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Conheça os fatores de risco do câncer de mama e reposição hormonal

Conheça os fatores de risco do câncer de mama e reposição hormonal

 

A campanha Outubro Rosa existe no Brasil desde 2002, durante este período, muitas ações de prevenção foram feitas, leis criadas, houve maior conscientização por parte das mulheres quanto ao autocuidado e, principalmente, em se dar um momento de atenção à sua saúde, e não somente do marido e dos filhos. Mesmo assim, as estatísticas apontam que, apesar das campanhas anuais, o câncer de mama continua sendo o mais comum entre as mulheres no mundo, no Brasil, é o segundo, ficando atrás somente do de pele não melanoma. São cerca de 60 mil novos casos por ano no Brasil e as chances de cura chegam a 95% dos casos quando o tumor é detectado no início.

Existem alguns temores que pairam no universo feminino inerentes à doença, como fatores de risco e terapia hormonal. Para esclarecer sobre esses assuntos, entrevistamos o mastologista Lucas Roskamp Budel, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP.

 

IOP – Quais os fatores de risco ligados ao câncer de mama?

Lucas Roskamp Budel – Existem vários fatores de risco estabelecidos para o câncer de mama como, por exemplo, a primeira menstruação em idade precoce, menopausa tardia, nunca ter gestado, ter sido exposta à radioterapia de mediastino, entre outros fatores. O histórico familiar é um fator importante e deve sempre ser levado em consideração quando parentes de primeiro grau tiveram câncer de mama ou ovário.

Devemos estar atentos aos fatores de risco potencialmente modificáveis, isto é, fatores que temos influência ao longo da vida. Os principais fatores são: exposição prolongada ao estrogênio na pós-menopausa, obesidade, sedentarismo e consumo diário de álcool. Fica a orientação para que se pratique atividade física, 30 minutos por semana durante cinco dias ou 150 minutos na semana.

IOP – A mamografia é o exame de rastreamento mais indicado?

LRB A mamografia é o principal exame de rastreamento do câncer de mama e deve ser realizado anualmente a partir dos 40 anos, como recomenda a Sociedade Brasileira de Mastologia. Esta prática aumenta o diagnóstico precoce da doença, diminuindo a necessidade de tratamentos mais agressivos e aumentando a possibilidade de cura.

Outros exames podem ser feitos de forma complementar, mas com precaução. A realização indiscriminada de exames como a ressonância magnética e ultrassonografia mamária podem levar a um aumento de procedimento invasivos desnecessários. Estes métodos devem ser solicitados por um médico capacitado.

IOP – Como ter a certeza de que o equipamento de imagem é bom e que o resultado do exame é seguro?

LRB Deve-se buscar centros de imagem onde trabalham médicos radiologistas certificados pela Sociedade Brasileira de Radiologia. Ao ver a imagem e ler o laudo fornecido, o médico assistente é capaz de identificar se o exame segue os padrões de qualidade exigidos pelo Colégio Americano de Radiologia.

IOP – Qual a relação da terapia de reposição hormonal com o câncer de mama?

LRB A terapia hormonal pode aumentar o risco relativo de se desenvolver a doença. O principal estudo sobre o tema é o WHI (Women’s Health Initiative), que identificou um aumento no risco relativo de 1,26 para mulheres que usaram a terapia hormonal combinada, ou seja, com estrógenos e progestágenos. Esta publicação mudou a forma com que prescrevemos a terapia hormonal para sintomas do climatério. Embora tenha mudado nossa prática, devemos observar este dado com cautela. O estudo não levou em consideração que a terapia hormonal é um fator protetor para doenças cardiovasculares e câncer colorretal e, além disso, não houve aumento nas mortes por câncer de mama na população.

IOP – Todas as mulheres precisarão, algum dia, fazer reposição hormonal?

LRB Não. Os sintomas da síndrome climatérica podem ser controlados com medidas no estilo de vida, como a prática de exercícios físicos regulares, controle do peso e uma dieta balanceada. Caso necessário, outras medicações podem ser utilizadas para o controle das ondas de calor, insônia e outros sintomas relacionados a esse período. A terapia hormonal é selecionada para pacientes com sintomas de difícil controle ou de grande intensidade.

IOP – As novas drogas para reposição hormonal causam menos efeitos colaterais?

LRB Toda medicação pode ter efeitos secundários, por isso a importância de individualizar o tratamento. Para a terapia hormonal, com o advento de novas vias de administração e novos esquemas terapêuticos, é possível selecionar qual a melhor droga para o perfil da paciente de acordo com suas necessidades e doenças associadas.

IOP – Por quanto tempo a mulher deve fazer reposição hormonal?

LRB Enquanto durarem os sintomas preferencialmente sem ultrapassar os cinco anos de uso. O uso prolongado dessa terapia eleva o risco relativo de desenvolver câncer de mama e seu benefício por um período muito extenso não está comprovado, surgindo, assim, a recomendação de descontinuar a terapia quando se estende por mais de 5 anos.

IOP – A reposição hormonal é indicada para todas as mulheres?

LRB Não. A reposição hormonal é indicada para pacientes com sintomas climatéricos. Os fogachos são o principal sintoma indicador de uma possível necessidade de terapia hormonal. É importante individualizar a queixa da paciente para oferecer o melhor tratamento, inclusive alternando as vias de administração de acordo com a necessidade e indicação de cada paciente.

IOP – Como deve ser o acompanhamento médico para mulheres que fazem a reposição hormonal? O período é diferente?

LRB Toda mulher deve acompanhar com seu ginecologista anualmente. Para mulheres em terapia hormonal isso é muito importante. Além de realizar os exames periódicos como a mamografia para detecção precoce do câncer de mama e o Papanicolau para a prevenção do câncer do colo do útero, mulheres nesta faixa etária devem estar atentas para o controle da pressão arterial, dislipidemias, glicemia de jejum e densidade mineral óssea caso apresentem algum fator de risco para essas doenças.

IOP – A medicação da reposição hormonal causa algum outro tipo de problema de saúde?

LRB – A terapia hormonal aumenta a incidência de trombose venosa profunda e fenômenos tromboembólicos, por isso, as principais contraindicações à reposição hormonal são histórico pessoal de carcinoma de mama e histórico de tromboembolismos venosos. É importante observar que a mulher que deseja fazer terapia hormonal deve passar por consulta com o ginecologista para que ele possa decidir se ela é elegível para o tratamento e escolha a melhor via de administração.

IOP – Devemos ter receio do tratamento com terapia hormonal?

LRB A terapia hormonal é usada há muito tempo e é um tratamento seguro para o controle dos sintomas do climatério quando prescrito por um médico com experiência em ginecologia e endocrinologia. Deve-se ter cuidado com o uso indiscriminado das medicações principalmente quando o objetivo não é o tratamento de sintomas da menopausa.

Existem muitos mitos e incertezas sobre a relação entre o uso de medicações hormonais e o câncer de mama e a melhor forma de tirar suas dúvidas é com o seu médico.

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