A glicose pode estar relacionada com o câncer de pâncreas

21 de agosto de 2018
Hand holding a blood glucose meter measuring blood sugar, the background is a stethoscope and chart file

Estudos epidemiológicos sobre o câncer realizados recentemente mostraram que o câncer de pâncreas foi o quarto mais fatal em homens após câncer de pulmão, colorretal e próstata. Entre as mulheres, o estudo também aparece em quarto lugar, atrás apenas do câncer de mama, colorretal e pulmão. A oncologista clínica Rosane do Rocio Johnsson, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), explica que o tumor no pâncreas geralmente é diagnosticado em pacientes idosos com idade média de 71 anos para homens e 75 anos para mulheres. “Cerca de 5 a 10% do câncer de pâncreas é resultado de alguma alteração genética. Com uma expectativa de vida de 5% em 5 anos, o prognóstico desse câncer não melhorou nos últimos 20 anos e a incidência e as taxas de mortalidade são muito semelhantes”, destaca a oncologista.

Alguns fatores de risco conhecidos para o câncer de pâncreas estão além do controle de um indivíduo, ou seja, ter idade avançada, ser afro-americano ou judeu asquenazi e ter dois ou mais parentes de primeiro grau (pais ou irmãos) que tiveram a doença. A oncologista clínica alerta que os fatores de risco modificáveis são os que causam maior preocupação. Além do tabagismo, considerado responsável por 20 a 25% dos cânceres de pâncreas, os outros são a obesidade, o diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica, todos fatores que atingiram níveis epidêmicos nos últimos anos. “Dados mostram claramente uma relação com a obesidade. Quanto maior o IMC, maior o risco de câncer de pâncreas (segundo pesquisa realizada pelo MD Anderson Cancer Center). A obesidade contribui para o início e para a progressão desse tipo de câncer. Descobriu-se ainda que o risco de câncer é maior quanto mais cedo na vida a pessoa se torna obesa, e o tempo de sobrevivência foi menor entre aqueles que ainda estavam obesos quando o câncer foi diagnosticado.”

A obesidade também é o principal fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, em que o corpo resiste à ação da insulina, levando o pâncreas a produzir mais e mais desse hormônio. A insulina promove o crescimento celular, fornecendo uma ligação entre o diabetes e o desenvolvimento da doença. O tratamento do tumor de pâncreas consiste numa abordagem multidisciplinar. “Pode ser de forma localizada com cirurgia, quimioterapia, radioterapia e dependendo do estágio da doença com cuidados paliativos. O prognóstico desse câncer não melhorou e por isso é fundamental ficar atento aos sintomas e evitar os fatores de risco. Todos devem se alertar para a possibilidade de câncer oculto em pacientes que acabaram de receber o diagnóstico de diabetes e possuem 50 anos ou mais e que não têm histórico familiar.”

Os exames indicados para o diagnóstico são os de sangue (marcador tumoral CA19-9), fezes, urina, ultrassonografia abdominal, podendo também serem solicitadas tomografia e ressonância nuclear de vias biliares e da região do pâncreas. Para a confirmação de um resultado de câncer é necessária a realização de biópsia, quando é extraída uma amostra de tecido do órgão.

SAIBA COMO IDENTIFICAR OS SINTOMAS DE CÂNCER DE PÂNCREAS

1 – Dor abdominal forte que irradia para as costas (o tumor cresce e comprime órgãos próximos);

2 – Coceira na pele causada pelo excesso de bilirrubina no sangue;

3 – Perda de apetite e de peso devido a alterações hormonais causadas pela doença, causando fraqueza, diarreia e tontura;

4 – Pele e olhos amarelados (icterícia causada quando o tumor atinge o pâncreas);

5 – Aumento do nível de glicose (açúcar) no sangue causado pela deficiente produção de insulina (é a principal função do pâncreas).