para câncer de mama lobular, ou, se os ensaios clínicos forem combinados, os pacientes devem ser protegidos com uma coorte específica para este subtipo.

Tudo começa com a conscientização sobre essa doença.

Por Caroline de Nadai Costa, oncologista clínica do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP

Referências

 

01) Jason A Mouabbi et al. Invasive lobular carcinoma: an understudied emergent subtype of breast cancer. Breast Cancer Res Treat. 2022 Jun;193(2):253-264.

 

02) Jason A Mouabbi et al. 2022. American Society of Clinical Oncology, Poster Session. Survival outcomes in metastatic HR-positive, HER2-negative invasive ductal carcinoma compared to invasive lobular carcinoma and mixed ductal/lobular treated with endocrine therapy in combination with CDK4/6 inhibitors, mTOR inhibitor, or PI3K inhibitor.

 

03) https://www.mdanderson.org/cancerwise/What-is-invasive-lobular-carcinoma-8-insights-on-lobular-breast-cancer.h00-159539745.html

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